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Seja seu próprio GURU

Seja seu próprio Guru

Baba Hariharananda nos diz: - Seja seu próprio Guru.
 

O que ele quer dizer com isso?

Será que ele quer dizer: - Você não precisa de mestres. Tenha auto-confiança! Acredite em você mesmo, pense positivo que tudo vai dar certo. O que importa é aprender com os próprios erros e seguir em frente.
 

Ou será que ele quer dizer: - Pratique dedicadamente a meditação Kriya Yoga. Desenvolva a consciência em Kuutastha Chaitanya. Adquira o discernimento entre Ahamkara e Buddhi. Permaneça em Citta e liberte-se.

Será Baba um palestrante de Auto-Ajuda ou um mestre de Kriya Yoga? 
Com Amor,
Yogacharya Céu, 15 de Março 2019

GURU: A Importância do Mestre Espiritual



Na poltrona, Baba Paramahansa Hariharananda
Ao seu lado, no chão, Sarveshwarananda, então monge
No canto a direita, Yogacharya Don Abrams
Sarveshwarananda, francês de origem, mas filho de pais viajantes, e tendo vivido em diversos lugares do mundo (inclusive no Brasil, quase bebê), nasceu em 1959, como David Vachon. 

Formado em Literatura Inglesa em Grenoble III e com Mestrado em Informação e Comunicação na CELSA, Sorbonne, era ateu e anarquista até conhecer Baba Paramahamsa Hariharananda, em 1988. 



O impacto foi tão grande que, em 1994, tomou o voto de Brahmacharya e, em 1997, o voto monástico na ordem Giri, passando a se chamar Swami Sarveshwarananda (Alegria Divina em Todas as Coisas). 
Iniciou a transmissão da Kriya Yoga de Hariharananda no Brasil, sendo o primeiro professor autorizado a vir para cá, em 1998, acompanhado de Prajnanandaji.


Serviu Baba até sua morte em 2002, sendo, nos últimos anos, seu auxiliar direto mais próximo. 

Após o falecimento de seu mestre, permaneceu em retiro de silêncio nos Himalayas, de 2002 a 2004. Deu início então a diversas obras humanitárias, na Índia e América do Sul. Em 2009 renunciou ao monastério e tornou-se pai de família, passando a se chamar Yogi Sarveshwarananda. Atualmente mora em Buenos Aires, tem uma filha de 7 anos, e dá aulas no mundo todo.

Está escrevendo um livro sobre a relação guru-discípulo e nos enviou algumas notas do mesmo. Para todos que queiram mais material para refletir sobre esse assunto. Às vezes, é recomendável lembrar que vivemos em um mundo muito lindo, mas também perigoso. Cuidado, atenção, vigília, discernimento, são qualidades fundamentais para quem realmente busca amor e liberação.


De tempos em tempos surgem novamente escândalos envolvendo falsos gurus. O desonesto tem responsabilidade sobre as mentiras que espalha, mas os que o seguem, de forma infantilizada, sem discernimento e cuidado, tem também uma boa dose de responsabilidade nos eventos.
Por outro lado, há quem descarte completamente os gurus, acreditando que já tem as respostas que precisa, por mais confusas e obscuras que sejam.

O que tenho aprendido com Hariharananda é que a questão GURU é antes de tudo vibratória. Só com meditação verdadeira e constante se pode compreender isso. São sutilezas que não são alcançadas com teorias e logorreia. Mas algum subsídio para reflexão (se mastigado adequadamente, antes de engolir) pode dar uma forcinha para entender melhor.



Já postei uma breve história sobre falso gurus:



E também um depoimento do Yogacharya Don sobre o 



Agora, segue o texto do Yogi Sarveshwarananda, com material bastante amplo, pra você lapidar melhor algumas coisinhas aí dentro:


A importância do Mestre Espiritual 
por Yogi Sarveshwarananda

Hari Aum, amores!
 Continuo enviando-lhes alguns dos materiais que compartilhei durante a última celebração do Guru Purnima. Hoje vamos começar a falar sobre a importância de ter um Guru para proteção espiritual e sucesso.

Esses textos fazem parte de um livro que estou editando, e publicarei como um e-book no próximo ano, sobre a relação entre professor e discípulo, através de diferentes religiões. Fique atento!



Por que precisamos de um mestre espiritual?


"O mestre espiritual é um médico das doenças mundanas do ego, da emoção, do apego e da ignorância"
(Paramahamsa Hariharananda)




O caminho da espiritualidade já foi descrito como estar no fio da navalha. A qualquer momento é possível cair do caminho, daí a necessidade de um guia que possa apontar os perigos que se escondem durante a jornada, e nos ajudar a retornar quando nos desviarmos do caminho.

No Ocidente, muitos buscadores espirituais ficaram profundamente desiludidos com a arrogância e o autoritarismo que percebem na religião, e se tornaram alérgicos a obedecer a qualquer autoridade espiritual. Uma desilusão comum na Nova Era é, por exemplo, acreditar que "tudo no Universo está aqui para me ensinar", ou que "todo mundo vai acordar em seu próprio tempo". Essas se tornaram a justificativa para rejeitar a submissão à guia de um professor. Como George Feuerstein mencionou em seu livro Santa Loucura: "Uma [...] maneira de se esquivar de um guia espiritual, é manter a ideia de que se pode encontrar o professor em todos os lugares. Isso não está errado, porque a vida em si é uma grande e paciente professora. No entanto, buscar o professor em todas as coisas pode facilmente se tornar uma "viagem mental", uma desculpa para uma abordagem informal da espiritualidade.
A verdade é que, sem um mestre espiritual, a liberação não é possível."

