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Vaijanika Kriya Yoga Paddhati (O Método Científico da Kriya Yoga), capítulo 1: Princípios da Kriya Yoga

Por Paramahamsa Hariharananda

Capa original de
de Vaijnanika Kriya Yoga Paddhati,
escrito no idioma oriá.



Livro original escrito em oriá, Vaijnanika Kriya Yoga Paddhati
Traduzido para o português, a partir da tradução em inglês, por Graziella Schettino Valente, com revisão de Yogacharya Céu.
São Paulo, Brasil, 2022


1

Princípios da Kriya Yoga

Kriya Yoga é uma bela técnica de meditação, que precisa ser aprendida com um professor, tanto sua teoria quanto sua prática. Esse caminho utiliza experiência direta, semelhante a aprendizagem por observação científica. Se aprendida com qualquer um que não seja uma pessoa plenamente realizada[1] em Kriya ou um iogue altamente avançado, a prática não dará resultados. Aqueles que não atingiram o apogeu da Realização de Si, ou provaram o apreciado estágio – um bem-aventurado estado de amor e devoção – irão certamente ganhar má reputação se eles ensinarem outros, e as pessoas que aprenderem com eles não irão se elevar no caminho espiritual da Realização de Si. Está escrito na Bíblia (Mateus 15:14): “Da mesma maneira que uma pessoa cega conduz outra pessoa cega e ambos caem na valeta, também um buscador ignorante não pode ser um farol de luz para outros.”

A palavra “yoga” deriva da raiz yuj, que significa estar unido ou permanecer no estado de unidade. Em outras palavras, através de técnicas científicas, o eu encarnado (jiva) está unido ao Eu universal (Brahman). Um iogue pode ser alguém que tenha responsabilidade pelo sustento ou cuidado da família ou que seja um monge renunciado; em ambos os casos, essa pessoa permanece sempre unida a Deus praticando métodos ióguicos. Essa realização da unidade entre a alma individual e o Eu Supremo é ioga.

Yogiraj Shyamacharan Lahiri,
mais conhecido como Lahiri Mahasaya

Na era moderna, Yogiraj Shyamacharan Lahiri reviveu o antigo conhecimento do controle da respiração sutil, uma técnica científica conhecida como Kriya Yoga. O Bhagavad Gita (2:50) diz, yogah karmasu kaushalam: “Ioga é a maneira adequada de alcançar ação correta”. É também uma técnica ou método para a Realização Divina. Kriya Yoga é uma técnica que pode ser praticada para atingir o bem-aventurado estágio de samadhi nesta mesma vida. Esta é a verdadeira adoração a Deus. O Yoga Sutra de Patanjali (Sadhana Pada, sutra 1) diz, tapah svadhyaya Ishvara pranidhanani kriya yogah: “Kriya Yoga é a arte da oração interior com controle da respiração, autoestudo e puro amor pelo Divino.”

Na opinião sagrada de Shri Shyamacharan, Kriya Yoga é uma combinação de diferentes técnicas, como pranayama, Khechari mudra, Jyoti mudra e ouvir o som divino, ver a luz divina e assim por diante. Todas essas técnicas são apenas maneiras para alcançar o estágio de samadhi.

Paramahamsa Yoganandaji, um dos discípulos de Swami Shriyukteshwarji que se tornou um mestre realizado na linhagem de Kriya Yoga, afirmou que a espiritualidade não pode ser comprada no mercado. Deve ser conquistada com muito trabalho e esforço próprio. No entanto, muitas pessoas estavam aprendendo e praticando Kriya Yoga principalmente pela leitura dos livros dele. Uma compreensão geral a respeito da filosofia de Kriya Yoga pode ser obtida lendo livros, mas, a menos que seja aprendida adequadamente com um mestre Autorrealizado ou um estudante avançado designado, não alcançará o resultado desejado. Como apontado novamente por Paramahamsa Yoganandaji, um mestre Autorrealizado acende a consciência espiritual no coração de um discípulo sincero. O guru preceptor é o mensageiro de Deus. O fluxo imperecível e perene da tradição do guru nunca foi interrompido e continua a fluir ininterruptamente ainda hoje. 

Yogananda sentado ao lado de Sree Yukteshwar,
no Ashram de Karar, na cidade de Puri
Orissa (Odisha), Índia

Sentado próximo aos gurus da tradição de Kriya Yoga – Swami Shriyukteshwar Giri, Sanyal Mahasaya, Paramahamsa Yoganandaji e Swami Satyanandaji – eu venho praticando Kriya Yoga em uma atmosfera de solidão, reclusão e silêncio desde 1932. Como resultado dessa prática em reclusão e silêncio, eu aprendi não apenas como abrir as pétalas de lótus dos seis centros para conduzir os buscadores à Realização Divina, mas também realizei que Kriya Yoga é a essência de todas as religiões. Os renunciantes convictos, brahmacharis e sannyasins da Índia, mergulhando além do véu da natureza externa, realizaram a imanente sublime verdade desta natureza. Kriya Yoga não é meramente um discurso filosófico ou intelectual. Na realidade, é o estágio da percepção não sensorial, de completa fusão e união com Deus. Pela graça dos gurus da linhagem de Kriya Yoga, alcancei o estágio de nirvikalpa samadhi e gostaria de compartilhar uma parte da minha essência realizada, em forma de livro, para o benefício das pessoas do mundo todo.

O corpo é muito temporal. Não sei se algum buscador antes de mim realizou a mesma essência que encontrei praticando Kriya Yoga. A experiência e a realização de cada pessoa são únicas. Também não sei se durante a iniciação outras pessoas podem instilar vibração divina, luz divina e som divino da cabeça aos pés em seus discípulos. Depois de atingir o nirvikalpa samadhi em 1948 e Paramahamsa Yoganandaji solicitar que eu ensinasse Kriya Yoga, venho infundindo a vibração divina em discípulos do muladhara chakra (centro inferior) ao sahasrara chakra (fontanela) e até mesmo ao brahmaloka (céu alto no espaço).  Até atingir o nirvikalpa samadhi, eu não conhecia essa técnica de infundir o poder divino. Renunciando a tudo, pratiquei esta técnica dia após dia, mês após mês, ano após ano, até o dia da emancipação final. Através da minha prática e da graça de Deus e dos gurus, alcancei tal estado e pude despertar a energia divina, vibrante, latente e cósmica que permanece não manifestada no corpo inteiro das pessoas. A partir desse dia, venho espalhando a sublimidade da Kriya Yoga, ensinada pelos mestres desta linhagem, por todo o mundo – não só na Índia, mas também na Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Suíça, Canadá, EUA, Colômbia, e muitos outros países da Europa e América do Sul. Ao longo das cinquenta partes do corpo dos discípulos, eu venho despertando a energia cósmica latente. Isso é chamado de infusão de poder.

