Mostrar mensagens com a etiqueta Swami Satyananda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Swami Satyananda. Mostrar todas as mensagens

Satyananda Giri

Na maioria das vezes damos valor apenas a quem é muito conhecido.
A quem fala muito, e faz muito barulho. 

Não raramente, cometemos inclusive muitos enganos, deixando que a ignorância de nossos corações de pouca luz, nos deixe cativar por pessoas carismáticas, mas cheias de narcisismo e ódio. Abundantes, nos dias de comunicação de massa, e potencializadas pelas redes sociais, com políticos, influenciadores digitais, artistas, jornalistas, pseudo-filósofos e tagarelas de toda sorte.
A Verdade, pouco vale para o narcisista em surto. O que conta é  a "narrativa". Que é sempre favorável a ele. 

Cuidado. Se quer atingir clareza espiritual, aprenda a valorizar o silêncio e a paz. Quem busca paz, encontra amor. Quem semeia paz, semeia amor.
Aprenda a valorizar os que agem continuamente pela paz, pelo amor, sem buscar holofotes. 
Não haveriam Yoganandas, se não existissem Satyanandas.

O amigo sincero, de todos os seres vivos, é o que age, não o que busca o centro do palco.
Às vezes o amigo sincero pode até atingir o centro do palco. Mas por um acaso de sua missão, não é o seu alvo principal. 
Veja por exemplo Swami Satyananda.

Por ocasião de hoje, 17 de novembro, aniversário de nascimento de Gurudev Swami Satyananda, publico o texto que segue, pesquisado pelo kriyavan Luciano Gosuen Babaji.
Sua fonte foi o livro 
A Collection of Biographies of 4 Kriya Yoga Gurus: Lahiri Mahasaya, Sri Yuketeshvar, Swami Kevalananda, Yoganandaji:


SATYANANDA


Manmohan (Swami Satyananda) nasceu de Mohini Majumdar e Tarabasini Devi em 17 de novembro de 1896, na casa de seu tio materno, em Bikrampur (Bangladesh). Ele foi um filósofo, cantor, compositor, poeta, assistente social e, acima de tudo, um discípulo talentoso e um verdadeiro mestre divino na linhagem do Kriya Yoga. Uma indicação de seu impecável amor pela humanidade, sem distinção de classe, casta ou religião,  já era evidente quando, aos seis ou sete anos de idade, ele desprezou a arraigada tradição dos intocáveis em um evento social, na presença de seus parentes e amigos. Aos 10 anos de idade, a sua procura pela liberação estava profundamente enraizada, reforçando o seu desejo pela independência da Índia assim como pela liberação final da humanidade das garras dos sofrimentos mundanos, da escravidão e da preocupação com o corpo.

 

O primeiro encontro do Swami Satyananda com o seu amigo de infância e guia, Mukunda (Paramahamsa Yogananda), aconteceu na Escola para Surdos-Mudos, em Calcutá, quando ele tentou pegar uma bomba para inflar uma bola de futebol de seu time. A intimidade entre eles cresceu intensamente à medida que ambos progrediam rapidamente para realizar a Verdade. Prometendo manter o celibato por toda a vida, eles passavam o tempo meditando em isolamento em uma série de locais sagrados e templos. Mesmo durante a noite, estes dois jovens se mantinham completamente devotos, diferentemente de outros que passavam o tempo em festas e diversões sem limites.

 

O jovem Manmohan

Manmohan visitou locais sagrados, pessoas espiritualizadas e santos na companhia de Mukunda. Hamsa Swami Kevalananda, o grande professor particular de Sânscrito de Mukunda, que lhe ensinou o básico sobre Kriya Yoga, lançou as fundações para a sua vida espiritual. O estilo de vida espartano, simples e austero e a profunda experiência espiritual de Kevalanandaji causaram um grande impacto na vida de Manmohan. O seu antigo e querido sonho foi realizado durante os seus anos de faculdade, quando encontrou o seu destinado guru, Swami Shriyukteshwar e foi iniciado no Kriya Yoga. O seu guru o influenciou com a sua profunda visão, profunda interpretação metafórica das escrituras sagradas, a sua extensa experiência espiritual no Kriya Yoga e o seu conhecimento de astronomia e astrologia, fazendo com que ele se tornasse um dedicado e ardente discípulo. Quatro anos após Mukunda tornar-se um sannyasi, conhecido como Swami Yogananda, Manmohan graduou-se na universidade como Bacharel em Filosofia (com honras). Em 1919, sob a direção de seu guru, foi iniciado na ordem monástica e se tornou conhecido como Swami Satyananda Giri.

