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É mais do que demais

 Foto e performer: Vivi Medina
Guru é uma instância espiritual, um aspecto da Consciência. Não tem como passar pelo mundo sem viver isso. Até psicopata tem guru. Até quem nega guru, tem guru.

Até o supremo ignorante tem guru, sendo esse guru que o guia, a própria ignorância. Muitas vezes, encarnada.

Talvez um freudiano diga que o Guru é o superego. E um lacaniano, que sujeito suposto-saber. Mas isso ainda limita o Guru a campos mentais e psíquicos. A meditação profunda realiza instâncias não enquadradas nesse campo de forma, e onde o Guru também se manifesta.

Mas quanto mais ignorantes somos, mais obscura será nossa consciência de Guru. Mais projetada em um aspecto narcisista de nossa própria falta de identidade.

Guru não é uma pessoa transitória, mas pode se manifestar, passageiramente, em uma pessoa. Uma pessoa pode ser uma montanha, um verme ou uma coluna de pedra. E até um ser humano.

O Ser Humano que manifesta realmente o Guru, está liberto. Sat Maharishi. Gurudev.

Disse uma vez Baba, que se as pessoas que pretendem se tornar gurus, soubessem o que realmente é ser um Guru, fugiriam correndo.

O Guru é mais do que um arquétipo. É um dos dois pilares da Consciência, sendo, o outro, o Discípulo. Um é o melhor amigo do outro. Um Guru realizado é antes de nada um Discípulo realizado, que se rendeu e entregou totalmente a uma dimensão espiritual além da dualidade e do vínculo narcisista. Chittananda, Chittakasha. 

Guru real e Discípulo real são um Campo abençoado onde o Saber se manifesta. 

O Guru é Ser Transpessoal, uma guia além do indivíduo e que conecta a consciência humana à coletividade, ao senso ecológico e espiritual. A metáfora deste Mestre como uma Estrela Guia representa bem esse aspecto transcendental, guiando da ignorância, da falta de entendimento, para a consciência clara e liberta.

Guru verdadeiro é o que remove a obscuridade e faz a luz brilhar, trazendo clareza de propósito e desembaraçando verdade e mentira, libertando da ilusão. É Mestre que orienta no tempo e no espaço, aponta o caminho das estações, das estrelas e dos planetas, dentro e fora da entidade individual. Está em toda Jiva e está em Atmã.

Desacorrenta.

Envergonha os orgulhosos.

O Guru verdadeiro é bem duro com os mentirosos. Especialmente com os mentirosos que não sabem que estão mentindo. Porque o Mestre ceifa o que não frutifica e floresce.

Mas o Guru coloca em seus braços, nina e alimenta, os aflitos que têm sede de verdade. Porque o Mestre é pai e mãe. Ama o humilde e a criança. Protege os protetores.

Ele se prosta diante do Maior. 

Ele decepa a cabeça da mentira. 

Ele dá uma grama a mais do que recebe. 

Ele planta nos corações a semente da consciência da Eternidade.

É Luz em que se mergulha no Oceano da Glória Infinita. É mais do que demais. 

O verdadeiro Guru é a esposa do Amor e o esposo da Paz.

Jai Gurudeva: A vitória do Guru é que o Discípulo aprenda a lição. 

A única real conexão com o Guru é interior. Tenha cuidado com necessidade exagerada e compulsiva de demonstrar aos outros que tem essa conexão. Pode significar o contrário.


Hatha Yoga & Kriya Yoga

Este é um texto de esclarecimento. 

Não a toa a técnica de Kriya Yoga de Maharishi Bhrigu e Yogeshwara Mahadeva se perde de tempos em tempos, e necessita de um Lahiri Babaji, cutucado por Babaji, para faxinar as confusões que fizemos.

Um caminho de esclarecer é este:

HATHA YOGA:

De acordo com os Sutras de Patañjali, asana (postura, posição do corpo) é uma das oito partes da Yoga, etapa preparatória para os passos seguintes que conduzem até samadhi.

Hatha Yoga (hatha literalmente significa força) é um sistema que foca no aspecto mais físico da yoga. Seu foco principal são os asanas.
Uma prática de Hatha Yoga é quase na totalidade posturas, com um pouquinho de meditação rápida no final. Às vezes, nem isso, e só um relaxamento.

Por razões diversas, diferentes formas de praticar Hatha Yoga, receberam diferentes nomes, como Ashtanga Yoga ou Vinyasa Yoga. Ashtanga talvez seja uma das denominações que mais induz a confusão, já que emprega a terminologia de Patanjali de forma equivocada. Como se, por exemplo, eu pegasse uma pétala de uma flor e considerasse, essa pétala, a flor inteira.

O significado correto de Ashtanga Yoga é Oito Partes da Yoga, que são:

  1. Yamas
  2. Nyama
  3. Asana (Que é a parte Hatha)
  4. Pranayama
  5. Pratyahara
  6. Dharana
  7. Dhyana
  8. Samadhi

Mas Pattabhi Jois (1915-2009) adotou o nome Ashtanga para seu sistema de Hatha, aumentando a confusão.

Observe e reflita sobre as datas de nascimento e morte dos professores que estou listando neste texto. E pondere que os Sutras de Patanjali foram escritos milênios atrás (talvez algo entre 200 A.C. e 400 D.C.)

KRIYA YOGA:

Kriya Yoga é o nome que Lahiri Mahasaya (1828-1895) adotou para chamar a TOTALIDADE da Yoga que se propôs a ensinar. Poderia ter escolhido outro nome qualquer, mas por razões que posso detalhar em outro momento, escolheu este. A Kriya Yoga de Lahiri contempla as oito partes da Yoga. Poderia até se dizer que Kriya Yoga é Ashtanga Yoga (segundo Patanjali e não Pattabhi Jois)

De quando Lahiri começou a ensinar, até hoje, foram surgindo variações e deturpações da Kriya Yoga. Em alguns lugares praticamente se abandonou a yoga total e os asanas, e sobrou um pranayama meio disperso, combinado com orações aos Gurus. Para algumas pessoas Kriya Yoga virou rezar para os Gurus. Na minha visão, quem faz isso, está chamando de Kriya Yoga algo que não é mais isso de fato.