El Hadith (Escritura Muçulmana) expressa isso sem rodeios - "Quem não tem um guia, então, Satanás [quer dizer, o ego] é o seu guia".




O Cego guiando o Cego,
pintura de Pieter Bruegel, o Velho, de 1568
De maneira similar, o Mundaka Upanishad 1: 2: 8 diz:
avidyāyā antare vidyamānāḥ svayam dhirāḥ paṇḍitam manyamanā, janghanyamānā pariyanti dhirāḥ andhenaiva niyamanāḥ yathā andhāḥ
“Permanecendo no abrigo sólido da ignorância, e pensando em si mesmo: 'Eu sou sábio e instruído', os tolos de natureza prepotente dão voltas como cegos guiados por cegos. O resultado é óbvio".

E a Bíblia Sagrada explica: "Porque, embora vocês já devendo ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os princípios elementares das palavras de Deus; e vós haveis feito tais, que chegam a necessitar de leite, e não de alimento sólido" (Hebreus 5: 12)


Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimen

Hebreus 5:12
Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.

Hebreus 5:12
Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.

Hebreus 5:12
Mesmo os avatares (encarnações divinas nascidas completamente conscientes de sua divindade) sempre buscam as bênçãos e instruções de um guru, embora nem sempre precisem dele. Por que eles fazem isso? Para dar exemplo para a humanidade. Deus veio como o avatar Sri Rama, mais tarde como Sri Krishna, e ambos avatares foram iniciados por gurus humanos - Vasishtha Muni para Sri Rama, e Sandipani Muni para Sri Krishna. O próprio Jesus, o Filho de Deus, insistiu em receber o batismo de seu primo João Batista. Quando João se opôs, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e ti vens a mim?” Jesus respondeu:
 “Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça”. (Mateus 3,13-15).


O que é um Guru? 


"Sou o professor. Estou treinando meus alunos na vida espiritual. Eu dou minha vida para ajudá-los a avançar na espiritualidade".
(Paramahamsa Hariharananda)

A palavra guru tem muitos significados em sânscrito. Guru significa, literalmente, "pesado" ou "grave" - o contrario de laghú, "leve" ou “leviano”.

Mas seu significado místico se revela pela análise de suas duas sílabas, GU e RU:
 O Advayataraka Upanishad diz que é formado de duas palavras: gudhá ("escuridão") e ruchi ("lustro", "esplendor", "beleza", "complacente", "agradável" ou "um tipo de coito").

O guru é o estado de realização da
alma escondida na forma viva do corpo.
(Foto: Mogens Trolle)
Além disso, Baba Hariharananda indica que GU vem da expressão sânscrita - Guhyāt guhayatar satta - "O poder sem forma, oculto e invisível de Deus". RU vem da expressão - Tat rūpam prakāśayati iti - "A beleza visível e o brilho de qualquer ser vivente".

Então, gu é a alma e ru é o corpo. Na terminologia de Kriya Yoga podemos dizer que gu é YA ou o “Ser que habita”, e ru é KRI ou ação. Sem gu ou ya, somos apenas matéria inerte, um corpo sem vida.

O guru é o estado de realização da alma escondida na forma viva do corpo.

 Guru é também o nome do planeta Júpiter. Júpiter é um planeta enorme, é muito "pesado" (o significado literal do guru em sânscrito), nos pressiona a perceber a Verdade e não nos deixa ir até que a tenhamos percebido. Na astrologia ocidental, Júpiter é considerado o planeta da expansão da consciência; na astrologia védica hindu, ele é o mestre dos gurus.



As qualidades de um Guru

"Aqueles que penetraram nos véus do esplendor da natureza, aqueles que compreenderam a verdade de todas as religiões, aqueles que estão livres da raiva, do orgulho, do ego, das emoções, das alucinações e da especulação, e aqueles que estão constantemente fundidos na consciência de Deus, estes são verdadeiros professores ".
(Paramahamsa Hariharananda)

Não deveríamos nos deslumbrar com um mestre exibindo siddhis (poderes psíquicos), carisma, ou por um grande número de seguidores. São características que podem não ter nada a ver com a sabedoria espiritual. A capacidade de permanecer na calma e de transmiti-la aos outros é o verdadeiro sinal da divindade. Como Ramana Maharshi disse: "Se você sente paz perto de uma pessoa, e se você vê que ela trata todas as pessoas com equanimidade, isso pode ser uma indicação de que ele é um mestre realizado."

De acordo com a tradição tântrica, Shiva explicou que existem três categorias principais de gurus:

1-O primeiro tipo é um professor que oferece um pouco de conhecimento, mas não segue as lições.



2-O segundo, ou nível médio, é aquele que ensina e depois guia o discípulo por um momento, mas não pelo período completo que o discípulo precisa para alcançar o objetivo final.


3-O terceiro tipo é o melhor professor: aquele que dá um ensinamento e depois faz constantes esforços para se certificar de que o discípulo segue as instruções, e finalmente realiza o estado final da perfeição humana.


Encontrando o professor

Adi Shankaracharya em seu Vivekachudamani ("A suprema jóia do Discernimento"), explica que:
durlabham trayameva etat daivānugraha hetukam manuṣyatvam mumukṣutvam mahāpuruṣa samśrayaḥ
"Há três coisas difíceis de obter sem a graça de Deus: o nascimento como um ser humano; salvação e a orientação de um santo guru".




Encontrar e render-se ao mestre espiritual é a decisão mais importante de alguém na vida. Entretanto, não deve ser baseada em emoção, desejo impulsivo ou fé cega. Ou o desastre pode ocorrer.