 

Inspirado e guiado por Paramahamsa Yogananda, a vida espiritual de Swami Satyananda alcançou o seu ápice quando ele se tornou um monge. Ele gastava a maior parte de seu tempo e energia meditando e organizando o colégio interno e o ashram fundados por Paramahamsa Yogananda em Ranchi, junto com o seu colega de escola, que também se tornou sannyasi, Swami Dhirananda.  O grande caráter, honestidade e pureza de Swami Satyananda, assim como o seu estilo de vida exemplar, o amor incondicional e o cuidado com os seus discípulos e estudantes inspiraram Mahatma Gandhi a visitar o Ashram de Ranchi. Após essa visita, ele elogiou o ashram e convidou Swami Satyananda para visitar o seu próprio ashram de Sabarmati.

 

Gandhi veio a conhecer a Kriya Yoga, Yogananda
e o Ashram de Karar, graças a Satyananda Giri.

Quando ele visitou o ashram de Mahatma Gandhi, dispensaram-lhe uma grande recepção e uma calorosa cerimônia de boas vindas e lhe pediram para permanecer no ashram por vários dias. Swami Satyananda lançou a fundação para a posterior iniciação em Kriya Yoga de Mahatma Gandhi e seus discípulos por Paramahamsa Yogananda, quando esse retornou à Índia em 1935. O seu amor pela mãe Índia e o seu desejo de dedicar a sua vida à liberação da população da Índia manifestou-se quando ele, tristemente, recusou a oferta de seu amigo de infância e guia, Paramahamsa Yogananda, para ir aos Estados Unidos ajudá-lo na sua missão divina.

 

A placa no Ashram de Karar,
indicando a sucessão de presidentes
do ashram (sadhusabhapatis).
Satyananda sucedeu Yogananda,
e fui sucedido por Swami Hariharananda.
Atendendo ao chamado de seu amado Gurudev, Swami Shriyukteshwar, ele foi para o Ashram de Karar, em Puri, para levar a sua vida sob a orientação espiritual de seu Gurudev. Depois, ele se estabeleceu como o Swami residente do Ashram. Após o mahasamadhi de seu Gurudev, no dia 9 de março de 1936 e alguns meses após o retorno de Paramahamsa Yogananda dos Estados Unidos, Swami Satyananda iniciou o Brahmachari Rabinarayan  (Paramahamsa Hariharananda) nas kriyas mais elevadas. Deixando o trabalho e o gerenciamento do Ashram de Puri aos cuidados do Brahmachari Rabinarayan,  ele abraçou a vida de monge itinerante, pregando e ensinando Kriya Yoga por toda a Índia. O seu encontro, no sul da Índia, com Ramana Maharshi, um santo iluminado, famoso por sua profunda experiência espiritual, transformou-se em um amor único e intenso. Ramana Maharshi ficou impressionado com a sua personalidade cativante e insistiu para que Satyananda ficasse permanentemente em seu ashram.

 

Uma tragédia aconteceu em 1944, quando uma terrível fome se espalhou na região de Bengala. Isso direcionou o coração amoroso de Satyanandaji para confortar os pobres famintos. O seu lema era: “servir com amor e meditação para todos”. Como um símbolo de seu amor pelos esquecidos e desprivilegiados da sociedade, ele estabeleceu a Missão Sevayatan Satsang  em Jhadagram, uma região subdesenvolvida no distrito de Mednipur, em Bengala Ocidental, onde passou o resto de sua vida, de 1944 até 1971, transformando a vida de milhões de pessoas. 


Após o mahasamadhi de Paramahamsa Yogananda em 1952 e até o final de sua vida, ele permaneceu como presidente do Ashram de Karar, em Puri. Com uma vida enriquecida pela experiência espiritual, dedicada à causa da humanidade e abraçando a mensagem do Kriya Yoga, ele finalmente deixou o seu corpo físico no dia 2 de agosto de 1971, na sua Missão Sevayatan Satsang.



