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Programa KRIYA YOGA 2016 em São Paulo

Palestra Gratuita, Workshops, Iniciação em Kriya Yoga & Estudos Avançados:
Para quem está interessado em saber o que é Kriya Yoga, ou até mesmo se iniciar nessa que é uma das mais efetivas e elevadas técnicas de meditação, está é uma ótima oportunidade. Quem estará conduzindo o programa é o Yogi Sarveshwarananda Giri, aluno direto de Paramahansa Hariharananda.





Mensagem de Paramahansa Hariharananda:
Kriya Yoga é uma técnica muito fácil e eficaz e pode ser considerada o trajeto mais curto para a realização do Self.


PALESTRA GRATUITA:

Quinta-feira, 11 de agosto, 19h00-20h30
O PROPÓSITO DA VIDA
local: Centro Cultural da Índia,
Al. Sarutaiá, 380 – Jd. Paulista
ENTRADA FRANCA: Convide familiars e amigos


WORKSHOPS:

Sexta-feira, 12 de agosto, 19h00-23h00
O DESPERTAR DA ENERGIA
Local: Petalusa
R$170,00
R. José de Carvalho, 253b, Chácara Sto. Antonio
inscrições: Fedra/ fedradefaria@terra.com.br
9 9411 5192

Segunda-feira, 15 de agosto, 19h00-23h00
A YOGA DA CRIATIVIDADE
Local: Coletivo Amor de Madre
R$170,00
R. Estados Unidos, 2174, Jd. Paulista
inscrições: Cintia/ cintia.duarte.lima@terra.com.br
9 9641 6663


INICIAÇÃO EM KRIYA YOGA:

com Yogi Sarveshwarananda Giri
Sábado, 13 de agosto, 8h00-17h00
Local: Casa do Guilherme
R. Ibiraçu, 225, Vl. Madalena
Oferenda: Cinco frutas, cinco flores e donativo financeiro de R$400,00 (por favor, em dinheiro, não se aceitam cheques ou cartões)
É necessário ter participado da palestra gratuita do dia 11 de agosto
Inscrições: Camila / camilabogea@hotmail.com
 9 8409 0323


TREINO INTENSIVO:

Domingo, 14 de agosto, 9h00-18h00
OS SEGREDOS ESPIRITUAIS DA AYURVEDA
Parte 1, Conhecendo a Si Mesmo

Local: Casa do Guilherme
R. Ibiraçu, 225, Vl. Madalena
R$300,00 (por favor, em dinheiro, não se aceitam cheques ou cartões)
Inscrições: Camila / camilabogea@hotmail.com
9 8409 0323

 
SATSANGS E MEDITAÇÕES GUIADAS:

Domingo, 14 de agosto, 19h00-21h00
SATSANG E MEDITAÇÃO GUIADA EM KRIYA YOGA
(Satsang aberto ao público e meditação guiada apenas para iniciados)
Local: Casa do Guilherme
R. Ibiraçu, 225, Vl. Madalena
Doação sugerida: R$25,00
informações: Cintia/ cintia.duarte.lima@terra.com.br
9 9641 6663

Terça-feira, 16 de agosto, 20h30-22h30
SATSANG E MEDITAÇÃO GUIADA EM KRIYA YOGA
(Satsang aberto ao público e meditação guiada apenas para iniciados)
Local: Saída do Labirinto
R. Manuel da Nóbrega, 922
Doação sugerida: R$25,00
informações: Cintia/ cintia.duarte.lima@terra.com.br
9 9641 6663




Apoio: Arca do Amor, Arte da Paz, Petalusa, Centro Cultural da Índia e Coletivo Amor de Madre
 

Tantra Hopi



Dia 16 de Dezembro será nossa última reunião em 2014.




Também será o último dia em que participarei formalmente das atividades do grupo em São Paulo, a Arca do Amor Hariharananda, com o qual estou há 14 divinos anos. 
E no qual tenho trabalhado como Yogacharya desde 2011. 



Bom dia a todos. Com clareza de discernimento.



"Senhores, inspiração de sacrifício!