Paramahamsa Hariharananda (1907-2002) foi aluno direto de dois alunos diretos de Lahiri Mahasaya, e sua proposta é ensinar a Kriya Yoga original, que INCLUI asanas. Na Kriya Yoga de Hariharananda ESTÁ incluída a parte física (Hatha) em diversos momentos, sendo dois os mais destacados:
1- A INCLINAÇÃO
Se um praticante, iniciado corretamente na Kriya Yoga de Lahiri Baba, e difundida por Hariharananda, fizer com atenção a INCLINAÇÃO, já terá feito todo o alongamento necessário para abrir a prática e seguir em frente.

2- O MAHAMUDRA
Se fizer o Mahamudra e procurar APERFEIÇOÁ-LO, melhorando gradativamente os alongamentos, encaixes, pranayama, mahabandha, e consciência Kriya, terá feito a melhor Hatha Yoga possível, para efeito de atingir samadhi. O Mahamudra ensinado por Hariharananda, em suas próprias palavras, é o encapsulamento da Hatha Yoga. Realiza todas as funções necessárias para liberação do sistema nervoso central e periférico, equilíbrio eletromagnético do sistema ida-pingala e abertura da sushumna. Entre outras coisas.

Isto é o que aprendi e espero estar transmitindo corretamente os ensinos da linhagem, para benefício de todas as pessoas que buscam a prática.

HATHA YOGA x KRIYA YOGA

Se consegui ser claro acima, não existe contradição entre as duas coisas. Mais pode ser dito nas aulas e práticas em grupo, e perguntado a outros yogacharyas.

Mas dizer “vamos fazer Hatha Yoga antes da prática de Kriya Yoga” para melhorar a Kriya Yoga, me parece algum tipo de mal entendido. Da mesma forma, “vamos fazer alongamento antes da Kriya Yoga”.
Da maneira como estudo e pratico, todo o alongamento, e toda a hatha que você necessita, já estão dentro da prática CORRETA de Kriya Yoga.

O que não significa que eu seja contrário a que se pratique o que se convencionou chamar de Hatha Yoga. Eu mesmo estudei a Ashtanga de Pattabhi Jois, e mais Senguei Ngaro, Kathakali e Natação Zen, e até hoje pratico regularmente alguns dos exercícios preparatórios dessas práticas. Além de correr e de ginástica básica. Possivelmente essas práticas anteriores inclusive facilitaram meu desenvolvimento quando cheguei na Kriya Yoga, sim. Mas não faço essas práticas “grudadas” à minha Kriya Yoga.

Do que entendo, humildemente, não está faltando algo na Kriya Yoga de Lahiri e Hariharananda, que precisa ser complementado com Hatha Yoga ou exercícios de alongamento.

E, em tempo: YOGA é MEDITAÇÂO.
A prática COMPLETA de YOGA, incluindo todas as OITO PARTES, é MEDITAÇÃO.
Muitos traduzem apressadamente a palavra DHYANA (veja lá em cima, parte 7 no Yoga Sutra) como MEDITAÇÃO. Como se meditação fosse uma parte da Yoga, uma fração. Mas Dhyana é um estado de devoção amorosa que acontece naturalmente se você tiver preparado a si mesmo nas etapas anteriores. Surge um vislumbre desabrochado da percepção da Divindade. E isso se chama DHYANA, que é a antecâmara do SAMADHI.

KRIYA YOGA (pra valer) é simplesmente YOGA.

Com Amor,
Yogacharya Céu

5 de Agosto de 2020

Nota complementar : O assunto é muito amplo e, naturalmente, toda tentativa de simplificar, para entendimento de leigos e iniciantes, pode incorrer em erros grosseiros. Há milênios que, determinar o que é a Verdadeira Yoga, é um debate difícil. E o tempo muitas vezes serve apenas para acrescentar mais camadas de incompreensão e deturpações.
Nem mesmo entrei neste texto na discussão do que é (ou deveria ser) Raja Yoga, Karma Yoga, as 18 Yogas da Gita, etc, etc. O foco deste post é exclusivamente a questão do papel dos asanas (posturas físicas) na Yoga. E neste sentido, o que prevalece no entendimento mais amplo da maior parte das pessoas (professores incluso) é que Hatha Yoga é sinônimo de posturas físicas.
O texto básico de referência da Hatha Yoga é bastante recente, se comparado com os Sutras de Patanjali. E NÃO é parte dos Vedas. Trata-se do Hatha Yoga Pradipika, do século XV depois de Cristo. Busca-se ali a Yoga integral, mas já se aponta um caminho mais físico. A concepção contemporânea de Hatha Yoga, como um tipo de ginástica indiana, é consequência do trabalho de popularização de Tirumalai Krishnamacharya (1888-1989). Há muitas escolas e professores empenhados em resgatar a Hatha Yoga do Pradipika, como por exemplo o trabalho meticuloso da escola de Swami Sivananda (1887-1963). Ainda assim, o que prevalece nessas abordagens, é a prática de asanas. 
O objetivo deste texto, dirigido aos alunos de Kriya Yoga, é documentar que o que aprendi em minha formação, com Baba Hariharananda e diferentes yogacharyas, e com minha própria prática, é que a técnica completa da Kriya autêntica inclui asanas suficientes, para seus objetivos de integração da consciência. Espiritual, Astral e Física. É Yoga. E todo o processo é a Meditação. 
Meditação não é um pedaço da Yoga, mas a própria Yoga, se aprendida corretamente.
(10 de Agosto 2020|)

Seja seu próprio GURU

Seja seu próprio Guru

Baba Hariharananda nos diz: - Seja seu próprio Guru.
 