Testando o mestre


O Kularnava Tantra ("O Rito das 5 Coisas Proibidas") dá o seguinte conselho:

"Um discípulo também é responsável por provar a credibilidade do guru. Há muitos que se dizem gurus, de herança duvidosa, muito pouco familiarizados com o Tantra, os mantras e os efeitos medicinais das plantas e ervas. Suas mentes estão cheias de ganância e tentação, concentradas em explorar a riqueza material de seus alunos."

Nesse sentido, o Tantra instrui o aluno a tranquilamente  deixar um professor incompetente ou indigno, como uma abelha deixa uma flor sem mel, e passa para uma nova, mais adequada.
Há muitos que se dizem gurus, de herança duvidosa...
Suas mentes estão cheias de ganância e tentação,

concentradas em explorar a riqueza material 

de seus alunos. (Kularnava Tantra)


O Dalai Lama diz que os ocidentais tendem a entregar-se muito rápido. Ele aponta que na tradição tibetana "Um estudante passa anos observando o comportamento do professor, perguntando sobre ele, observando se ele vive dentro dos princípios que ele ensina, antes de decidir considerá-lo como um guru. De fato, nos primeiros anos de prática, os alunos são encorajados a duvidar, tanto dos professores, quanto dos ensinamentos. Mas depois, eles se entregam completamente. Em contraste, os ocidentais aceitam muito rapidamente qualquer indivíduo que fale ou pareça espiritual, mas depois raramente seguem seus ensinamentos".


Como evitar os falsos profetas


"O comportamento humano não é confiável até que esteja ancorado no Divino."
(Swami Shriyukteshwar)


Encontrar um guia faz parte da busca espiritual e significa encontrar muitos falsos profetas ao longo do caminho. Como Jesus nos advertiu:  "Cuidado com os falsos profetas! Vêm ter convosco como se fossem ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos é que vocês os hão-de reconhecer. Porventura podem colher-se uvas dos arbustos ou figos dos espinheiros? A árvore boa dá bons frutos e a árvore má dá maus frutos. Assim pois, uma árvore boa não pode dar maus frutos e uma árvore má não pode dar bons frutos. Toda a árvore que não dá bons frutos corta-se e deita-se ao fogo. Portanto, é pelas suas acções que hão-de conhecer os falsos profetas." Mateus 7, 15-20

Através de tentativa e erro, o estudante gradualmente desenvolverá a discriminação (viveka) e será capaz de selecionar cuidadosamente o guia de sua vida e entregar-se a ele. 


Como Ramakrishna Paramahamsa disse: 
"Deve-se verificar a moeda antes de aceitar se é genuína ou falsa, da mesma forma, deve-se ter muito cuidado ao escolher um guru" e "Você deve ver o professor dia e noite. Você tem que observá-lo de bem perto e então você pode saber de fato quem ele é. "

Portanto, o aluno deve avaliar cuidadosamente os ensinamentos e o comportamento do professor em potencial, de acordo com três critérios:




1-Cumpre as escrituras? 
Se os ensinamentos do professor contradizem as escrituras, ou se ele não puder mostrar a unidade básica de sua mensagem com as religiões do mundo, ele não é adequado para ser um guia. Como Sri Krishna disse no Bhagavad Gita 16:23:
yaḥ śāstra-vidhim utsṛjya vartate kāma-kārataḥ na sa siddhim avāpnoti na sukham na parām gatim

"Aquele que age de acordo com seus próprios caprichos e descarta as Escrituras, nem alcança a perfeição, nem a felicidade, nem a libertação".

2-Está de acordo com a racionalidade?

Se as palavras do professor exigirem que violemos a razão, ou a evidência científica, para seguirem-se seus preceitos, é melhor evitar esse professor. 
Como Paramahansa Yogananda disse em seu livro A Eterna Busca do Homem: Como perceber Deus na vida cotidiana, "Eu nunca quis ser tão dogmático a ponto de parar de usar minha razão e meu senso comum. Quando conheci meu guru, Shriyukteshwar, ele disse: 'Muitos mestres dirão a você para acreditar; em seguida, desviam seus olhos da razão e instruem-no a seguir apenas a lógica deles. Mas quero que você mantenha os olhos da razão abertos. Além disso, vou abrir em você outro olho, o olho da sabedoria."

3-Concorda com a moral?

Se o professor exigir que os alunos pratiquem atos desumanos e antiéticos, para serem seus discípulos, procure outra fonte. No entanto, lembre-se de que o professor frequentemente testará o aluno levando-o além da sabedoria convencional e da moralidade mundana, mas nunca ao custo de ferir outras criaturas ou a si mesmo. 
Um antigo epigrama sânscrito diz: "Ó meus discípulos! Há muitos que afirmam ser guru, cujos olhos estão constantemente na prosperidade e riqueza de seus discípulos, mas o verdadeiro Guru realizado é muito raro, remove o perigo, as dificuldades, os distúrbios e a ignorância dos discípulos ".

Sri Rama Yogi muitas vezes contava a história de Namdev (ca. 1270 - ca.1350), um grande santo de bhakta, abençoado com o darshan (visão) de Krishna, o que lhe permitia ver e falar com Ele todos os dias. Namdev uma vez pediu a Krishna que o libertasse da ilusão. Krishna respondeu: "Para a liberação, você precisa de um guru humano". Namdev respondeu: "Mas eu vejo você em minhas visões diárias, Senhor. Você mesmo não pode me libertar?" Krishna respondeu: "Eu posso inspirar você, Namdev, mas é Minha lei que a salvação deve ser recebida através de um instrumento humano".