Swami Satyananda Giri,
primo de Yogananda,
Satyananda é lembrado por
sua incansável ação humanitária.
Foi o Sadhusabhapati do 
Ashram de Karar de 1952 a 1971.

Muitos ocidentais, assim como alguns indianos, têm uma visão equivocada do que é kundalini shakti. Muitas pessoas têm a ideia errada de que kundalini é como uma cobra que permanece circundando ao redor do muladhara chakra (centro inferior). Despertada, ela vai subir e morder todas as partes do corpo, causando danos inexplicáveis. Muitos livros foram escritos sobre esse retrato fantasioso da energia cósmica latente. Ninguém se atreveu a compartilhar a verdade, temendo que fosse contra noções milenares estabelecidas e escrituras antigas. Muitos sadhakas tântricos, que nunca perceberam a bem-aventurada essência da energia cósmica, escreveram muitos livros, como chacais murmurando que as uvas doces, as quais eles não podiam alcançar depois de suas tentativas e tribulações, estavam azedas.

A energia cósmica, latente em todo ser humano, cria a sensação vibratória da energia vital (prana shakti). Também é conhecida como para shakti (energia suprema) e adorada como kampilyavasini (manifestada como vibração). Por todo o corpo, as sensações vibratórias de maha shakti (grande poder) são sentidas. Sendo enfeitiçados pelas forças centrífugas extroversas de maya (delusão, ilusão e erro), os seres humanos permanecem sempre esquecidos de maha shakti; este grande poder permanece desaproveitado e não utilizado em cada indivíduo. Paramahamsa Yogananda explicou que a consciência humana é normalmente limitada pelos sentidos. Esse poder invisível, sutil e oculto não pode ser facilmente controlado. A cobra é um símbolo de poder. Como a cobra tem poder e veneno, a corrente prânica também tem a dupla capacidade de evolução espiritual e de criar confusão mundana. A energia vital prendeu os seres humanos na armadilha de maya (delusão e apego). Toda a humanidade está cozinhando no veneno mundano. Os cientistas redescobriram na teoria dos genes como as tendências da vida são transmitidas a outros e permanecem adormecidas neles. Os iogues descobriram que a forma sutil das tendências humanas permanece embutida no muladhara chakra (o centro inferior). Essas tendências são geralmente chamadas de energia não manifesta. Despertar tal energia significa introverter conscientemente a energia vital não utilizada através de todos os centros dentro da coluna, desde o muladhara até o sahasrara (no topo da cabeça). Ao subir ao longo do caminho da sushumna, do muladhara ao sahasrara, a energia vital controla as rédeas de todos os desejos mundanos. Ao atingir o mais alto estágio possível de Realização Divina, somente através da prática de Kriya Yoga, tenho tentado ajudar toda a humanidade a percorrer o caminho espiritual, instilando nos corpos dos discípulos a sensação divina e as vibrações do poder supremo (maha shakti) depois de purificar e consagrar todas as partes do corpo e chakras (centros) na coluna. Kriya Yoga é uma ciência de espiritualidade prática que deve ser aprendida diretamente com o guru preceptor.

Yogananda

Não se pode obter a Realização Divina apenas lendo escrituras e textos espirituais. A ilustração a seguir esclarecerá esse ponto. Qualquer pessoa que alugou um cofre de segurança no banco tem uma chave enquanto outra chave é mantida pelo gerente do banco. Mesmo que essa pessoa deseje abrir o cofre com sua chave, ela não pode sem a ajuda do gerente do banco. O gerente do banco primeiro abre o cofre e, em seguida, a pessoa usa sua chave para abri-lo para ver sua riqueza e ouro no interior. Da mesma forma, a prática de Kriya Yoga é a arte da disciplina espiritual que se deve dominar com o sincero companheirismo de um buscador com o guru. Guru é o mensageiro divino. A chave para abrir o cofre divino do tesouro espiritual está com guru. Se o gerente do banco não abrir o cofre, ninguém tem o poder de ver o que ele contém. Da mesma forma, a pessoa que tem o cofre, a menos que ele seja aberto, não pode ver sua própria riqueza e propriedade.

Três fatores são essenciais para a evolução espiritual de todo buscador: hereditariedade, ambiente e cultura. A hereditariedade é a própria herança do passado. O ambiente é o guru preceptor. O terceiro fator, a cultura, depende do esforço sincero do buscador. Com a hereditariedade da providência divina, o guru preceptor abrirá o cofre cinquenta por cento e os outros cinquenta por cento devem ser cultivados pelo discípulo. Pela prática da Kriya Yoga, pode-se perceber que cem por cento de divindade é inerente a todo ser humano.

Bupendranath Sanyal Mahasaya,
de barbas brancas, ao centro.
Ao lado direito, seu discípulo, autor deste livro,
Paramahamsa Hariharananda,
de barbas escuras e óculos.

Enquanto leva uma vida mundana, um ser humano pode praticar Kriya Yoga. Kri significa o que você está fazendo; ya significa a alma funcionando dentro de você. No Bhagavatam em oriá, é dito pelo Senhor Krishna: “Eu sou Aquele que faz; não há outro caminho além de Mim.” Realizando Aquele que faz, na forma de energia vital em todas as atividades, pensamentos e disposições, os seres humanos permanecem sempre ligados na consciência da alma em meio aos cuidados e tarefas familiares. Possa uma pessoa ser Shakta (adoradora da Mãe Divina), Shaiva (seguidora do Senhor Shiva), Vaishnava (aqueles que adoram o Senhor Vishnu, Shri Rama ou Senhor Krishna), Ganapatya (crente no Senhor Ganesha), Tantrik Kaulika (seguidores de sua própria tradição familiar de ritos e rituais), budista, jainista, ou pertencer a qualquer outra disciplina[2], ela pode facilmente realizar Deus ou se elevar na evolução espiritual despertando a energia cósmica na sushumna e se estabelecer no sahasrara através da prática de Kriya Yoga. Como dizem as escrituras, desha kala prapannani sarva karmani sadhayet: “Todas as atividades são realizadas de acordo com a natureza do país e do clima.” Se as sementes forem jogadas nas florestas ou em terras selvagens, sem o cultivo adequado, não haverá rendimento e os esforços serão em vão. Para obter uma boa colheita, deve-se cultivar bem a terra. Da mesma maneira, Kriya Yoga é uma técnica especial de meditação para cultivar a terra espiritual que jaz árida nos seres humanos.