O que ele quer dizer com isso?

Será que ele quer dizer: - Você não precisa de mestres. Tenha auto-confiança! Acredite em você mesmo, pense positivo que tudo vai dar certo. O que importa é aprender com os próprios erros e seguir em frente.
 

Ou será que ele quer dizer: - Pratique dedicadamente a meditação Kriya Yoga. Desenvolva a consciência em Kuutastha Chaitanya. Adquira o discernimento entre Ahamkara e Buddhi. Permaneça em Citta e liberte-se.

Será Baba um palestrante de Auto-Ajuda ou um mestre de Kriya Yoga? 
Com Amor,
Yogacharya Céu, 15 de Março 2019

GURU: A Importância do Mestre Espiritual



Na poltrona, Baba Paramahansa Hariharananda
Ao seu lado, no chão, Swami Sarveshwarananda.
Sarveshwarananda, francês de origem, mas filho de pais viajantes, e tendo vivido em diversos lugares do mundo (inclusive no Brasil, quase bebê), nasceu em 1959, como David Vachon. 

Formado em Literatura Inglesa em Grenoble III e com Mestrado em Informação e Comunicação na CELSA, Sorbonne, era ateu e anarquista até conhecer Baba Paramahamsa Hariharananda, em 1988. 



O impacto foi tão grande que, em 1994, tomou o voto de Brahmacharya e, em 1997, o voto monástico na ordem Giri, passando a se chamar Swami Sarveshwarananda (Alegria Divina em Todas as Coisas). 
Iniciou a transmissão da Kriya Yoga de Hariharananda no Brasil, sendo o primeiro professor autorizado a vir para cá, em 1998, acompanhado de Prajnanandaji.


Serviu Baba até sua morte em 2002, sendo, nos últimos anos, seu auxiliar direto mais próximo. 

Após o falecimento de seu mestre, permaneceu em retiro de silêncio nos Himalayas, de 2002 a 2004. Deu início então a diversas obras humanitárias, na Índia e América do Sul. Em 2009 renunciou ao monastério e tornou-se pai de família, passando a se chamar Yogi Sarveshwarananda. Atualmente mora em Buenos Aires, tem uma filha de 7 anos, e dá aulas no mundo todo.

Está escrevendo um livro sobre a relação guru-discípulo e nos enviou algumas notas do mesmo. Para todos que queiram mais material para refletir sobre esse assunto. Às vezes, é recomendável lembrar que vivemos em um mundo muito lindo, mas também perigoso. Cuidado, atenção, vigília, discernimento, são qualidades fundamentais para quem realmente busca amor e liberação.


De tempos em tempos surgem novamente escândalos envolvendo falsos gurus. O desonesto tem responsabilidade sobre as mentiras que espalha, mas os que o seguem, de forma infantilizada, sem discernimento e cuidado, tem também uma boa dose de responsabilidade nos eventos.
Por outro lado, há quem descarte completamente os gurus, acreditando que já tem as respostas que precisa, por mais confusas e obscuras que sejam.

O que tenho aprendido com Hariharananda é que a questão GURU é antes de tudo vibratória. Só com meditação verdadeira e constante se pode compreender isso. São sutilezas que não são alcançadas com teorias e logorreia. Mas algum subsídio para reflexão (se mastigado adequadamente, antes de engolir) pode dar uma forcinha para entender melhor.



Já postei uma breve história sobre falso gurus:

Agora, segue o texto do Yogi Sarveshwarananda, com material bastante amplo, pra você lapidar melhor algumas coisinhas aí dentro:

A importância do Mestre Espiritual 
por Yogi Sarveshwarananda

Hari Aum, amores!
 Continuo enviando-lhes alguns dos materiais que compartilhei durante a última celebração do Guru Purnima. Hoje vamos começar a falar sobre a importância de ter um Guru para proteção espiritual e sucesso.

Esses textos fazem parte de um livro que estou editando, e publicarei como um e-book no próximo ano, sobre a relação entre professor e discípulo, através de diferentes religiões. Fique atento!



Por que precisamos de um mestre espiritual?


"O mestre espiritual é um médico das doenças mundanas do ego, da emoção, do apego e da ignorância"
(Paramahamsa Hariharananda)




O caminho da espiritualidade já foi descrito como estar no fio da navalha. A qualquer momento é possível cair do caminho, daí a necessidade de um guia que possa apontar os perigos que se escondem durante a jornada, e nos ajudar a retornar quando nos desviarmos do caminho.

No Ocidente, muitos buscadores espirituais ficaram profundamente desiludidos com a arrogância e o autoritarismo que percebem na religião, e se tornaram alérgicos a obedecer a qualquer autoridade espiritual. Uma desilusão comum na Nova Era é, por exemplo, acreditar que "tudo no Universo está aqui para me ensinar", ou que "todo mundo vai acordar em seu próprio tempo". Essas se tornaram a justificativa para rejeitar a submissão à guia de um professor. Como George Feuerstein mencionou em seu livro Santa Loucura: "Uma [...] maneira de se esquivar de um guia espiritual, é manter a ideia de que se pode encontrar o professor em todos os lugares. Isso não está errado, porque a vida em si é uma grande e paciente professora. No entanto, buscar o professor em todas as coisas pode facilmente se tornar uma "viagem mental", uma desculpa para uma abordagem informal da espiritualidade.
A verdade é que, sem um mestre espiritual, a liberação não é possível."

El Hadith (Escritura Muçulmana) expressa isso sem rodeios - "Quem não tem um guia, então, Satanás [quer dizer, o ego] é o seu guia".