Paramahamsa Hariharananda disse: "Para ter um mestre, precisamos ser um discípulo. "Discípulo" indica alguém que é disciplinado.Em sânscrito diz-se: Shishya - shasanat shishyam uchyate -através da autodisciplina e da auto-regulação, pode-se verdadeiramente ser um discípulo.”



O Mito do Mestre Canalizado

Nada pode substituir a orientação pessoal de um professor realizado ou, na ausência dele, de seus yogacharyas capacitados. 

Uma das armadilhas mais astutas do ego é desenvolver uma atração por professores imaginários ou "transcendidos" e declarar-se, com pura emoção e imaginação, como seu discípulo. 

Isso é mencionado por George Feuerstein em seu livro Loucura Divina: "Uma maneira de evitar a genuína disciplina é escolher um professor, que está em segurança, morto. A loucura da canalização da Nova Era é sintomática dessa tipo de abordagem. Aqui, professores convenientemente "ascendidos" (portanto, não mais presentes fisicamente) dão todo tipo de conselho, que geralmente são bastante inócuos e exigem muito pouca mudança real... O indivíduo comum, nesta circunstância, se sente compreendido, reafirmado e amado, e confunde esses sentimentos com espiritualidade genuína..."


O Mito do Mestre Perfeito


Balaão e o Anjo (e o burro)
pintura de Gustav Jäger, de 1836
O professor perfeito é um mito, criado pelo nosso imaginativo ego. Somente Deus é perfeito nesta criação, ninguém e nada mais, nem mesmo seus sábios ou mestres realizados por Deus. Todos têm que extinguir seu prarabdha karma ou karma no processo de realização, o que inevitavelmente levará nesta vida a certos erros.

O ego cria o mito do mestre perfeito nos preparando para inevitáveis decepção e fracasso, e nos fazendo abandonar nosso professor e nosso estudo ao primeiro sinal de imperfeição, garantindo que nunca iremos ganhar profundidade em nossa prática, dedicando todo o nosso tempo para procurar o próximo professor "perfeito".

Gurudev Hariharananda, que alcançou a realização de Deus em 1948 e viveu no estado permanente de realização até seu mahasamadhi (morte consciente) em 2002, ainda estava propenso a revisar seus pontos de vista e se corrigir sempre que encontrasse uma pequena falha em si mesmo. Uma vez ele foi perguntado como era possível, já que ele já havia se realizado em Deus. A resposta de Gurudev foi esclarecedora em sua simplicidade e humildade: "Deus é infinito, e assim também é o caminho da realização de Deus. Todos os dias estou aprendendo algo novo e estou melhorando”.

Neste planeta os professores feitos por Deus são extremamente raros. Para cumprir sua missão, eles trabalham através de seus Acharyas (professores) autorizados, embora estes ainda não tenham sido realizados. O mais importante é entender que: Deus trabalha perfeitamente através de professores imperfeitos. Faz parte do treinamento do estudante avaliar cuidadosamente o caráter e os ensinamentos de seu professor, ou seja, tirar o melhor e deixar o resto.

Como dizia São João Bosco (1815-1888), "Deus pode usar todos os tipos de formas para mostrar sua vontade ao homem. Às vezes usa os instrumentos mais inadequados e indignos, como o burro de Balaão (Livro dos Números, Antigo Testamento), a quem fez falar, ou o próprio Balaão, falso profeta como ele era, que predisse muitas coisas concernentes ao Messias. Assim pode ser comigo”.



O Mestre Definitivo

Em última análise, o buscador espiritual faz o que as antigas escrituras da Índia disseram: - Atmaiva gurur ekam (A alma é a única professora). Quando essa percepção nasce, não há necessidade de um guru externo.

No entanto, o ego sempre tentará interromper essa realização interior, declarando-se autoconsciente antes que o processo seja concluído. Esta é uma patologia espiritual descrita como a síndrome da "metade da montanha".

Como disse George Feuerstein em seu livro Santo Loucura: "Tentando justificar esta abordagem, sempre se apressam em apontar que as próprias tradições orientais falam do "governante interior", o guru ou a luz interior e que, finalmente, até mesmo o mestre externo deve ser transcendido. Isso é correto, é claro. Mas o que nós geralmente não percebemos é que este guia interna é coexistente com a Realidade Transcendental ou a Identidade Genuína de uma pessoa. Portanto, ser "guiado" por essa Identidade, pressupõe a iluminação. Dado que essa Identidade não está separada da identidade egóica do estado não-iluminado, mas na verdade é seu próprio fundamento, é muito possível que tenhamos fortes intuições de pré-iluminação ... Mas como é fácil enganar a si mesmo! O ego é inerentemente conservador. Sempre procurando manter a sua posição no mundo. E, portanto, receberá apenas as intuições e "mensagens" do guru interno, que gosta de receber ".

Ramana Maharshi
(1879-1950)

Até que a verdadeira iluminação nasça, a orientação e a proteção de um guru são vitais, porque o guru guia em duas direções simultaneamente, interna e externamente. No Evangelho de Maharshi, Ramana Maharshi é citado como tendo dito que "O Guru guia externamente (olhar, fala, karma, yoga...) e o Guru guia internamente (puxando a mente para dentro). Isso é guru kripa (o graça do professor)".

GURU: O Mestre de Samadhi


Entre dentro de si, medite profundamente, tenha a experiência e mude sua vida.”
(Paramahansa Hariharananda, 1907-2002)  


Em Março passado, do dia 1 ao dia 5, o grupo de meditação Kriya Yoga de São Paulo trouxe ao Brasil o Yogacharya Don Abrams. Para iniciar novos alunos e oferecer aprofundamento aos mais antigos.