Nos capítulos subsequentes, as descrições a respeito dos estágios e o processo de Kriya Yoga ajudarão a dar uma compreensão mais clara aos praticantes de Kriya Yoga iniciados e inspirarão as pessoas a trilhar este caminho real


[1] Nota à tradução brasileira (N.d.T.)

Ao longo do texto, a palavra “realizar” é usada no sentido de conceber algo vividamente como real; perceber ou experimentar um estado plenamente consciente, em relação à Deus, à unidade (Realização Divina, Realização de Deus), ou a si mesmo (Autorrealização, Realização de Si).

Assim, uma pessoa realizada é alguém que alcançou um estado pleno de consciência de si, em união com Deus.

Realizado é, ainda, alguém que se realizou, que alcançou seu objetivo ou ideal, que atingiu sua meta (ex.: Teve o que desejou, é um homem realizado).

Então, pode-se entender que mestre realizado é alguém que alcançou o ideal dentro daquilo que é ser um mestre. E, do mesmo modo, pode-se compreender que realização espiritual é alcançar o objetivo ou ideal espiritual.

[2] Como cristianismo, judaísmo, islamismo, espiritismo, religiões de matriz yorubá e de todas as outras matrizes, etc. (N.d.T.)

Postagem por ocasião dos 25 anos do ensino e prática
da Kriya Yoga de Paramahamsa Hariharananda no Brasil

Meditando com a Lua / Meditando con la Luna

PORTUGUÊS (ESPAÑOL ABAJO)

Existe uma técnica de meditação que envolve olhar diretamente a Lua. Mas não é disto que trata este texto. Aqui estou sugerindo como você pode fazer para criar um foco de TRANSFORMAÇÃO MENTAL, a partir do CICLO LUNAR. 
E criar um ciclo de harmonização crescente e constante.

Chandra-Soma

Bianca di Fiore me lembrou dias atrás que, no Jyotisha, (que é a ciência védica de observação das luzes celestes e sua relação com nossa percepção e interação com o mundo), a Lua está associada à mente e à mãe.

Mais precisamente, a Lua, que se chama Chandra ou Soma, está associada a MANAS, que é o aspecto da mente que diz respeito a como percebemos sensorialmente o mundo. Manas é a mente enquanto um sentido de percepção. Não é a mente como sentido de identidade, memória, intelecto ou intuição. É a mente como o vetor central da percepção e psique. Esse sentido, no entanto, é influenciado pela raiz profunda da formação do ser, tanto na gestação como na primeira infância. Ou seja, pela influência da mãe. A mente MANAS não vê exatamente como são as coisas, mas como sente que as coisas são, com um forte grau de subjetividade emocional.

Essa forma de perceber pode colaborar ou prejudicar sua harmonização com as forças do Universo. Ou, como dizem os Rshis, colaborar ou prejudicar seu equilíbrio com a Rta, a ordem natural cósmica, que sustenta tanto o micro, como o macro, tanto o visível, como o invisível.

Harmonizar a MANAS é, portanto, entrar em harmonia com sua vida e com sua própria raiz psíquica. Fortalecer as influências benéficas que recebeu de sua mãe, e se livrar de eventuais transtornos psíquicos que também pode ter recebido. Trabalho de uma vida, mas possível de ser realizado.

O CICLO DE TRANSFORMAÇÃO DA MANAS ATRAVÉS DO CICLO LUNAR, se faz assim:

- Medite todos os dias, começando do fim da Lua Minguante, e indo até o dia da Lua Cheia. Mas faça isso através de um eixo dirigido de transformação, conforme explico a seguir.

- Primeiro, escolha aquelas qualidades mentais das quais quer se livrar. Vícios, adições, complexos, incômodos, excessos, descontroles, fobias, etc. Qualquer comportamento que não queira mais (porque todo comportamento começa na mente sensorial, MANAS). Em suma, aspectos da ILUSÃO que mantém você aprisionado em sofrimento psíquico.

- No dias do fim da Lua Minguante, antes de começar sua meditação, pense nisso que não quer mais na sua vida. Em seguida, realize sua prática de meditação, mas NÃO PENSE MAIS no problema. Concentre-se apenas na prática e no foco puro de concentração. Ao término da prática, incline-se e peça, para a forma divina com a qual mais se identifica (pode ser de acordo com sua fé religiosa, pode ser simplesmente a Luz da Consciência), para que liberte você daquilo que lhe aflige.

- Então vem a Lua Nova e a Lua Crescente.
Durante esses dias, continue meditando diariamente, mas agora, ao começar, pense naquilo que agora quer para sua vida, aquilo que vai substituir o que quer abandonar. Em seguida, realize sua prática de meditação, mas NÃO PENSE MAIS no problema. Concentre-se apenas na prática e no foco puro de concentração. Ao término da prática, incline-se e peça, para a forma divina com a qual mais se identifica (pode ser de acordo com sua fé religiosa, pode ser simplesmente a Luz da Consciência), para que mostre para você, com clareza de entendimento, o caminho para conquistar o que quer, para atingir LIBERTAÇÃO, PAZ e REALIDADE. Resumidamente: REALIZAÇÃO ESPIRITUAL.

- Então vem o dia da Lua Cheia.
Nesse dia apenas medite. Sinta a luz da Lua Cheia dentro de você. E ao término, incline-se e agradeça, por ter conseguido meditar todos os dias, do Minguante até o Plenilúnio. Agradeça a transformação que já está acontecendo. Se tiver alguma intuição sobre como seguir desse dia em diante, anote. (Você pode criar, se quiser, um pequeno diário para acompanhar seu processo de transformação através de ciclos de meditação com a Lua)

E vá assim, fazendo esses ciclos de meditação, sempre que possível e o máximo que conseguir. Harmonizando-se com a Lua e prosseguindo no seu autoestudo e transformação. Parece talvez simples demais, mas ao harmonizar sua psique com os ciclos lunares, está se harmonizando com Chandra-Soma. Harmonizando sua própria consciência profunda da luz da consciência. Harmonizando o fluxo dos líquidos do seu corpo, que conduzem todo processo metabólico do corpo físico, de nutrição, purificação e renovação, e das conexões intuitivas do sonho e da psique. Está fortalecendo sua capacidade de perseverar em si mesmo, em sua paz e capacidade de descobrir o que precisa para ter uma vida melhor, mais pacífica e livre. Está entrando em harmonia com o movimento constante de transformação cósmico.