Possam nossos ouvidos ouvir o bem.
Possam nossos olhos ver o bem.
Possamos servi-Lo com toda a força de nosso corpo. Possamos nós, toda nossa vida, realizar Sua vontade.
Paz, paz, paz, esteja em todo lugar.
Possa a Chuva nos fazer bem.
Possa o Sol, que tudo conhece, nos fazer bem.
Possa o Rei do Conhecimento nos fazer bem.
Boas vindas ao Senhor!
A Palavra OM é o Imperecível; tudo o mais é manifestação. Passado, presente e futuro, tudo é OM.
O que mais transcender as três divisões do tempo, 
aquilo também é OM."
(Mandukya Upanishad)


"Tendo ouvido o Caminho (Tao) pela manhã,
uma pessoa pode morrer feliz no final da tarde"

(Confúcio)

"Há um som de uma mão sozinha batendo palmas,
como o rugindo do silêncio e uma melodia nunca tocada"
(Koan Zen)


UM ANCIÃO HOPI DIZ:
"Você tem falado para as pessoas que esta é a Décima Primeira Hora, agora você precisa voltar e falar para as pessoas que esta é a Hora. E existem coisas para serem consideradas...
Onde você está vivendo?
O que você está fazendo?
Quais sãos os seus relacionamentos?
Você está corretamente conectado?
Onde está sua água?
Conheça seu jardim.
É hora de falar sua Verdade.
Crie sua comunidade.
Sejam bons uns para os outros.
E não procure fora de você pelo líder."

Então ele entrelaçou as mãos juntas, sorriu, e disse:
"Este pode ser um tempo bom! Há um rio correndo agora muito rápido. É tão grande e rápido, que existem aqueles que terão medo. Eles tentarão segurar nas margens. Eles sentirão que estão sendo partidos ao meio e sofrerão muito.
Saiba que o rio tem seu destino. Os anciãos dizem que precisamos deixar a margem, nos impulsionarmos para o meio do rio, mantermos nossos olhos abertos, e nossas cabeças acima da água.
E eu digo, veja quem está lá com você e celebre. Neste momento na história, não é para tomarmos nada de forma pessoal. Menos que tudo, nós mesmos. Porque se fizermos isso, nosso crescimento e jornada espiritual detêm-se. 
O tempo do lobo solitário acabou. Juntem-se! Despeçam a palavra luta, de sua atitude e do seu vocabulário. Tudo que precisarmos fazer agora, precisa ser feito de forma sagrada e em celebração.
Nós somos aqueles que estávamos esperando."

Oraibi, Arizona
Hopi Nation


Pra lá de Manograahya


Por melhor ou mais elevado que seja um pensamento ou uma ideia, ainda é apenas isto, um fenômeno da mente.
Manograahya é uma palavra sânscrita que significa "aquilo que pode ser percebido pela mente". 
Os Puranas dizem que está em ignorância mesmo aquele que reverencia o Amor em sua expressão mais sublime, mas que acredita encontrar através dessa reverência algo que pode ser apreendido pela mente.

Em consciência samaadhi estamos além das ideias e pensamentos. Há consciência de paz, luminosidade e compaixão. Mas não há explicação. 

A expressão poética é a forma humana de linguagem que mais se aproxima dessa consciência inefável, porque ao invés de buscar lógica, expressa o assombro da existência.


Segundo Sol, de Nando Reis:
Quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas. Derrubando com o assombro exemplar, o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa
Não digo que não me surpreendi. Antes que eu visse, você disse e eu não pude acreditar.
Mas você pode ter certeza de que seu telefone irá tocar em sua nova casa, que abriga agora a trilha incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar, que eu fui lá fora e vi dois sóis num dia e a vida que ardia sem explicação. Não tem explicação.


Programa semana KRIYA YOGA 2014 em São Paulo





De 26 de maio a 3 de junho de 2014 aconteceu o programa em Kriya Yoga da Arca do Amor Hariharananda São Paulo,
com satsangs e palestras gratuitas, workshops e meditação guiada e iniciação em Kriya Yoga.




O programa contou com a participação do Yogi Sarveshwarananda Giri, aluno direto de Paramahansa Hariharananda


Yogi Sarveshwarananda Giri, bio
Nascido em Paris, França, em 1959, em uma família de professores viajantes, David Vachon cresceu em diferentes partes do mundo, na Europa, América do Sul e Norte da África.
Formado em Literatura Inglêsa na Grenoble III, com Mestrado em Informação e Comunicação na CELSA, Sorbonne. Bacharelado em Ciência da Acupuntura e Medicina Chinesa em San Francisco (Califórnia, EUA), com graduações em massagem, educação para a saúde e programação neurolinguísitca e atuação na Clínica Quan Yin. Terapeuta em Thay massagem certificado em Chiangmai,Tailândia.
De 1988 a 2002 foi aluno direto de Paramahansa Hariharananda, Mestre em Kriya Yoga formado no Karar Ashram de Puri, aluno direto de Yogananda e Sri Yukteshwar. Em 1997 David tomou o voto monástico na ordem Giri, recebendo o nome Sarveshwarananda (Alegria Divina em Todas as Coisas). Serviu Hariharananda como atendente pessoal até a morte deste último em 2002, entrando então 
em reclusão de silêncio até 2004. Renunciou ao monastério em 2009, servindo desde então como Yogacharya pai-de-família até hoje, com o nome Yogi Sarveshwarananda Giri. Atualmente reside no sul da França, é casado e tem uma filha.
Atuou em diversas ações humanitárias, sendo fundador de organizações na Índia, EUA e América Latina, entre as quais a Arca do Amor Hariharananda SP, em São Paulo, Brasil. ERYT (Experienced Registered Yoga Teacher) registrado no Yoga Alliance. 