Nascido e criado em New York City, Donald Abrams conheceu ali, em 1981, o mestre realizado em Kriya Yoga, o indiano Paramahansa Hariharananda. Tornou-se seu discípulo e pode testemunhar, por mais de 20 anos, o trabalho de um dos maiores mestres espirituais dos tempos modernos.

Entre médicos e cientistas interessados na capacidade de Hariharananda de suspender a respiração e o batimento cardíaco, ao entrar no estado de samadhi, e jovens e artistas vivendo a contracultura de New York, e buscando o entendimento espiritual, Don tornou-se um dos mais avançados alunos do mestre.

Em 1996 foi autorizado diretamente por Hariharananda para ensinar independentemente e iniciar em seu nome.

Iniciações nos Kriyas Primeiro e Segundo,
São Paulo, março de 2018

Entre 2015 e 2017, vivi em NYC e pude conhecer melhor o Don, e estudar e aprender mais sobre Kriya Yoga e Hariharananda. Fico feliz e grato de poder ter vivido esse período, que aconteceu de forma quase inesperada (um convite súbito para trabalhar em Manhattan, quando fui projetar um filme que produzi e dirigi em um debate internacional na ONU, sobre escravidão infantil). Mas penso que só pude aproveitar tão bem essa dádiva de conviver com Don, por já estar meditando há tantos anos, já ter tido professores anteriores, entre os quais o Yogi Sarveshwarananda, que me prepararam bem para este momento. 

Um iniciante desavisado talvez não percebesse em Don a potência que tem como transmissor da Kriya Yoga. Ele é um homem comum, de família judia, mora no Queens e se veste com roupas comuns, trabalhando com informática e pegando o metrô como outras centenas de milhares de pessoas. Gosta de tomar café e conversar. É especialmente doce e gentil, contrastando com a dureza da maioria dos novaiorquinos. Mas não faz nenhuma pose de guru. No entanto, sentar-se ao lado dele para meditar, é garantia de um salto elevado de consciência.

Pedi que Don escrevesse algo a respeito do que é verdadeiramente um guru, já que esse assunto ainda confunde muitas pessoas. Gentilmente ele nos enviou o texto que segue, o qual agradeço. A tradução para o português está em seguida. 

Enjoy,
Yogacharya Céu
Sampa, outubro 2018

Samadhi Masters
 
by Yogacharya Don Abrams
 
(Mestres de Samadhi, por Yogacharya Don Abrams)


Paramahamsa Hariharananda
There are many hills, but not all hills have diamonds, sapphires and rubies.

Many Teachers come to teach in the West. But not all are sincere and worthy of respect.

Certainly, there are many advanced yogis who have acquired spiritual powers, (siddhi’s) and are promoting themselves in the spiritual marketplace as realized masters.

A true spiritual master is very rare and the most precious jewel.

The example of the Lineage of Kriya Yoga masters Lahiri Mahasay, Paramhansa Yogananda and Paramahamsa Hariharananda establishes what it means to be a Yoga master or Self-realized master.

The standard set by them was to have the ability thru the practice of Kriya Yoga techniques to enter and exit the nirvakalpa-samadhi state of consciousness at will.

When a human being is in this high yogic state of consciousness there is no pulse or breath that can be observed in their physical body.

When they come back into the body consciousness, they are completely transformed and every cell in their physical body radiates and emanates divine life force (prana) which can be perceived by others.

To meditate in their presence and even from the long distance, one can perceive one’s own molecules rearranging in meditation.

To experience this type of divine consciousness in the presence of a true sat guru is a very rare experience and a joy beyond words.

In a persons’ heart of hearts the love that is experienced removes any doubts and the light of wisdom shines.

It is so marvelous and astonishing to experience.

Just as a tree is known by its fruits, one knows instinctively what a good fruit is.

A true samadhi master is the sweetest and rarest and most precious divine fruit.

I pray that all have the good fortune to experience that sweetness of the grace of a true samadhi master.

Yogacharya Donald Abrams
NYC USA September 26, 2018


Há muitas colinas, mas nem todas as colinas têm diamantes, safiras e rubis.
Yogacharya Don Abrams
Aluno direto por mais de 20 anos de
Paramahamsa Hariharananda
New York City, Abril de 2017
 
Muitos professores vêm ensinar no ocidente. Mas nem todos são sinceros e dignos de respeito. Certamente, há muitos yogis avançados, que adquiriram poderes espirituais (siddhi) e estão se promovendo no mercado espiritual como mestres realizados.

Um verdadeiro mestre espiritual é muito raro, e é a jóia mais preciosa.

O exemplo dos mestres da Linhagem de Kriya Yoga, Lahiri Mahasay, Paramahansa Yogananda e Paramahamsa Hariharananda, estabelece o que significa ser um mestre de Yoga ou mestre auto-realizado.

O padrão estabelecido por eles é ter a habilidade, através da prática de técnicas de Kriya Yoga, de entrar e sair, à vontade, do estado de consciência nirvakalpa-samadhi.

Quando um ser humano está nesse estado elevado de consciência yóguica, não há pulso ou respiração que possa ser observados em seu corpo físico.

Quando eles voltam para a consciência do corpo, estão completamente transformados, e cada célula em seu corpo físico irradia e emana força vital divina (prana), que pode ser percebida pelos outros.
Kriya Love é o grupo de meditação
coordenado em NYC por Don Baba

Meditando em sua presença, e até mesmo a longa distância, pode-se perceber as próprias moléculas se rearranjando durante a meditação.

Experimentar esse tipo de consciência divina na presença de um verdadeiro Sat Guru é uma experiência muito rara, e uma alegria além das palavras.
No coração dos corações de uma pessoa, o amor que é experimentado remove qualquer dúvida, e a luz da sabedoria brilha.