O que vai acima vale para qualquer ciclo lunar, em qualquer tempo.
Mas agora vou escrever um pouco sobre a situação da Lua de Vesak. Para entender o que é essa lua, leia este link: Lua Cheia, Vesak e Baba

Para a Lua de Vesak, o que eu expliquei acima, vale mais ainda. É o ciclo de guia e transformação espiritual mais poderoso do ano, de mais expansão da consciência. Excelente oportunidade para estabelecer uma conexão profunda com seu Mestre Espiritual interior e infinito.

Estou escrevendo este texto em Abril de 2022. Neste ano, a Lua Nova que abre o ciclo de Vesak será no dia 30 de Abril. E a Lua Cheia (Lua de Vesak), na passagem de 15 para 16 de Maio. E neste ano, tanto na Lua Nova, como na Cheia, teremos Eclipse.
O Eclipse é um lembrete que a verdadeira luz continua brilhando mesmo quando está oculta, que tudo se transforma e a luz sempre volta a brilhar. A meditação no dia do Eclipse tem potencial para você ir ainda mais fundo dentro da sua fonte interior, indo além das próprias sombras, que ocultam você de você mesmo. Quanto mais conseguir tranquilizar seu coração e pensamento em um dia de Eclipse, mais concentração desenvolverá. E vice-versa, num ciclo de transformação bastante positivo, lúcido e de pulso de vida. Use o que aprendeu sobre respiração, batimento cardíaco e fluxo mental, e aprofunde sua paz interior.

Te desejo Bençãos Divinas de Transformação, do Topo da Cabeça às Solas dos Pés.
Com Amor,
Y Céu

27 de Abril de 22

ESPAÑOL:
(Muchas gracias, Pilar Mamaji, por traducir el texto al español.)

Existe una técnica de meditación que consiste en mirar directamente a la Luna. Pero de eso no trata este texto. Aquí estoy sugiriendo cómo puedes crear un foco de TRANSFORMACIÓN MENTAL, desde el CICLO LUNAR.
Y crear un ciclo de armonización creciente y constante.

Bianca di Fiore me recordó días atrás que en Jyotisha , (que es la ciencia védica de observar las luces celestiales y su relación con nuestra percepción e interacción con el mundo), la Luna está asociada con la mente y la madre.

Más precisamente, la Luna, que se llama Chandra o Soma , está asociada con MANAS, que es el aspecto de la mente que se refiere a cómo percibimos sensorialmente el mundo. Manas es la mente como un sentido de percepción. No es la mente como un sentido de identidad, memoria, intelecto o intuición. Es la mente como vector central de la percepción y la psique. Este sentido, sin embargo, está influido por la raíz profunda de la formación del ser, tanto en el embarazo como en la primera infancia. Es decir, por influencia de la madre. La mente de MANAS no ve exactamente cómo son las cosas, sino cómo siente que son las cosas, con un fuerte grado de subjetividad emocional.

Esta forma de percibir puede colaborar o perjudicar tu armonización con las fuerzas del Universo. O, como dicen los Rshis, colabora o altera tu equilibrio con Rta, el orden natural cósmico, que sustenta tanto lo micro como lo macro, tanto lo visible como lo invisible.
Armonizar el MANAS es pues entrar en armonía con tu vida y con tu propia raíz psíquica. Fortalece las influencias benéficas que recibiste de tu madre y deshazte de cualquier trastorno psíquico que también hayas recibido. El trabajo de toda una vida, pero factible.

EL CICLO DE TRANSFORMACIÓN DEL MANAS A TRAVÉS DEL CICLO LUNAR, se hace así:

- Medita todos los días, comenzando desde el final de la Luna Menguante, y continuando hasta el día de la Luna Llena. Pero hazlo a través de un eje dirigido de transformación, como explico a continuación.

- Primero, elige aquellas cualidades mentales de las que te quieres deshacer. Adicciones, adicciones, complejos, molestias, excesos, descontrol, fobias, etc. Cualquier comportamiento que ya no quieras (porque todo comportamiento comienza en la mente sensorial, MANAS). En definitiva, aspectos de la ILUSIÓN que te mantienen atrapado en el sufrimiento psíquico.

- En los días del final de la Luna Menguante, antes de comenzar tu meditación, piensa en lo que ya no quieres en tu vida. Luego continúa con tu práctica de meditación, pero NO PIENSES MÁS en el problema. Solo enfócate en la práctica y el enfoque puro de la concentración. Al final de la práctica, inclínate y pide a la forma divina con la que más te identifiques (puede ser según tu fe religiosa, puede ser simplemente la Luz de la Conciencia) que te libere de lo que te aqueja.

- Luego viene la Luna Nueva y la Luna Creciente.
Durante estos días, continúa meditando diariamente, pero ahora, al comenzar, piensa en lo que ahora quieres para tu vida, lo que reemplazará lo que quieres dejar. Luego continúa con tu práctica de meditación, pero NO PIENSES MÁS en el problema. Solo enfócate en la práctica y el enfoque puro de la concentración. Al final de la práctica, inclínate y pide, a la forma divina con la que más te identifiques (puede ser según tu fe religiosa, puede ser simplemente la Luz de la Conciencia), que te muestre, con claridad de entendimiento, el camino para conquistar lo que quieres, para alcanzar la LIBERACIÓN, la PAZ y la REALIDAD. Brevemente: REALIZACIÓN ESPIRITUAL.

- Luego viene el día de la Luna Llena.
Ese día solo medita. Siente la luz de la Luna Llena dentro de ti. Y al final, inclinarse y dar gracias, por haber logrado meditar todos los días, desde la Luna Menguante hasta la Luna Llena. Sé agradecido por la transformación que ya está teniendo lugar. Si tienes alguna intuición sobre cómo proceder a partir de este día, escríbela. ( Puede crear, si lo desea, un pequeño diario para seguir su proceso de transformación a través de ciclos de meditación con la Luna ).

Y siga así, haciendo estos ciclos de meditación siempre que sea posible y tanto como pueda. Armonizándote con la Luna y continuando tu autoestudio y transformación. Quizás parezca demasiado simple, pero al armonizar tu psique con los ciclos lunares, estás armonizando con Chandra-Soma. Armonizando tu propia conciencia profunda de la luz de la conciencia. Armonizando el flujo de los líquidos de tu cuerpo, que impulsan todos los procesos metabólicos del cuerpo físico, de nutrición, purificación y renovación, y de las conexiones intuitivas del sueño y la psique. Es fortalecer tu capacidad de perseverar en ti mismo, en tu paz y capacidad de descubrir lo que necesitas para tener una vida mejor, más pacífica y libre. Estás entrando en armonía con el movimiento constante de la transformación cósmica.