A Lenda das Areias



Vindo desde as suas origens em distantes montanhas, após passar  por inúmeros acidentes de terreno nas regiões campestres, um rio finalmente alcançou as areias do deserto. E do mesmo modo como vencera as outras barreiras, o rio tentou atravessar esta de agora, mas se deu conta de que suas águas mal tocavam a areia nela desapareciam.

Estava convicto, no entanto, de que fazia parte de seu destino cruzar aquele deserto, embora não visse como fazê-lo. Então uma voz misteriosa, saída do próprio deserto arenoso, sussurrou:
 - O vento cruza o deserto, o mesmo pode fazer o rio.

O rio objetou estar se arremessando contra as areias, sendo assim absorvido, enquanto o vento podia voar, conseguindo dessa maneira atravessar o deserto.

- Arrojando-se com violência como vem fazendo não conseguirá cruzá-lo. Assim desaparecerá ou se transformará num pântano. Deve permitir que o vento o conduza a seu destino.

- Mas como isso pode acontecer?

- Consentindo em ser absorvido pelo vento.

Tal sugestão não era aceitável para o rio. Afinal de contas, ele nunca fora absorvido até então. Não desejava perder a sua individualidade. Uma vez a tendo perdido, como se poderá saber se a recuperaria mais tarde?

- O vento desempenha essa função - disseram as areias - Eleva a água, a conduz sobre o deserto e depois a deixa cair. Caindo em forma de chuva, a água novamente se converte num rio.

- Como posso saber que isto é verdade?

- Pois assim é, e se não acredita, não se tornará outra coisa senão um pântano, e ainda isto levaria muitos e muitos anos; e um pântano não é certamente a mesma coisa que um rio.

- Mas não posso continuar sendo o mesmo rio que sou agora?

- Você não pode, em caso algum, permanecer assim - retrucou  a voz.- Sua parte essencial é transportada e forma um rio novamente. Você é chamado assim ainda hoje por não saber qual a sua parte essencial.

Ao ouvir tais palavras, certos ecos começaram a ressoar nos pensamentos mais profundos do rio. Recordou vagamente um estágio  em que ele, ou uma parte dele, não sabia qual, fora transportada nos braços do vento. Também se lembrou, ou lhe pareceu  assim, de que era isso o que devia fazer, conquanto não fosse a coisa mais natural.

E o rio elevou então seus vapores nos acolhedores braços do vento, que suave e facilmente o conduziu para o alto, e para bem  longe, deixando-o cair suavemente tão logo tinham alcançado o topo de uma montanha, milhas e milhas mais distante. E porque tivera suas dúvidas, o rio pode recordar e gravar com mais firmeza em sua mente os detalhes daquela sua experiência. E ponderou: - Sim, agora conheço a minha verdadeira identidade.

O rio estava fazendo seu aprendizado, mas as areias sussurraram:

- Nós temos o conhecimento porque vemos essa operação ocorrer dia após dia, e porque nós, as areias, nos estendemos  por todo o caminho que vai desde as margens do rio até a montanha.

E é por isso que se diz que o caminho pelo qual o Rio da Vida  tem de seguir em sua travessia está escrito nas Areias.


Do livro "Histórias da Tradição Sufi" - Edições Dervish
(e do Livro "O  Buscador da Verdade" de Idries Shah)



Comentário: 
É notável como este místico conto sufi descreve com exatidão tanto a Kuutastha Chaittanya* como a respiração Kriya que a atinge. Igualmente notável que essa instrução à luta da alma (representada pelo rio) seja proferida pelas areias (que fazem a vez da voz do guru). 
Também os gregos antigos colocavam a voz do mestre (Prometeu), que liberta o ser humano das trevas, entre as forças da natureza. Prometeu era um titã e não um deus do Olimpo.
A trilha que liberta a alma e realiza o indivíduo, o aproximando de sua Inteligência Universal, faz parte da própria matéria que compõe a Natureza. Está escrito nas areias. Está nos átomos e em nossas células. Resta-nos saber ouvir. E lembrar.