É tão maravilhoso e surpreendente experienciar isso.

Assim como uma árvore é conhecida por seus frutos, sabe-se assim, instintivamente o que é um bom fruto.
Um verdadeiro Mestre de Samadhi é o fruto divino mais doce, mais raro e mais precioso.
 
Eu oro para que todos tenham a boa sorte de experimentar essa doçura da graça de um verdadeiro mestre de samadhi.

Yogacharya Donald Abrams
NYC EUA 26 de Setembro de 2018


Meditação Kriya Yoga com Yogacharya Don Baba, São Paulo, março de 2018

20 ANOS

KRIYA YOGA:
PROGRAMA COMEMORATIVO
20 ANOS MEDITAÇÃO HARIHARANANDA NO BRASIL


Kriya Yoga não é religião. É uma técnica científica indiana de meditação avançada, com resultados quantificáveis. Podem praticar pessoas de qualquer religião, fé, e mesmo agnósticos ou ateus.

Em  1998, os Swamis Sarveshwarananda e Prajnananda, por orientação de Paramahamsa Hariharananda, vieram ao Brasil dar início aos grupos brasileiros de meditação na técnica de Kriya Yoga, da linhagem Lahiri Mahasaya – Hariharananda.

De 8 a 12 de Novembro de 2018, Sarveshwarananda estará conosco para comemorar os vinte anos, desde que fez a primeira iniciação em 1998.
Veja abaixo a programação especial, de 8 a 13 de Novembro, com o apoio do Grupo Kriya Yoga Hariharananda de São Paulo e do Yogacharya Céu.

Histórico de formação de nosso grupo:
Em 2002, Hariharananda, com 95 anos, fez seu mahasamadhi (falecimento mantendo a consciência espiritual). A partir daí uma parte dos alunos continuou seus estudos com Prajnananda e o Instituto americano, e outros seguiram estudando com outros professores da linhagem. Nosso grupo optou por continuar os estudos com o aluno mais avançado de Hariharananda, o professor Raghabananda, de Orissa (Índia) e os dois alunos mais próximos de Hariharananda, os professores Yogacharya Don Abrams e Yogi Sarveshwarananda.

PALESTRA GRATUITA:
Levar a vida com harmonia
com Yogi Sarveshwarananda

8 de Novembro de 2018 (quinta-feira)
19h30 às 21h30
Palácio Anchieta, Salão Nobre - Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista
Entrada Franca
Mais informações: Camila Bogéa / camilabogea@hotmail.com  / zap (11) 98409-0323
(Agradecemos o apoio do Vereador Reginaldo Tripoli, da Bancada Ambientalista)

MINI-CURSO:
O Nada Yoga e a cura por meio dos mantras
com Yogi Sarveshwarananda

9 de Novembro de 2018 (sexta-feira)
19h00 às 22h00
Casa do Guilherme - Rua Ibiraçu, 225 - Vila Madalena
Donativo: R$ 35,00 (em dinheiro, não se aceita cheques ou cartões)
Inscrições: Cintia Duarte / cintia.duarte.lima@terra.com.br  / zap (11) 99641-6663


APRENDER MEDITAÇÃO:
Iniciação em Kriya Yoga
com Yogi Sarveshwarananda

Começa Sábado, 10 de Novembro de 2018, das 8h00 às 17h00

Conclui Domingo, 11 de Novembro de 2018, das 19h00 às 21h00
Casa do Guilherme - Rua Ibiraçu, 225 - Vila Madalena
Oferendas: cinco frutas, cinco flores e donativo financeiro de R$ 370,00 (em dinheiro, não se aceita cheques ou cartões).
Não é necessário contribuir financeiramente nas meditações guiadas dos dias 11, 12 e 13.
É necessário ter participado da Palestra Gratuita
Inscrições: Camila Bogéa / camilabogea@hotmail.com  / zap (11) 98409-0323

CURSO DE 1 DIA:
Como viver como um excelente yogi
com Yogi Sarveshwarananda

11 de Novembro de 2018 (domingo)
9h00 às 17h00
Casa do Guilherme - Rua Ibiraçu, 225 - Vila Madalena
Donativo:

  • R$ 250,00 (em dinheiro, não se aceita cheques ou cartões)
  • Desconto de R$100,00 para quem fizer a iniciação no dia 10 de Novembro
  • Desconto de R$35,00 para quem fizer o mini-curso no dia 9 de Novembro
Inscrições: Camila Bogéa / camilabogea@hotmail.com  / zap (11) 98409-0323

MEDICINA AYURVÉDICA E DESENVOLVIMENTO PESSOAL:
Consultas particulares
com Yogi Sarveshwarananda

Informações e agendamentos: José Orbino / jorbino@gmail.com / zap (11) 94144-8447

  • Medicina Ayurvédica, primeira consulta (1h30 de duração): R$ 270,00
  • Medicina Ayurvédica, retorno (1h de duração): R$ 210
  • Desenvolvimento Pessoal (1h de duração): R$ 210
  • (pagamentos em dinheiro, não se aceita cheques ou cartões)
Espaço Harihara, Rua Manoel da Nóbrega, 922 - Ibirapuera

SATSANGS E MEDITAÇÕES GUIADAS:
Kriya Yoga
com Yogi Sarveshwarananda


Primeiro Kriya (apenas iniciados em Kriya Yoga)
9 de Novembro de 2018 (sexta-feira)
6h00 às 8h00 (manhã)
Donativo: R$ 25,00
Espaço Harihara, Rua Manoel da Nóbrega, 922 - Ibirapuera