Lo anterior se aplica a cualquier ciclo lunar, en cualquier momento.
Pero ahora escribiré un poco sobre la situación de la Luna de Vesak. Para entender qué es esta luna, lee este enlace: 
Lua Cheia, Vesak e Baba

Para la Luna de Vesak, lo que expliqué anteriormente vale aún más. Es el ciclo de guía espiritual y transformación más poderoso del año, de mayor expansión de conciencia. Excelente oportunidad para establecer una conexión profunda con tu Maestro Espiritual interior e infinito.

Escribo este texto en abril de 2022 . Este año, la Luna Nueva que abre el ciclo de Vesak será el 30 de abril. Y la Luna Llena (Luna de Vesak), en el paso del 15 al 16 de mayo. Y este año, tanto en Luna Nueva como en Luna Llena, tendremos Eclipse .
El Eclipse es un recordatorio de que la verdadera luz sigue brillando aunque esté oculta, que todo se transforma y la luz siempre vuelve a brillar. La meditación del día del eclipse tiene el potencial para que profundices aún más en tu fuente interior, yendo más allá de tus propias sombras, que te ocultan de ti mismo. Cuanto más pueda calmar su corazón y sus pensamientos en un día de Eclipse, más concentración desarrollará. Y viceversa, en un ciclo de transformación muy positivo, lúcido y pulso de vida. Usa lo que has aprendido sobre la respiración, los latidos del corazón y el flujo mental, y profundiza tu paz interior.

Les deseo Bendiciones Divinas de Transformación, desde la Cabeza hasta las Plantas de los Pies.
Con Amor,
Y Cielo

27 de abril, 22

FEMININO & MASCULINO CÓSMICOS


A Força Cósmica Feminina é um princípio de sustentação e acolhimento. É o Amor Cósmico. É CONTRAÇÃO no sentido de vir do infinito para o finito, de encontro ao ponto atômico da Consciência, potência do Espírito Primordial, Narasimha.

A Força Cósmica Masculina é princípio de abertura e impulso. É a Consciência Cósmica. É EXPANSÃO no sentido de ir do finito para o infinito, do ponto atômico da consciência, à consciência transcendental que é Amor, Oceano de Luz, Varunam.

Não são forças em oposição. São princípios em harmonia e nossa integração é a integração com essas forças. O entendimento como forças contrárias é um equívoco de nossa mente dualista, atordoada.

São como a sístole e a diástole.

É Yin Yang.

É o Yajna Cósmico, dar e receber é a Unidade Universal.

É o Yoga Transcendental, o ser individual e o Ser Cósmico se integram em uma única pessoa mística, a Alma Realizada, além das dimensões de tempo e espaço.

A prática CORRETA de meditação fundamenta-se no revelar dessa Consciência Amorosa, em si um paradoxo sem começo ou fim: É o Amor que alimenta a Consciência, e é a Consciência que revela o Amor. Um serve ao outro, infinitamente.

Com Amor,
Yogacharya Céu

13 novembro 2020

Hatha Yoga & Kriya Yoga

Este é um texto de esclarecimento. 

Não a toa a técnica de Kriya Yoga de Maharishi Bhrigu e Yogeshwara Mahadeva se perde de tempos em tempos, e necessita de um Lahiri Babaji, cutucado por Babaji, para faxinar as confusões que fizemos.

Um caminho de esclarecer é este:

HATHA YOGA:

De acordo com os Sutras de Patañjali, asana (postura, posição do corpo) é uma das oito partes da Yoga, etapa preparatória para os passos seguintes que conduzem até samadhi.

Hatha Yoga (hatha literalmente significa força) é um sistema que foca no aspecto mais físico da yoga. Seu foco principal são os asanas.
Uma prática de Hatha Yoga é quase na totalidade posturas, com um pouquinho de meditação rápida no final. Às vezes, nem isso, e só um relaxamento.

Por razões diversas, diferentes formas de praticar Hatha Yoga, receberam diferentes nomes, como Ashtanga Yoga ou Vinyasa Yoga. Ashtanga talvez seja uma das denominações que mais induz a confusão, já que emprega a terminologia de Patanjali de forma equivocada. Como se, por exemplo, eu pegasse uma pétala de uma flor e considerasse, essa pétala, a flor inteira.

O significado correto de Ashtanga Yoga é Oito Partes da Yoga, que são:

  1. Yamas
  2. Nyama
  3. Asana (Que é a parte Hatha)
  4. Pranayama
  5. Pratyahara
  6. Dharana
  7. Dhyana
  8. Samadhi

Mas Pattabhi Jois (1915-2009) adotou o nome Ashtanga para seu sistema de Hatha, aumentando a confusão.

Observe e reflita sobre as datas de nascimento e morte dos professores que estou listando neste texto. E pondere que os Sutras de Patanjali foram escritos milênios atrás (talvez algo entre 200 A.C. e 400 D.C.)

KRIYA YOGA:

Kriya Yoga é o nome que Lahiri Mahasaya (1828-1895) adotou para chamar a TOTALIDADE da Yoga que se propôs a ensinar. Poderia ter escolhido outro nome qualquer, mas por razões que posso detalhar em outro momento, escolheu este. A Kriya Yoga de Lahiri contempla as oito partes da Yoga. Poderia até se dizer que Kriya Yoga é Ashtanga Yoga (segundo Patanjali e não Pattabhi Jois)

De quando Lahiri começou a ensinar, até hoje, foram surgindo variações e deturpações da Kriya Yoga. Em alguns lugares praticamente se abandonou a yoga total e os asanas, e sobrou um pranayama meio disperso, combinado com orações aos Gurus. Para algumas pessoas Kriya Yoga virou rezar para os Gurus. Na minha visão, quem faz isso, está chamando de Kriya Yoga algo que não é mais isso de fato.

Paramahamsa Hariharananda (1907-2002) foi aluno direto de dois alunos diretos de Lahiri Mahasaya, e sua proposta é ensinar a Kriya Yoga original, que INCLUI asanas. Na Kriya Yoga de Hariharananda ESTÁ incluída a parte física (Hatha) em diversos momentos, sendo dois os mais destacados:
1- A INCLINAÇÃO
Se um praticante, iniciado corretamente na Kriya Yoga de Lahiri Baba, e difundida por Hariharananda, fizer com atenção a INCLINAÇÃO, já terá feito todo o alongamento necessário para abrir a prática e seguir em frente.