O Cego guiando o Cego,
pintura de Pieter Bruegel, o Velho, de 1568
De maneira similar, o Mundaka Upanishad 1: 2: 8 diz:
avidyāyā antare vidyamānāḥ svayam dhirāḥ paṇḍitam manyamanā, janghanyamānā pariyanti dhirāḥ andhenaiva niyamanāḥ yathā andhāḥ
“Permanecendo no abrigo sólido da ignorância, e pensando em si mesmo: 'Eu sou sábio e instruído', os tolos de natureza prepotente dão voltas como cegos guiados por cegos. O resultado é óbvio".

E a Bíblia Sagrada explica: "Porque, embora vocês já devendo ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os princípios elementares das palavras de Deus; e vós haveis feito tais, que chegam a necessitar de leite, e não de alimento sólido" (Hebreus 5: 12)


Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimen

Hebreus 5:12
Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.

Hebreus 5:12
Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.

Hebreus 5:12
Mesmo os avatares (encarnações divinas nascidas completamente conscientes de sua divindade) sempre buscam as bênçãos e instruções de um guru, embora nem sempre precisem dele. Por que eles fazem isso? Para dar exemplo para a humanidade. Deus veio como o avatar Sri Rama, mais tarde como Sri Krishna, e ambos avatares foram iniciados por gurus humanos - Vasishtha Muni para Sri Rama, e Sandipani Muni para Sri Krishna. O próprio Jesus, o Filho de Deus, insistiu em receber o batismo de seu primo João Batista. Quando João se opôs, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e ti vens a mim?” Jesus respondeu:
 “Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça”. (Mateus 3,13-15).


O que é um Guru? 


"Sou o professor. Estou treinando meus alunos na vida espiritual. Eu dou minha vida para ajudá-los a avançar na espiritualidade".
(Paramahamsa Hariharananda)

A palavra guru tem muitos significados em sânscrito. Guru significa, literalmente, "pesado" ou "grave" - o contrario de laghú, "leve" ou “leviano”.

Mas seu significado místico se revela pela análise de suas duas sílabas, GU e RU:
 O Advayataraka Upanishad diz que é formado de duas palavras: gudhá ("escuridão") e ruchi ("lustro", "esplendor", "beleza", "complacente", "agradável" ou "um tipo de coito").

O guru é o estado de realização da
alma escondida na forma viva do corpo.
(Foto: Mogens Trolle)
Além disso, Baba Hariharananda indica que GU vem da expressão sânscrita - Guhyāt guhayatar satta - "O poder sem forma, oculto e invisível de Deus". RU vem da expressão - Tat rūpam prakāśayati iti - "A beleza visível e o brilho de qualquer ser vivente".

Então, gu é a alma e ru é o corpo. Na terminologia de Kriya Yoga podemos dizer que gu é YA ou o “Ser que habita”, e ru é KRI ou ação. Sem gu ou ya, somos apenas matéria inerte, um corpo sem vida.

O guru é o estado de realização da alma escondida na forma viva do corpo.

 Guru é também o nome do planeta Júpiter. Júpiter é um planeta enorme, é muito "pesado" (o significado literal do guru em sânscrito), nos pressiona a perceber a Verdade e não nos deixa ir até que a tenhamos percebido. Na astrologia ocidental, Júpiter é considerado o planeta da expansão da consciência; na astrologia védica hindu, ele é o mestre dos gurus.



As qualidades de um Guru

"Aqueles que penetraram nos véus do esplendor da natureza, aqueles que compreenderam a verdade de todas as religiões, aqueles que estão livres da raiva, do orgulho, do ego, das emoções, das alucinações e da especulação, e aqueles que estão constantemente fundidos na consciência de Deus, estes são verdadeiros professores ".
(Paramahamsa Hariharananda)

Não deveríamos nos deslumbrar com um mestre exibindo siddhis (poderes psíquicos), carisma, ou por um grande número de seguidores. São características que podem não ter nada a ver com a sabedoria espiritual. A capacidade de permanecer na calma e de transmiti-la aos outros é o verdadeiro sinal da divindade. Como Ramana Maharshi disse: "Se você sente paz perto de uma pessoa, e se você vê que ela trata todas as pessoas com equanimidade, isso pode ser uma indicação de que ele é um mestre realizado."

De acordo com a tradição tântrica, Shiva explicou que existem três categorias principais de gurus:

1-O primeiro tipo é um professor que oferece um pouco de conhecimento, mas não segue as lições.



2-O segundo, ou nível médio, é aquele que ensina e depois guia o discípulo por um momento, mas não pelo período completo que o discípulo precisa para alcançar o objetivo final.


3-O terceiro tipo é o melhor professor: aquele que dá um ensinamento e depois faz constantes esforços para se certificar de que o discípulo segue as instruções, e finalmente realiza o estado final da perfeição humana.


Encontrando o professor

Adi Shankaracharya em seu Vivekachudamani ("A suprema jóia do Discernimento"), explica que:
durlabham trayameva etat daivānugraha hetukam manuṣyatvam mumukṣutvam mahāpuruṣa samśrayaḥ
"Há três coisas difíceis de obter sem a graça de Deus: o nascimento como um ser humano; salvação e a orientação de um santo guru".




Encontrar e render-se ao mestre espiritual é a decisão mais importante de alguém na vida. Entretanto, não deve ser baseada em emoção, desejo impulsivo ou fé cega. Ou o desastre pode ocorrer.


Testando o mestre


O Kularnava Tantra ("O Rito das 5 Coisas Proibidas") dá o seguinte conselho:

"Um discípulo também é responsável por provar a credibilidade do guru. Há muitos que se dizem gurus, de herança duvidosa, muito pouco familiarizados com o Tantra, os mantras e os efeitos medicinais das plantas e ervas. Suas mentes estão cheias de ganância e tentação, concentradas em explorar a riqueza material de seus alunos."