Primeiro Kriya (apenas iniciados em Kriya Yoga)
11 de Novembro de 2018 (domingo)
19h00 às 21h00
Donativo: R$ 25,00
Casa do Guilherme - Rua Ibiraçu, 225 - Vila Madalena

Segundo Kriya (apenas iniciados no Segundo Kriya da Kriya Yoga)
12 de Novembro de 2018 (segunda-feira)
6h00 às 8h00 (manhã)
Donativo: R$ 25,00
Espaço Harihara, Rua Manoel da Nóbrega, 922 - Ibirapuera

Primeiro Kriya (apenas iniciados em Kriya Yoga)
12 de Novembro de 2018 (segunda-feira)
20h30 às 22h30
Donativo: R$ 25,00
Espaço Harihara, Rua Manoel da Nóbrega, 922 - Ibirapuera

SATSANG E MEDITAÇÃO GUIADA:
Kriya Yoga
com Yogacharya Céu

Primeiro Kriya (apenas iniciados em Kriya Yoga)
13 de Novembro de 2018 (terça-feira)
20h30 às 22h30
Donativo: R$ 25,00
Espaço Harihara, Rua Manoel da Nóbrega, 922 - Ibirapuera

Mais Informações:
Cintia Duarte / cintia.duarte.lima@terra.com.br  /
zap (11) 99641-6663
Camila Bogéa / camilabogea@hotmail.com  / zap (11) 98409-0323 

Quem é o Yogi Sarveshwaranda
Sarveshwarananda, francês de origem, mas filho de pais viajantes, e tendo vivido em diversos lugares do mundo (inclusive a primeira infância no Brasil) nasceu em 1959, como David Vachon.
Formado em Literatura Inglesa em Grenoble III e com Mestrado em Informação e Comunicação na CELSA, Sorbonne, era ateu e anarquista até conhecer Baba Paramahamsa Hariharananda, em 1988.
O impacto foi tão grande que, em 1994, tomou o voto de Brahmacharya e em 1997 o voto monástico na ordem Giri, passando a se chamar Swami Sarveshwarananda (Alegria Divina em Todas as Coisas).
Iniciou a transmissão da Kriya Yoga de Hariharananda no Brasil, sendo o primeiro professor autorizado a vir para cá, em 1998, acompanhado de Prajnanandaji. Serviu Baba até sua morte em 2002, sendo seu auxiliar direto mais próximo, nos últimos anos. 
Após o falecimento de seu mestre, permaneceu em retiro de silêncio nos Himalayas, de 2002 a 2004. Deu início então a diversas obras humanitárias, na Índia e América do Sul. Em 2009 renunciou ao monastério e tornou-se pai de família, passando a se chamar Yogi Sarveshwarananda. Atualmente mora em Buenos Aires, tem uma filha de 7 anos,  e dá aulas no mundo todo.

Meditação na empresa neozelandesa Fonterra

A Fonterra foi fundada na Nova Zelândia em 1880 e é uma cooperativa que reúne mais de 10.500 famílias daquele país. Atualmente, é a maior exportadora mundial de lácteos. Está no Brasil há 20 anos.

Em Junho de 2018, estive no escritório brasileiro da empresa, que fica na cidade de São Paulo. Convidado pela área de bem-estar, ação de saúde e segurança. (wellbeing/ health and safety).

Para explicar um pouco sobre as atuais descobertas da ciência no estudo do cérebro, e dos benefícios da meditação. Há muito material por aí sobre isso. Mas o que poucos dizem, é que essas pesquisas foram feitas com pessoas que meditam profundamente, e ao longo de muitos anos. E não é portanto, fazendo técnicas superficiais, que se alcançam os mesmos resultados.

Mindfulness, e outras técnicas populares, nesse mercado meio-saúde/ meio-espiritualidade, funcionam mais como um relaxamento. É muito bom relaxar, em uma sociedade estressada e densa como a de hoje. Mas isso que se chama, por estratégia mercadológica, de Mindfulness, e pode ser traduzido como Atenção Plena, está muito longe do que Siddhārtha Gautama, um dos grandes professores da meditação, chamava de Atenção Plena. Tem raiz no princípio Vipassana de auto observação desidentificada, mas, entre outras coisas importantes para uma prática consistente de meditação, não realiza os equilíbrios eletromagnéticos necessários para a liberação do canal da Sushumna.


Sim, até pode ser um começo. E relaxar é bom. Mas se você realmente quiser alcançar os benefícios para a saúde, física, mental e espiritual, que podem ser alcançados com a prática regular de meditação, vai precisar conhecer outras técnicas, mais aprofundadas. Lembrando que meditação é ciência, não religião. Existem religiões que incorporaram a meditação em suas práticas, porque o estado de interiorização e auto-conhecimento profundos alcançados pela meditação correta, são benéficos ao desenvolvimento espiritual, entre outras coisas. Mas é possível aprender meditação sem precisar se afiliar a nenhuma crença religiosa. Porque é, antes de tudo, uma metodologia científica que atinge resultados quantitativos verificáveis.

Nessa palestra também contei um pouco sobre a origem histórica da meditação, sobre o meu próprio processo de aprendizado, e fizemos algumas práticas básicas. 

Interessados em levar palestras como esta, a suas empresas ou instituições, entrem em contato através do e-mail yc@lightbreath.org

Gravidez e Meditação

Estou escrevendo isto no dia 3 de Outubro de 2018.

A prática da meditação regular, adequada para aluno, e orientada por um professor experiente, traz diversos benefícios, como hoje a ciência comprova amplamente. Adquire-se o controle, tanto sutil como mecânico, da respiração, sincronizado com eficiente controle de todo o corpo. Equilíbrio e domínio desde o sistema motor e musculatura, ao sistema nervoso, emoções e pensamentos. Tudo isso pode tornar a gestação e o parto muito mais fáceis, seguros e até confortáveis, tanto para a mãe, como para o bebê.