2- O MAHAMUDRA
Se fizer o Mahamudra e procurar APERFEIÇOÁ-LO, melhorando gradativamente os alongamentos, encaixes, pranayama, mahabandha, e consciência Kriya, terá feito a melhor Hatha Yoga possível, para efeito de atingir samadhi. O Mahamudra ensinado por Hariharananda, em suas próprias palavras, é o encapsulamento da Hatha Yoga. Realiza todas as funções necessárias para liberação do sistema nervoso central e periférico, equilíbrio eletromagnético do sistema ida-pingala e abertura da sushumna. Entre outras coisas.

Isto é o que aprendi e espero estar transmitindo corretamente os ensinos da linhagem, para benefício de todas as pessoas que buscam a prática.

HATHA YOGA x KRIYA YOGA

Se consegui ser claro acima, não existe contradição entre as duas coisas. Mais pode ser dito nas aulas e práticas em grupo, e perguntado a outros yogacharyas.

Mas dizer “vamos fazer Hatha Yoga antes da prática de Kriya Yoga” para melhorar a Kriya Yoga, me parece algum tipo de mal entendido. Da mesma forma, “vamos fazer alongamento antes da Kriya Yoga”.
Da maneira como estudo e pratico, todo o alongamento, e toda a hatha que você necessita, já estão dentro da prática CORRETA de Kriya Yoga.

O que não significa que eu seja contrário a que se pratique o que se convencionou chamar de Hatha Yoga. Eu mesmo estudei a Ashtanga de Pattabhi Jois, e mais Senguei Ngaro, Kathakali e Natação Zen, e até hoje pratico regularmente alguns dos exercícios preparatórios dessas práticas. Além de correr e de ginástica básica. Possivelmente essas práticas anteriores inclusive facilitaram meu desenvolvimento quando cheguei na Kriya Yoga, sim. Mas não faço essas práticas “grudadas” à minha Kriya Yoga.

Do que entendo, humildemente, não está faltando algo na Kriya Yoga de Lahiri e Hariharananda, que precisa ser complementado com Hatha Yoga ou exercícios de alongamento.

E, em tempo: YOGA é MEDITAÇÂO.
A prática COMPLETA de YOGA, incluindo todas as OITO PARTES, é MEDITAÇÃO.
Muitos traduzem apressadamente a palavra DHYANA (veja lá em cima, parte 7 no Yoga Sutra) como MEDITAÇÃO. Como se meditação fosse uma parte da Yoga, uma fração. Mas Dhyana é um estado de devoção amorosa que acontece naturalmente se você tiver preparado a si mesmo nas etapas anteriores. Surge um vislumbre desabrochado da percepção da Divindade. E isso se chama DHYANA, que é a antecâmara do SAMADHI.

KRIYA YOGA (pra valer) é simplesmente YOGA.

Com Amor,
Yogacharya Céu

5 de Agosto de 2020

Nota complementar : O assunto é muito amplo e, naturalmente, toda tentativa de simplificar, para entendimento de leigos e iniciantes, pode incorrer em erros grosseiros. Há milênios que, determinar o que é a Verdadeira Yoga, é um debate difícil. E o tempo muitas vezes serve apenas para acrescentar mais camadas de incompreensão e deturpações.
Nem mesmo entrei neste texto na discussão do que é (ou deveria ser) Raja Yoga, Karma Yoga, as 18 Yogas da Gita, etc, etc. O foco deste post é exclusivamente a questão do papel dos asanas (posturas físicas) na Yoga. E neste sentido, o que prevalece no entendimento mais amplo da maior parte das pessoas (professores incluso) é que Hatha Yoga é sinônimo de posturas físicas.
O texto básico de referência da Hatha Yoga é bastante recente, se comparado com os Sutras de Patanjali. E NÃO é parte dos Vedas. Trata-se do Hatha Yoga Pradipika, do século XV depois de Cristo. Busca-se ali a Yoga integral, mas já se aponta um caminho mais físico. A concepção contemporânea de Hatha Yoga, como um tipo de ginástica indiana, é consequência do trabalho de popularização de Tirumalai Krishnamacharya (1888-1989). Há muitas escolas e professores empenhados em resgatar a Hatha Yoga do Pradipika, como por exemplo o trabalho meticuloso da escola de Swami Sivananda (1887-1963). Ainda assim, o que prevalece nessas abordagens, é a prática de asanas. 
O objetivo deste texto, dirigido aos alunos de Kriya Yoga, é documentar que o que aprendi em minha formação, com Baba Hariharananda e diferentes yogacharyas, e com minha própria prática, é que a técnica completa da Kriya autêntica inclui asanas suficientes, para seus objetivos de integração da consciência. Espiritual, Astral e Física. É Yoga. E todo o processo é a Meditação. 
Meditação não é um pedaço da Yoga, mas a própria Yoga, se aprendida corretamente.
(10 de Agosto 2020|)

Natureza Divina. Natureza Decaída. Purusha & Prakrti

Nebulosa Cabeça de Cavalo,
vista pelo telescópio Hubble.

O que segue pode ser lido e entendido por qualquer um que o queira. Mas é especialmente dirigido aos que participaram de nosso encontro de estudos do dia 17 de dezembro passado. 

Todos enfrentamos o conflito interno entre como somos em nossas vidas e como gostaríamos que tudo fosse. 
O que a prática de Kriya Yoga propõe é um processo de depuração da nossa consciência para que encontremos o ponto equilibrado em que nos tornamos plenos dentro de nós e em nossas vidas e finalmente livres desse conflito. Isso se dá através de um método que equilibra respiração, batimento cardíaco, magnetismo do sistema nervoso, metabolismo, pensamento, psique e instâncias ainda mais elevadas e menos conhecidas daquilo que traduz o nosso eu, em tempo e espaço. 

Kriya Yoga é Yoga na sua fonte original e não deve ser confundido com o que é chamado popularmente de Yôga, ginásticas de alongamentos que nasceram modernamente de um dos desdobramentos do Yoga Clássico, o Hatha Yoga. Essas ginásticas são práticas físicas, em alguns casos penosas, com objetivos mais voltados ao bem estar e beleza materiais. Não raramente alguns professores dessas práticas misturam em suas aulas interpretações apressadas e superficiais de escrituras védicas com citações de auto-ajuda e modismos new-age, aumentando ainda mais a confusão para quem quer saber o que é realmente Yoga. Desde que praticada com um professor responsável e sem excessos de narcisismo, essas ginásticas podem sim trazer benefícios, do mesmo modo que Pilates ou Tai Chi. Mas não são Yoga em sua raiz, apenas um seu reflexo, um de seus muitos galhos. 

Kriya Yoga é Yoga em sua acepção original: Um sistema filosófico psicossomático que desencarcera purusha de seu entrelaçamento nesta prakrti.