Lembre-se.

*Kuutastha (sânscrito): Permanência no topo, manutenção da posição mais elevada, proeminência ou projeção do topo dos ossos da cabeça.
Chaittanya (sânscrito): relativo a Chitta, inteligência superior, consciência completa, observação, pensamento, reflexão pura, coração puro, matriz da memória, vontade essencial, etc)

Com Amor,
Yogacharya Céu e José Orbino Babaji




Natureza Divina. Natureza Decaída. Purusha & Prakrti

Nebulosa Cabeça de Cavalo,
vista pelo telescópio Hubble.

O que segue pode ser lido e entendido por qualquer um que o queira. Mas é especialmente dirigido aos que participaram de nosso encontro de estudos do dia 17 de dezembro passado. 

Todos enfrentamos o conflito interno entre como somos em nossas vidas e como gostaríamos que tudo fosse. 
O que a prática de Kriya Yoga propõe é um processo de depuração da nossa consciência para que encontremos o ponto equilibrado em que nos tornamos plenos dentro de nós e em nossas vidas e finalmente livres desse conflito. Isso se dá através de um método que equilibra respiração, batimento cardíaco, magnetismo do sistema nervoso, metabolismo, pensamento, psique e instâncias ainda mais elevadas e menos conhecidas daquilo que traduz o nosso eu, em tempo e espaço. 

Kriya Yoga é Yoga na sua fonte original e não deve ser confundido com o que é chamado popularmente de Yôga, ginásticas de alongamentos que nasceram modernamente de um dos desdobramentos do Yoga Clássico, o Hatha Yoga. Essas ginásticas são práticas físicas, em alguns casos penosas, com objetivos mais voltados ao bem estar e beleza materiais. Não raramente alguns professores dessas práticas misturam em suas aulas interpretações apressadas e superficiais de escrituras védicas com citações de auto-ajuda e modismos new-age, aumentando ainda mais a confusão para quem quer saber o que é realmente Yoga. Desde que praticada com um professor responsável e sem excessos de narcisismo, essas ginásticas podem sim trazer benefícios, do mesmo modo que Pilates ou Tai Chi. Mas não são Yoga em sua raiz, apenas um seu reflexo, um de seus muitos galhos. 

Kriya Yoga é Yoga em sua acepção original: Um sistema filosófico psicossomático que desencarcera purusha de seu entrelaçamento nesta prakrti.

E o que querem dizer essas palavras sânscritas, purusha e prakrti?

Traduzir sânscrito é impossível. Não existem palavras equivalentes na maioria dos idiomas e não raramente um bom dicionário sânscrito irá trazer muitas dezenas de possíveis traduções para uma única palavra. Há teóricos linguistas que afirmam tratar-se de um idioma morto, que ninguém mais fala. O que nós estudamos em nossa tradição da linhagem Kriya iniciada por nosso professor Lahiri Mahasaya em meados do século XIX, é que o sânscrito nunca foi falado para assuntos triviais. Em nenhum momento do passado alguém foi até o mercado comprar cocada, em sânscrito. Nem ninguém nunca fez fofocas sobre o vizinho ou comentou o resultado do campeonato, em sânscrito*1. Mais que uma linguagem litúrgica, é um idioma para tratar de assuntos espirituais ou filosóficos e para entender seu significado é necessário elevar o padrão da inteligência. Altas ondas, nem todos surfam. 
O conceito não é inédito. Anos atrás, estudando a etnia indígena Mebêngôkre, aprendi que entre eles existe a extratificação do conhecimento através da linguagem. E uma das formas de linguagem, a mais refinada, de conhecimento espiritual, era restrita a conversas em voz baixa, no seio da noite, na boca dos anciãos.
Então o que podemos fazer quando tentamos traduzir sânscrito, por exemplo, para o português, é conhecermos as inúmeras traduções aproximativas. Mas sem a experiência da consciência yogue, isso sempre será muito pouco e, quando muito, apenas isso: uma aproximação.


Antevista a dificuldade, voltamos a Purusha e Prakrti. 
Prakrti (ou Prakriti) pode ser entendido como Natureza Material, como os elementos constituintes do Universo, a natureza ou forma original de qualquer coisa, o padrão fundamental, o força de vontade investida de existência, o mundo material, etc. 
Purusha é o Ser Cósmico, o Ser Original, o Eu Universal, a fonte original do Universo, o primeiro ser, o homem original, a testemunha de Prakrti, etc.