Uma gestante que medita transmite para a criança em seu útero qualidades físicas de equilíbrio, pelo sistema nervoso e ritmos cardíaco e, segundo os ensinos da tradição, também qualidades sutis de paz, amor e elevação espiritual.

Mas saber tudo isso na teoria, é diferente de viver e acompanhar mamães meditadoras.


Dia 30 de Setembro passado foi aniversário de 190 anos do nascimento de Lahiri Baba, o iniciador da linhagem de professores de meditação da qual faço parte, como Yogacharya.
 

E no dia do aniversário do Guru, os discípulos é quem recebem presentes. É assim que funciona com autênticos gurus. Eles é quem dão. A riqueza deles é não reter nada e ter sempre muito para dar. E os presentes são luz na consciência dos alunos atentos. Despertamos de algo. Adquirimos discernimento e liberação espiritual.



Então, dia 30 passado, abri meu laptop e dei de cara com essa foto ao lado. É a aluna Fernanda. Estava meditando e foi fotografada pelo olhar amoroso do marido, o aluno Marcelo. A gestante foi iniciada em Kriya Yoga em 2017, na primeiríssima turma de praticantes dessa técnica de meditação, na cidade de Manaus, capital do Amazonas.
E olhar essa foto despertou em mim o presente, do guru para mim. É o que se chama de "darshan". Isto é, uma visão que desperta a consciência da Divindade. Me dei conta que estou com cinco alunas grávidas (que sei). E que estou podendo colaborar para essas amorosas e divinas mamães e papais, para que possam trazer estas crianças ao mundo com mais paz. Para elas trazerem mais paz para o mundo humano, que sempre precisa.



Não pude evitar umas lágrimas de felicidade, quando me dei conta que estou tendo essa benção de poder fazer isso, pelo simples fato de estar me dispondo a cooperar com a linhagem de gurus. Transmitindo os ensinos da verdadeira prática de meditação, que é uma ciência disponível para todas as pessoas. Independente de pertencerem a alguma religião ou mesmo para os que não tem qualquer tipo de fé, ou sejam ateus. Basta querer, ter disciplina e praticar.



Duas semanas atrás, na porta do Equinócio da Primavera, foi outra aluna grávida, a Ana Isa, quem me mandou uma mensagem super legal:




E não ficou nisso. Com a Lua Cheia, abriu o espaço aéreo de aterrissagens, e a Ana me escreveu novamente, dias depois, comunicando o nascimento de sua filhinha e do Lucas, a Aurora:




Bom, transbordei de felicidade com a mensagem da Ana.

Pela chegada da Aurora, claro. E pela mamãe ter tido esse carinho comigo, de escrever todas essas coisas super legais.



Mas foi só dias depois, no tal dia 30, aniversário de Sree Lahiri, que acendeu a luzinha na minha cabeça e eu me dei conta de todas as outras alunas grávidas. E que estou sendo instrumento de algo amoroso e libertador, sem planejar, sem ficar tentando controlar nada. Simplesmente por estar no fluxo da vida, próximo e atento a sua fonte, por onde jorra e respira, com Amor.

A respeito do Lahiri, coloco aqui o trecho de um “bhajan” de sua autoria, “Meu Culto é um Raro Culto”. Bajhan é um canto sagrado, de inspiração e métrica livres. Penso que este encapsula a essência do ensino deste meu professor. De forma poética, explica o que é a prática de meditação profunda, os Altos Kriyas:



Meu culto é um culto raro
Eu não mais borrifo água de Ganga

Eu não preciso nem de frutas nem de flores

Eu perdi todos meus utensílios de culto

Eu esqueci Shiva, Kali e Tara
Eu me afoguei em meu Pai Todo-Poderoso.

Eu esqueci deidades masculinas e femininas
Eu estou absorvido na Alma que em Mim habita
Ligado e absorvido em Trindade
Eu mergulhei profundamente em meu canal espinal
Minha percepção de corpo se foi, eu estou em Alegria
Eu cultuo meu corpo com meu poder divino.


O canto é uma apologia à não-forma, ao desapego de qualquer tipo de tradição ou entendimento formal. E ao mesmo tempo celebra o mergulho na consciência do próprio corpo (pela centro do sistema neural), tomando consciência da fonte milagrosamente vital, que torna existente a própria consciência. Para além da forma.
A Trindade a que se refere Lahiri são três aspectos interiores da consciência, de luz, som e vibração, que fazem parte da ciência da meditação Kriya Yoga.

Agradeço a minhas lindas alunas grávidas e ex-grávidas, e seus esposos, pela oportunidade de ser seu professor. Agradeço à linhagem de Gurus e à Mãe Divina por essa alegria maravilhosa.

Agradeço à Fernanda e ao Marcelo por liberarem a publicação da foto. E à Ana Isa e o Lucas, pela autorização de postagem do depoimento.

Desejo às outras três alunas que não mencionei os nomes, que tenham vigor, concentração e saúde, para ampliar ainda mais suas consciências de amor, vida e paz, neste período.



Com Amor,
Yogacharya Céu
Sampa, 3 de Outubro de 2018

PS1: E escrevendo isto e recebendo a notícia que nasceu hoje o menino da Fernanda e do Marcelo! Benções Divinas do Topo da Cabeça à Solas dos Pés do recém aterrissado.
PS2: O nome dele é Miguel
PS3: Na semana que escrevi este post, começou a estudar comigo mais uma aluna grávida.

Para contatar o Yogacharya Céu: yc@lightbreath.org