E o que querem dizer essas palavras sânscritas, purusha e prakrti?

Traduzir sânscrito é impossível. Não existem palavras equivalentes na maioria dos idiomas e não raramente um bom dicionário sânscrito irá trazer muitas dezenas de possíveis traduções para uma única palavra. Há teóricos linguistas que afirmam tratar-se de um idioma morto, que ninguém mais fala. O que nós estudamos em nossa tradição da linhagem Kriya iniciada por nosso professor Lahiri Mahasaya em meados do século XIX, é que o sânscrito nunca foi falado para assuntos triviais. Em nenhum momento do passado alguém foi até o mercado comprar cocada, em sânscrito. Nem ninguém nunca fez fofocas sobre o vizinho ou comentou o resultado do campeonato, em sânscrito*1. Mais que uma linguagem litúrgica, é um idioma para tratar de assuntos espirituais ou filosóficos e para entender seu significado é necessário elevar o padrão da inteligência. Altas ondas, nem todos surfam. 
O conceito não é inédito. Anos atrás, estudando a etnia indígena Mebêngôkre, aprendi que entre eles existe a extratificação do conhecimento através da linguagem. E uma das formas de linguagem, a mais refinada, de conhecimento espiritual, era restrita a conversas em voz baixa, no seio da noite, na boca dos anciãos.
Então o que podemos fazer quando tentamos traduzir sânscrito, por exemplo, para o português, é conhecermos as inúmeras traduções aproximativas. Mas sem a experiência da consciência yogue, isso sempre será muito pouco e, quando muito, apenas isso: uma aproximação.


Antevista a dificuldade, voltamos a Purusha e Prakrti. 
Prakrti (ou Prakriti) pode ser entendido como Natureza Material, como os elementos constituintes do Universo, a natureza ou forma original de qualquer coisa, o padrão fundamental, o força de vontade investida de existência, o mundo material, etc. 
Purusha é o Ser Cósmico, o Ser Original, o Eu Universal, a fonte original do Universo, o primeiro ser, o homem original, a testemunha de Prakrti, etc.

Poderia se dizer que Prakrti é a matéria e Purusha o espírito. Mas se dissermos assim poderíamos reforçar a falsa ideia de cisão entre matéria e espírito. E não se trata disso, pois Prakrti sustenta Purusha. E Purusha determina Prakrti. 
Não existe dualidade Prakrti-Purusha. Não se tratam de opostos. É a mesma Natureza que originando a si mesma, se faz adormecida para poder despertar.
Retomando o estudo do dia 17 de dezembro passado e a interpretação metafórica de Baba Hariharananda para a Batalha de Kurukshetra, entre dois exércitos. As duas forças pertencem à mesma família (são da mesma origem, mesma raiz). Mas uma delas, os Pandavas, representa o corpo espiritual. A outra, os Kauravas, o corpo biológico. A tensão que escala o conflito e coloca os regimentos em oposição é fruto do desejo dos Kauravas em assumir completamente o controle, associado ao esquecimento dos Pandavas de sua condição original. Os Pandavas deixaram se enredar no complicado jogo dos Kauravas e perderam a própria direção.

Em outras palavras, não se trata de uma dualidade maniqueísta, colocando de um lado o ignorante e perverso corpo biológico e do outro o bom e sábio corpo espiritual. Esta seria uma maneira bem empobrecida e perversa de entender o esplendoroso jogo da existência. Mas sim, existe um mesmo corpo que se expressa biológica e espiritualmente. E a tendência do corpo biológico, quando o corpo espiritual está confundido, é seguir seus impulsos biológicos cegamente. Mas se a luz espiritual está desperta e consciente da Existência Pura, sem precisar se deixar levar pelos flutuantes estados da mente, então os corpos se alinham, e a natureza do corpo biológico se torna a mesma natureza do corpo espiritual. Cessa o conflito.
Trata-se do quarto estado da Consciência descrito no Maanduukya Upanishad, Turiiya, pura consciência da fonte original, distinto dos outros três, acordado, sonhando, em sono profundo.  

Voltando ao Gita e à Batalha e à interpretação de Hariharanandaji, no verso 3 do Capítulo Um, o próprio comando do corpo biológico tem a consciência de que em uma batalha entre a luz e a escuridão, a escuridão desaparecerá quando a luz acender. É inevitável. Entre virtudes e vícios, só existe vício onde não está a virtude. E a virtude não se impõe através do vício do orgulho, do discurso e do falso conhecimento. Ela desabrocha como uma flor quando se concentram as qualidades espirituais luminosas. E esse é o papel da Yoga em nosso corpo biológico: a partir do centro luminoso e elevado que acalma e pacifica nossa natureza material, fazer nascer a consciência das qualidades de luz, som e vibração que permitem emergir nossa fonte Amorosa, Mãe de todas as virtudes, nosso Ser Original em seu intelecto claro e perfeito.

Não é exclusividade dos Vedas essa interpretação filosófica. Quando se fala nos testamentos judaico-cristãos em Natureza Divina e Natureza Decaída, trata-se de uma mesma Natureza que carrega em si o potencial permanente do Despertar e Renascer para o Amor Original. A Natureza é uma só. Não está em oposição a nada, mas apenas aguardando o momento em que você irá se curvar amorosamente ao Coração do Oceano de Luz, eternamente grato pelo milagre da existência. 

Com Amor, 
Yogacharya Céu

*1: Há uma tentativa moderna de se instituir o Sânscrito como idioma do cotidiano em um dos estados da Índia, Uttarakhand (a.k.a. Uttaranchal). Mas isso implica em simplificar e reduzir o próprio significado da linguagem. Será sempre uma adaptação e não mesmo a fala em seu significado original. 

AMOR, YOGA & KRIYA YOGA parte 1


Palestra gratuita do Yogi Sarveshwarananda Giri no Yoga Flow a 6 de Julho de 2012

O Yogi é aluno de Paramahansa Hariharananda, da linhagem direta de Kriya Yoga desde Lahiri Mahasaya.
Kriya Yoga não é uma religião. É uma prática de meditação avançada, compatível com qualquer prática religiosa e igualmente benéfica para pessoas que não tenham nenhum tipo de crença espiritual. 

Agradecimentos a Ana Maria Veiga pelo amoroso trabalho voluntário de transcrição.