Nesse sentido, o Tantra instrui o aluno a tranquilamente  deixar um professor incompetente ou indigno, como uma abelha deixa uma flor sem mel, e passa para uma nova, mais adequada.
Há muitos que se dizem gurus, de herança duvidosa...
Suas mentes estão cheias de ganância e tentação,

concentradas em explorar a riqueza material 

de seus alunos. (Kularnava Tantra)


O Dalai Lama diz que os ocidentais tendem a entregar-se muito rápido. Ele aponta que na tradição tibetana "Um estudante passa anos observando o comportamento do professor, perguntando sobre ele, observando se ele vive dentro dos princípios que ele ensina, antes de decidir considerá-lo como um guru. De fato, nos primeiros anos de prática, os alunos são encorajados a duvidar, tanto dos professores, quanto dos ensinamentos. Mas depois, eles se entregam completamente. Em contraste, os ocidentais aceitam muito rapidamente qualquer indivíduo que fale ou pareça espiritual, mas depois raramente seguem seus ensinamentos".


Como evitar os falsos profetas


"O comportamento humano não é confiável até que esteja ancorado no Divino."
(Swami Shriyukteshwar)


Encontrar um guia faz parte da busca espiritual e significa encontrar muitos falsos profetas ao longo do caminho. Como Jesus nos advertiu:  "Cuidado com os falsos profetas! Vêm ter convosco como se fossem ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos é que vocês os hão-de reconhecer. Porventura podem colher-se uvas dos arbustos ou figos dos espinheiros? A árvore boa dá bons frutos e a árvore má dá maus frutos. Assim pois, uma árvore boa não pode dar maus frutos e uma árvore má não pode dar bons frutos. Toda a árvore que não dá bons frutos corta-se e deita-se ao fogo. Portanto, é pelas suas acções que hão-de conhecer os falsos profetas." Mateus 7, 15-20

Através de tentativa e erro, o estudante gradualmente desenvolverá a discriminação (viveka) e será capaz de selecionar cuidadosamente o guia de sua vida e entregar-se a ele. 


Como Ramakrishna Paramahamsa disse: 
"Deve-se verificar a moeda antes de aceitar se é genuína ou falsa, da mesma forma, deve-se ter muito cuidado ao escolher um guru" e "Você deve ver o professor dia e noite. Você tem que observá-lo de bem perto e então você pode saber de fato quem ele é. "

Portanto, o aluno deve avaliar cuidadosamente os ensinamentos e o comportamento do professor em potencial, de acordo com três critérios:




1-Cumpre as escrituras? 
Se os ensinamentos do professor contradizem as escrituras, ou se ele não puder mostrar a unidade básica de sua mensagem com as religiões do mundo, ele não é adequado para ser um guia. Como Sri Krishna disse no Bhagavad Gita 16:23:
yaḥ śāstra-vidhim utsṛjya vartate kāma-kārataḥ na sa siddhim avāpnoti na sukham na parām gatim

"Aquele que age de acordo com seus próprios caprichos e descarta as Escrituras, nem alcança a perfeição, nem a felicidade, nem a libertação".

2-Está de acordo com a racionalidade?

Se as palavras do professor exigirem que violemos a razão, ou a evidência científica, para seguirem-se seus preceitos, é melhor evitar esse professor. 
Como Paramahansa Yogananda disse em seu livro A Eterna Busca do Homem: Como perceber Deus na vida cotidiana, "Eu nunca quis ser tão dogmático a ponto de parar de usar minha razão e meu senso comum. Quando conheci meu guru, Shriyukteshwar, ele disse: 'Muitos mestres dirão a você para acreditar; em seguida, desviam seus olhos da razão e instruem-no a seguir apenas a lógica deles. Mas quero que você mantenha os olhos da razão abertos. Além disso, vou abrir em você outro olho, o olho da sabedoria."

3-Concorda com a moral?

Se o professor exigir que os alunos pratiquem atos desumanos e antiéticos, para serem seus discípulos, procure outra fonte. No entanto, lembre-se de que o professor frequentemente testará o aluno levando-o além da sabedoria convencional e da moralidade mundana, mas nunca ao custo de ferir outras criaturas ou a si mesmo. 
Um antigo epigrama sânscrito diz: "Ó meus discípulos! Há muitos que afirmam ser guru, cujos olhos estão constantemente na prosperidade e riqueza de seus discípulos, mas o verdadeiro Guru realizado é muito raro, remove o perigo, as dificuldades, os distúrbios e a ignorância dos discípulos ".

Sri Rama Yogi muitas vezes contava a história de Namdev (ca. 1270 - ca.1350), um grande santo de bhakta, abençoado com o darshan (visão) de Krishna, o que lhe permitia ver e falar com Ele todos os dias. Namdev uma vez pediu a Krishna que o libertasse da ilusão. Krishna respondeu: "Para a liberação, você precisa de um guru humano". Namdev respondeu: "Mas eu vejo você em minhas visões diárias, Senhor. Você mesmo não pode me libertar?" Krishna respondeu: "Eu posso inspirar você, Namdev, mas é Minha lei que a salvação deve ser recebida através de um instrumento humano".

Paramahamsa Hariharananda disse: "Para ter um mestre, precisamos ser um discípulo. "Discípulo" indica alguém que é disciplinado.Em sânscrito diz-se: Shishya - shasanat shishyam uchyate -através da autodisciplina e da auto-regulação, pode-se verdadeiramente ser um discípulo.”



O Mito do Mestre Canalizado

Nada pode substituir a orientação pessoal de um professor realizado ou, na ausência dele, de seus yogacharyas capacitados. 

Uma das armadilhas mais astutas do ego é desenvolver uma atração por professores imaginários ou "transcendidos" e declarar-se, com pura emoção e imaginação, como seu discípulo. 