Poderia se dizer que Prakrti é a matéria e Purusha o espírito. Mas se dissermos assim poderíamos reforçar a falsa ideia de cisão entre matéria e espírito. E não se trata disso, pois Prakrti sustenta Purusha. E Purusha determina Prakrti. 
Não existe dualidade Prakrti-Purusha. Não se tratam de opostos. É a mesma Natureza que originando a si mesma, se faz adormecida para poder despertar.
Retomando o estudo do dia 17 de dezembro passado e a interpretação metafórica de Baba Hariharananda para a Batalha de Kurukshetra, entre dois exércitos. As duas forças pertencem à mesma família (são da mesma origem, mesma raiz). Mas uma delas, os Pandavas, representa o corpo espiritual. A outra, os Kauravas, o corpo biológico. A tensão que escala o conflito e coloca os regimentos em oposição é fruto do desejo dos Kauravas em assumir completamente o controle, associado ao esquecimento dos Pandavas de sua condição original. Os Pandavas deixaram se enredar no complicado jogo dos Kauravas e perderam a própria direção.

Em outras palavras, não se trata de uma dualidade maniqueísta, colocando de um lado o ignorante e perverso corpo biológico e do outro o bom e sábio corpo espiritual. Esta seria uma maneira bem empobrecida e perversa de entender o esplendoroso jogo da existência. Mas sim, existe um mesmo corpo que se expressa biológica e espiritualmente. E a tendência do corpo biológico, quando o corpo espiritual está confundido, é seguir seus impulsos biológicos cegamente. Mas se a luz espiritual está desperta e consciente da Existência Pura, sem precisar se deixar levar pelos flutuantes estados da mente, então os corpos se alinham, e a natureza do corpo biológico se torna a mesma natureza do corpo espiritual. Cessa o conflito.
Trata-se do quarto estado da Consciência descrito no Maanduukya Upanishad, Turiiya, pura consciência da fonte original, distinto dos outros três, acordado, sonhando, em sono profundo.  

Voltando ao Gita e à Batalha e à interpretação de Hariharanandaji, no verso 3 do Capítulo Um, o próprio comando do corpo biológico tem a consciência de que em uma batalha entre a luz e a escuridão, a escuridão desaparecerá quando a luz acender. É inevitável. Entre virtudes e vícios, só existe vício onde não está a virtude. E a virtude não se impõe através do vício do orgulho, do discurso e do falso conhecimento. Ela desabrocha como uma flor quando se concentram as qualidades espirituais luminosas. E esse é o papel da Yoga em nosso corpo biológico: a partir do centro luminoso e elevado que acalma e pacifica nossa natureza material, fazer nascer a consciência das qualidades de luz, som e vibração que permitem emergir nossa fonte Amorosa, Mãe de todas as virtudes, nosso Ser Original em seu intelecto claro e perfeito.

Não é exclusividade dos Vedas essa interpretação filosófica. Quando se fala nos testamentos judaico-cristãos em Natureza Divina e Natureza Decaída, trata-se de uma mesma Natureza que carrega em si o potencial permanente do Despertar e Renascer para o Amor Original. A Natureza é uma só. Não está em oposição a nada, mas apenas aguardando o momento em que você irá se curvar amorosamente ao Coração do Oceano de Luz, eternamente grato pelo milagre da existência. 

Com Amor, 
Yogacharya Céu

*1: Há uma tentativa moderna de se instituir o Sânscrito como idioma do cotidiano em um dos estados da Índia, Uttarakhand (a.k.a. Uttaranchal). Mas isso implica em simplificar e reduzir o próprio significado da linguagem. Será sempre uma adaptação e não mesmo a fala em seu significado original. 

Samadhi


No fundo, entretanto, somos uno com o mundo, muito mais do que estamos acostumados a pensar: sua essência íntima é nossa vontade; seu fenômeno é nossa representação. Para quem pudesse ter clara consciência desse ser-uno, desapareceria a diferença entre a persistência do mundo externo e, depois que se está morto, a própria persistência após a morte.

Arthur Schopenhauer
(Metafísica do Amor, Metafísica da Morte, trad.: Jair Barboza, São Paulo: Martins Fontes, 2000, pág.100)

Swami Sree Yukteshwar
em uma das formas de Jyoti Yoga do Kriya Yoga,
através de Shambhavi Mudra.

Agradecimentos à Cintia Duarte Mamaji