Sarvesh:
Boa noite. Hare Om. 
Vamos começar com um canto para abrir o misterioso coração. O quarto chakra.
Vamos repetir o mantra:
Sri Ram, 
Jay Ram, 
Jay Jay
Ramo

RAM é o nome de uma das encarnações de Vishnu. Na mitologia da Trindade Hindú temos três funções do mesmo Deus. A função da criação – Brahma. Da proteção, da preservação – Vishnu. E da destruição da ignrância e regeneração espiritual – Shiva
Vishnu vai vir a terra dez vezes , como Avatar. Avatar significa um descente da Luz  de Deus na Terra para restabelecer a Ordem Cósmica. Quando a obscuridade está crescendo e a luminosidade decrescendo, a tradição diz que o Senhor Vishnu vai encarnar-se de novo. 
Para restabelecer a ordem e dar um exemplo do que é seu Amor Divino. Exemplos dessas encarnações são Rama, ou Krishna, Buda . Podemos dizer Jesus também. É exatamente o mesmo tipo de mensagem.
SRI significa o revelado, santo. É uma partícula de reverência e bençãos.
JAY significa vitória. É um pouco como AVE, de Ave Maria. 
Vamos cantar o mantra:



(para ouvir o mantra clique no vídeo acima)

Agora com os olhos fechados, a coluna bem reta, coloquem as mãos no seu coração. Observem a energia que geramos através deste Bhajam, deste nome sagrado. Concentrem-se não em seu coração físico, mas em seu coração eterno, que está batendo dentro de seu peito. Como um pulso, uma vibração especial.
Observem este sentimento, esta energia expansiva, crescendo em seu peito.

(longo silêncio de meditação)

Om Namo Bhagavate Vasudevaya
Om Namo Bhagavate Hariharanandaya
Om Namo Narayanaya
Om Nama Shivaya
Om Shanti Om Shanti Om Shanti

Deixe agora nascer uma oração espontânea surgir em seu coração. Sem pensar. Quais são as primeiras palavras que vão sair de seu coração. Uma oração de conexão com sua Alma. Sem tratar de entender de maneira intelectual. Deixando esta energia formar palavras, e repitam mentalmente esta oração.
Abra seu coração à energia cósmica que vive dentro de você. Que quer expressar-se, manifestar-se. E aceite amorosamente esta manifestação de seu coração. Esta afirmação.
Muito amor. Ame. Amém.
Sua personalidade, sua mente, seu corpo, aceitam e amam profundamente esta pessoa maravilhosa em você, que é Amor.

Agora mantendo as duas mãos no coração vamos cantar um mantra específico.
É uma semente sagrada para puruficar o chakra do coração e chama YAMA
Vamos tomar uma boa inalação, muito profunda e exalamos lentamente, profundamente.
Cantamos lentamente 3 vezes a palavra YAM

Agora visualisamos em nossas mentes a imagem do Amor Divino Perfeito. Pode ser a Virgem Maria, ou Jesus, ou Buda. Qualquer imagem. Um santo... São Francisco. A primeira imagem que surgir em sua mente quando evocamos o Amor Divino Perfeito. Pense nesta personalidade, esta figura, personalizando este Amor. 
E concentre-se também na oração que surgiu em seu coração. 
E ao mesmo tempo agora vamos cantar novamente o YAM com os  braços abertos:
YAM
E novamente colocamos as mãos no coração, mantendo esta imagem do Amor Divino Perfeito a nossa frente e cantamos novamente, abrindo os braços, com Amor, com sorriso: YAM. 
E mais uma vez, fazendo a mesma coisa: YAM.....
Colocamos as mãos relaxadas nas pernas , mantendo a coluna bem estirada, concentração nesta luz interna no coração.
Observem esta sensação que nasce em seu peito. Como se manifesta este pulso vital, que está sempre se manifestando de diferentes maneiras. 

Om Namo Bhagavate Vasudevaya
Om Namo Bhagavate Hariharanandadevaya
Om Shanti Om Shanti Om Shanti

E lentamente podem abrir os seus olhos. Muito obrigado.

Pergunta Platéia: 
Muitas pessoas tem dificuldade de visualizar a imagem de um santo ou uma imagem de qualquer religião em um exercício como este. Poderia ser então uma imagem da natureza, ou de alguém que elas gostem?
Sarvesh:
Sim, qualquer imagem que sair do coração. Deus tem formas infinitas. E também é sem forma. Então pode ser somente uma luz brilhante. Ou uma pessoa muito querida. Um vovô. Qualquer coisa, sem julgamento. Uma expressão espontânea de seu coração em palavras e imagem. Aceite. 

Pergunta Platéia: 
Quantas vezes Vishnu encarnou? Dez vezes? Alguma foi como mulher?
Sarvesh:
Vishnu já encarnou como animal, peixe, tartaruga, javali, anão, vários homens; nas encarnações parciais veio como mulher várias vezes. A característica feminina de Deus é a mais honrada na Ìndia. Deus primeiro é uma mãe, depois um pai e depois um amigo. Mas primeiro é a Mãe Divina.

Pergunta Platéia: 
A nossa ideia de divindade é muito masculinizada. A gente sempre se refere a Deus como "ele"...
Sarvesh:
Sim. É mais uma convenção, não é? Na realidade não é "ele" ou "ela".
Então, esse pequeno exercício, essa prática  que acabamos de fazer. Vocês sentem algo? Sentem bem? Mais amorosos? 
(risos)

Fim da primeira parte.
Continua em breve, em um novo post


Comentários: 

Neste trecho inicial de sua palestra, o Yogi utilizou algumas técnicas de meditação para principiantes. Entre outras, as sílabas-semente. 
Um praticante dedicado de Kriya Yoga gradativamente toma consciência de que as distintas funções do corpo, todas elas regidas pelo sistema nervoso central, estão associadas a frequências de vibração e pulsar também distintas. E o estado equilibrado de nossas funções corresponde a sons próprios. 
Os Yogis ancestrais perceberam isso e organizaram esse sons no que chamamos de sílabas-semente. 
A repetição cuidadosa e atenta dessas sílabas pode induzir estados de consciência e ser utilizada como forma de meditação para iniciantes. 

RAM ou RAMA equilibra todos os aspectos da satisfação do corpo físico e produção adequada de energia. De modo a que os prazeres sejam desfrutados na medida, sem anulações ou excessos. 
YAM ou YAMA torna o praticante apto a acolher, sustentar e expandir. 

Uma das imagens que mais me marcou no período em que estive com Baba Hariharananda era como cuidava de um bebê que passava longos períodos em seu colo. A criança estava sempre alegre, feliz e calma. Não pedia pela mãe e nem mesmo esboçava um choro. E continuamente Baba repetia baixinho ao bebê, como uma canção de ninar: - Ram, Ram, Ram...
Sarveshji me disse que isso era frequênte, também com outras crianças.

Com Amor,
Céu D’Ellia