Isso é mencionado por George Feuerstein em seu livro Loucura Divina: "Uma maneira de evitar a genuína disciplina é escolher um professor, que está em segurança, morto. A loucura da canalização da Nova Era é sintomática dessa tipo de abordagem. Aqui, professores convenientemente "ascendidos" (portanto, não mais presentes fisicamente) dão todo tipo de conselho, que geralmente são bastante inócuos e exigem muito pouca mudança real... O indivíduo comum, nesta circunstância, se sente compreendido, reafirmado e amado, e confunde esses sentimentos com espiritualidade genuína..."


O Mito do Mestre Perfeito


Balaão e o Anjo (e o burro)
pintura de Gustav Jäger, de 1836
O professor perfeito é um mito, criado pelo nosso imaginativo ego. Somente Deus é perfeito nesta criação, ninguém e nada mais, nem mesmo seus sábios ou mestres realizados por Deus. Todos têm que extinguir seu prarabdha karma ou karma no processo de realização, o que inevitavelmente levará nesta vida a certos erros.

O ego cria o mito do mestre perfeito nos preparando para inevitáveis decepção e fracasso, e nos fazendo abandonar nosso professor e nosso estudo ao primeiro sinal de imperfeição, garantindo que nunca iremos ganhar profundidade em nossa prática, dedicando todo o nosso tempo para procurar o próximo professor "perfeito".

Gurudev Hariharananda, que alcançou a realização de Deus em 1948 e viveu no estado permanente de realização até seu mahasamadhi (morte consciente) em 2002, ainda estava propenso a revisar seus pontos de vista e se corrigir sempre que encontrasse uma pequena falha em si mesmo. Uma vez ele foi perguntado como era possível, já que ele já havia se realizado em Deus. A resposta de Gurudev foi esclarecedora em sua simplicidade e humildade: "Deus é infinito, e assim também é o caminho da realização de Deus. Todos os dias estou aprendendo algo novo e estou melhorando”.

Neste planeta os professores feitos por Deus são extremamente raros. Para cumprir sua missão, eles trabalham através de seus Acharyas (professores) autorizados, embora estes ainda não tenham sido realizados. O mais importante é entender que: Deus trabalha perfeitamente através de professores imperfeitos. Faz parte do treinamento do estudante avaliar cuidadosamente o caráter e os ensinamentos de seu professor, ou seja, tirar o melhor e deixar o resto.

Como dizia São João Bosco (1815-1888), "Deus pode usar todos os tipos de formas para mostrar sua vontade ao homem. Às vezes usa os instrumentos mais inadequados e indignos, como o burro de Balaão (Livro dos Números, Antigo Testamento), a quem fez falar, ou o próprio Balaão, falso profeta como ele era, que predisse muitas coisas concernentes ao Messias. Assim pode ser comigo”.



O Mestre Definitivo

Em última análise, o buscador espiritual faz o que as antigas escrituras da Índia disseram: - Atmaiva gurur ekam (A alma é a única professora). Quando essa percepção nasce, não há necessidade de um guru externo.

No entanto, o ego sempre tentará interromper essa realização interior, declarando-se autoconsciente antes que o processo seja concluído. Esta é uma patologia espiritual descrita como a síndrome da "metade da montanha".

Como disse George Feuerstein em seu livro Santo Loucura: "Tentando justificar esta abordagem, sempre se apressam em apontar que as próprias tradições orientais falam do "governante interior", o guru ou a luz interior e que, finalmente, até mesmo o mestre externo deve ser transcendido. Isso é correto, é claro. Mas o que nós geralmente não percebemos é que este guia interna é coexistente com a Realidade Transcendental ou a Identidade Genuína de uma pessoa. Portanto, ser "guiado" por essa Identidade, pressupõe a iluminação. Dado que essa Identidade não está separada da identidade egóica do estado não-iluminado, mas na verdade é seu próprio fundamento, é muito possível que tenhamos fortes intuições de pré-iluminação ... Mas como é fácil enganar a si mesmo! O ego é inerentemente conservador. Sempre procurando manter a sua posição no mundo. E, portanto, receberá apenas as intuições e "mensagens" do guru interno, que gosta de receber ".

Ramana Maharshi
(1879-1950)

Até que a verdadeira iluminação nasça, a orientação e a proteção de um guru são vitais, porque o guru guia em duas direções simultaneamente, interna e externamente. No Evangelho de Maharshi, Ramana Maharshi é citado como tendo dito que "O Guru guia externamente (olhar, fala, karma, yoga...) e o Guru guia internamente (puxando a mente para dentro). Isso é guru kripa (o graça do professor)".

Reis Magos

Dia de Reis Magos
(por Isa Hirai, 2015, acervo Galeria Brasiliana)

Minha gratidão aos Gurus, que sabem nos guiar pela Estrela que leva ao berçinho de palha, onde nasce nossa Alma Imortal.


Acredite-se ou não, seja verídico ou não, a data e os detalhes estejam corretos ou não. Cristão ou não.
Para o desenvolvimento luminoso da consciência iogue, não é a materialidade dos fatos que importa. O que nos guia é a percepção transcendente. O sentimento amoroso. A força que emana da metáfora, do símbolo. 


Os caminhos do mundo material são labirinto fechado em si mesmo. À consciência da Luz Imortal chega-se pela via abstrata e imaterial.

No dia 6 de Janeiro tradicionalmente comemora-se o Dia de Reis. Refere-se aos três reis magos que foram os primeiros personagens, fora do círculo íntimo da Sagrada Família, a identificar e venerar o nascimento do Cristo em Jesus. 

O único evangelho que faz referência a esse fato é o de Mateus. E nele não se usa a palavra "reis", apenas "magos". E nem mesmo determina que eram apenas três. Se você quiser saber como evoluiu a forma desse mito, sugiro este link, excelente pesquisa da mestre em história social pela PUC-SP, Joelza Domingues:
REIS MAGOS, REALIDADE OU LENDA? SIMBOLISMO OU CONVENÇÃO?

É uma bela história. Leve, amorosa e simbólica.
Em nossos estudos de meditação Kriya Yoga entramos em mais detalhes de como essa história é uma fórmula metafórica para a prática da alta meditação.
Baba Hariharananda

Renovo minha gratidão aos Gurus, que sabem e nos ensinam o caminho, e à Mãe Divina, que diariamente nos oferece a oportunidade de renascer em Amor, no pequeno berço da Consciência Transcendental.

Totalmente grato ao meu mestre de Kriya Yoga, Baba Hariharananda. Graças a ele e à  minha prática de meditação diária, sou menos pesado e chato para as pessoas que me rodeiam. E sinto mais alegria, saúde e paz, sem gastar com nenhum material químico. É muito econômico quando você aprende a usar melhor o ar que respira.

Minha gratidão estende-se a todas e todos yogacharyas e professores que me orientam nesta estrada.

Yogacharya Céu
São Paulo, 6 de janeiro de 2018


The Magi
(por Harry Siddons Mowbray, 1915)

A nossa Linhagem de Gurus

 

Mahavatar Babaji
O ressurgimento contemporâneo da Kriya Yoga começou em 1861 em uma caverna de uma remota montanha do norte da Índia, quando Babaji Maharaj iniciou Lahiri Mahasaya em Kriya Yoga. Desde então, esta ciência espiritual eterna vem sendo transmitida através de uma linhagem de professores realizados.
Este Kalpayogi ("Yogi Supremo") é considerado pela tradição antiga como uma encarnação iluminada e imortal. Viaja no plano astral e projeta uma forma humana para aparecer a alguns discípulos altamente realizados.
Baba Hariharananda passou quase onze anos em silêncio, isolado no ashram de Karar, em Puri, até obter a visão sagrada (darshan) e as bênçãos (ashirbad) de Babaji.
Acredita-se que Babaji guia a humanidade à distância e raramente é visto em forma humana. Ele veio para Lahiri Mahasaya para reintroduzir a antiga ciência yogue perdida, e para este período deu-lhe o nome de "Kriya Yoga".




Sree Shyama Charan Lahiri Mahasaya (1828-1895)
Conhecido como um Yogavatar ("Encarnação do Yoga"), Lahiri Mahasaya era contador, casado e com filhos, trabalhando para o departamento de construção da empresa ferroviária em Varanasi.

Um dia, em 1861, seu escritório o enviou "por engano" (acredita-se que na verdade uma transferência trazida pelo poder místico do próprio Babaji) às montanhas Ranikhet. Ali ele encontrou Babaji, que iniciou-o em Kriya Yoga e lhe deu a missão de transmiti-la pelo mundo.

Ele escolheu Lahiri Mahasaya em parte para mostrar que os humildes chefes de família podem obter o mais alto nível de realização, e não apenas os sannyasins (monges e eremitas).

Assim, alguns anos mais tarde, quando o grande Swami Trailanga, o monge errante nu, viu que Lahiri Mahashaya estava vindo para reverenciá-lo, imediatamente pulou de alegria e abraçou-o. Depois que Lahiri Baba partiu, um dos discípulos de Swami perguntou ao santo por que ele, um sannyasin supremo, mostrou tanto respeito a um simples pai de família. Swami Trailanga respondeu: "- Ele alcançou o estado yóguico enquanto permaneceu como pai família. Eu, por outro lado, tive que abandonar até mesmo à minha tanga!"

Lahiri Baba é conhecido hoje como "o Pai da Kriya Yoga", já que iniciou e guiou milhares de devotos enquanto mantinha sua família e seu trabalho.



Bhupendranath com sua esposa Kalidasi
Shrimat Bhupendranath Sanyal (1877-1962)
Bhupendranath foi um dos mais jovens discípulos de Lahiri, tendo recebido iniciação na idade de quinze anos, e nomeado yogacharya com a idade de dezoito.

Já chefe de família, muito avançado em espiritualidade, fundou um ashram chamado Gurudham, em Puri, Orissa, e outro chamado Mandar, em Bhagalpur, Bihar. Autor de vários livros, seus escritos são pedras preciosas de espiritualidade. Ele é famoso por seu profundo conhecimento do Bhagavad Gita, a respeito do qual escreveu uma interpretação metafórica, à luz da Kriya Yoga, em três volumes.

Paramahamsa Hariharananda recebeu dele, em Puri, as iniciações nos 4º, 5º e 6º (final) graus de kriya.
Entre os muitos discípulos diretos de Bhupendranath Sanyal estão:
 
- Acharya Nikhil Dey 
- Acharya Shailendranath Mukherjee 
- Acharya Jwala Prasad Tiwari 
- Acharya Sunil Kumar Ghosh 
- Paramahamsa Hariharananda



Swami Sree Yukteshwar Giri (1855-1936)
Este grande
Jñanavatar ("Encarnação do Conhecimento"), originalmente era um pai de família chamado Priyanath Karar. Viúvo jovem,  após concluir a criação da única filha, renunciou ao mundo e tornou-se conhecido como Swami Sree Yukteshwar.

Foi um dos discípulos mais avançados de Lahiri Mahasaya e muito versado em astronomia, astrologia e matemática. Alcançou o mais elevado estado de realização, o nirvikalpa samadhi (ausência de respiração e pulso).

Escreveu comentários do Bhagavad Gita e, por ordem de Babaji, um livro que esclarece a semelhança entre a Vedanta e os ensinamentos de Jesus ("Ciência Sagrada"). Fundou um ashram em Serampore, nas favelas de Calcutá. Mais tarde criou o ashram Karar, em Puri, no estado de Orissa, onde iniciou e guiou milhares de discípulos.
Entre os muitos discípulos diretos de Yukteshwar estão:

- Paramahamsa Yogananda
- Swami Satyananda Giri
- Swaminarayan Giri (conhecido como Prabhuji)
- Acharya Motilal Mukherjee
- Bijoy Kumar Acharya Chatterjee
- Paramahamsa Hariharananda



Swami Satyananda Giri (1896-1971)
O jovem Manmohan Mazumdar foi amigo de infância de Paramahamsa Yogananda, sendo mais tarde conhecido como Swami Satyananda. Ele era altamente educado (Bacharel de Ciências em Filosofia) e monge espiritualmente avançado, discípulo de Sree Yukteshwarji.

Foi diretor da escola de Ranchi e, mais tarde, sadhu sabhapati (presidente) do Karar Ashram, fundado por Sree Yukteshwar, onde permaneceu até deixar a sua forma física em 1971. Fundou uma organização chamada Sevayatan (Missão Satsanga), em Jharagram, no distrito Medinipur de Bengala. Cuidou da melhoria social e espiritual das populações locais, especialmente pobres e camponeses.

Ele será sempre lembrado como uma alma simples, nobre, amorosa e dedicada à mais alta realização. Indicou Paramahamsa Hariharananda como presidente do Karar ashram, para depois de sua morte.
Entre os muitos discípulos diretos de Swami Satyananda estão: 
- Swami Dhirananda Giri
- Swami Niranjanananda Giri
- Swami Jagadananda Giri
- Swami Shuddhananda Giri
- Paramahamsa Hariharananda



Paramahamsa Yogananda (1893-1952)
Paramahamsa Yogananda foi o introdutor da Kriya Yoga no Ocidente. Inicialmente conhecido como Mukunda Lal Ghosh, ele foi treinado por Swami Sree Yukteshwar, de 1909 a 1920, até receber o mandato, de Babaji Maharaj, para viajar ao oeste e espalhar a mensagem da Kriya Yoga por todo o mundo.

Estabeleceu o seu centro de estudos na Califórnia, a "Self-Realization Fellowship". Voltou para sua amada Índia só em 1935, para rever seu guru Sree Yukteshwarji, pouco antes da morte deste. Voltou aos EUA em 1936, onde permaneceu até seu mahasamadhi, em 1952.

Compartilhou os ensinamentos do Kriya Yoga com milhões de pessoas em todo o mundo, através de suas palestras, cursos por correspondência, livros e iniciações. Seu livro “Autobiografia de um Iogue” é um dos clássicos espirituais mais reconhecidos do mundo.
Entre os muitos discípulos diretos de Yogananda estão:
- Swami Atmananda Giri
- Swami Vidyananda Giri
- Yogacharya J. Lynn (conocido como Rajarshi Janakananda)
- Hna. Faye Wright (conocida como Daya Mata)
- Yogacharya Roy Eugene Davis
- Yogacharya Donald Walters (conocido como Swami Kriyananda)
- Hna. Gyanamata
- Yogacharya Oliver Black
- Yogacharya Bob Raymer
- Paramahamsa Hariharananda  


Paramahamsa Hariharananda (1907-2002)
É até o momento o último mestre realizado conhecido da linhagem, também chamado de Karunavatar ("Encarnação da Compaixão").

Desde tenra idade ele foi chamado para a vida espiritual, revelando talento intelectual extraordinário. Por exemplo, com a idade de quatro anos e meio, memorizou todos os mantras de puja, depois de ouvi-los de seu pai apenas algumas vezes. Tomou o voto de celibato com a idade de onze anos. Quando tinha vinte anos conheceu Sree Yukteshwar e foi iniciado em Kriya Yoga.

Memorizou e compreendeu todas as grandes escrituras, incluindo os Vedas, os Upanishads, a Bíblia Sagrada, o Corão e a Torá.

Paramahamsa Hariharananda foi um yogi único. Ele obteve o estado yóguico mais elevado, sem pulso e sem respiração, estado também conhecido como nirvikalpa samadhi. Foi observado nesse estado por diversos médicos.

Raghabananda e Hariharananda
Ele era completamente livre de qualquer dogma religioso ou crença sectária. Sua perspectiva refletia em sua abordagem científica para o ensino da Kriya Yoga. Toda a sua vida foi orientada e focada na educação espiritual. Conhecê-lo e receber sua bênção é apreciado e lembrado por aqueles que tiveram esta oportunidade.


Entre os muitos discípulos diretos de Paramahamsa Hariharananda estão:
- Rajarshi Raghabananda Nayak
- Swami Brahmananda Giri
- Yogi Sarveshwarananda Giri
- Yogacharya Gonesh Baba
- Yogacharya Céu
- Yogacharini Durga Chunduri
- Rajarshi Peter van Breukelen
- Swami Prajñanananda Giri
- Swami Premananda Giri
- Swami Mangalananda Giri
- Swami Shuddhananda Giri
- Brahmachari Swarupananda Giri
- Swami Vidyadhishananda Giri
 



Anandamayi Ma e Yogananda, 1935
Anandamayi Ma (1896-1981)

Nascida em Bengal Leste (hoje Bangladesh), Anandamayi não faz parte da linhagem de transmissão da Kriya Yoga de Hariharananda. Mas por ter sido reverenciada pelos gurus, em especial por Yogananda e Hariharananda, passou a ocupar lugar de destaque entre os praticantes da Kriya Yoga.

De origem simples e trabalhadora dedicada, desde menina entrava em estados de transe estático. Sem ter aprendido com ninguém as práticas de yoga e meditação, assumia posturas e respiração yóguica, contagiando o ambiente e os presentes com intenso sentimento de paz. Tinha grande consciência do que se passava consigo mesma e podia assim guiar outras pessoas na prática da meditação profunda.

É considerada auto-realizada e auto-iniciada. É um exemplo de como a alta consciência da meditação pode surgir espontaneamente, independente de ensinos ou qualquer tipo de característica exterior.





Fontes:

El Arte De La Paz (Yogi Sarveshwarananda)