Assim falou Swami Satyananda Giri (1896-1971):

Meu único ensinamento é “Amai a todos”.
*
Através do caráter, a humanidade do homem floresce.
*

Ser um sthita prajña (estabelecido na sabedoria) é o verdadeiro estado de crescimento espiritual.
*

Quando alguém caminha com fé em Deus pode perceber a presença da graça do guru dentro de si.
*

Precisamos de um guia e professor na vida espiritual tanto quanto na vida material. Qualquer que seja o compromisso urgente que uma pessoa possa ter, se ela for capaz de ficar sentada em silêncio por um tempo, obterá muita força.

*

A semente da devoção e da fé está escondida no coração de todos.

*

Boa companhia, discussões espirituais e autoanálise são essenciais para o desenvolvimento da planta.

*

Quando alguém se esforça sinceramente pela realização interior por um longo período de tempo, progride no caminho da perfeição. Então a pessoa obtém a auto-realização.

*

Assim como alguém concentra sua energia para ter sucesso na escola e mais tarde na faculdade, também deve buscar obter desenvolvimento físico, mental e espiritual.

*

Trabalhe por trabalhar, não para obter resultado.

*

Se um kriyavan não pratica Kriya, significa que ele não está alimentando o guru interior já estabelecido no coração. Então, se você mantivesse o guru sem comida, você se alimentaria?

*

Nunca se considere o executor de qualquer ação.

*

Todo karma (ação) tem um resultado duplo; um desfrutado nesta vida e o outro depositado para a próxima vida.

*

Mesmo que você seja bem-educado, nunca se considere uma pessoa experiente.

*

Lembre-se de que você deve aprender com todos.

*

O estudo das escrituras é de pouca importância. Ramakrishna Paramahamsa foi um grande estudioso? No entanto, cada palavra de sua boca era uma escritura. Até, e a menos, que alguém esteja estabelecido no Ser, não tem o direito de dar conselhos espirituais a outros.

*

Veda significa conhecimento. Aquele que conhece o Ser é um verdadeiro estudioso dos Vedas ou escrituras.

*

Não considere a culpa dos outros.

*

Nunca acuse os outros de seus erros. Se uma pessoa tem apenas uma qualidade boa entre 100, tente ver essa qualidade boa, e não as 99 qualidades ruins.

*

O homem é a manifestação de boas e más qualidades. Em alguns, o bem prevalece, enquanto em outros o mal é predominante.

*

Na criação de Deus, o bem e o mal, a luz e as trevas estão sempre presentes.

*

O homem, por ignorância, comete erros.

*

A existência do Eu é o verdadeiro milagre dentro de você. Se você não realiza o seu “Eu”, então você não está fazendo justiça a si mesmo.

*

É fácil renunciar à família e ao mundo, mas difícil renunciar ao ego que está tão firmemente estabelecido e tão disposto a crescer. Seja sempre humilde e manso.

*

Aquele que tolera, sobrevive, aquele que não consegue, perecerá.

*

Prática (abhyasa) significa estar estabelecido no “ponto-átomo”.

*

Primeiro pratique e depois pregue.

*

Nenhum trabalho é pequeno demais; tudo o que você fizer, faça-o com fé, amor e sinceridade.

*

Cada trabalho é uma oportunidade de adorar o divino.

*

Antes de fazer qualquer karma (ação), deve-se ver se conseguirá algum desenvolvimento real.

*

Se fizermos tudo com a atitude de seva (serviço), desfrutaremos da verdadeira paz.

*

Não deseje saber mais e mais, antes pratique para obter a perfeição e através da instrução do guru, eventualmente, tudo ficará claro.

*

Para manter o corpo e a mente saudáveis, o primeiro passo é manter o sistema digestivo em boas condições.

*

Os alimentos que consumimos devem ser adequados para o crescimento físico, mental e espiritual.

*

Deve-se aprender a técnica de Kriya Yoga diretamente com um professor qualificado.

*

Através da disciplina obtém-se o auto-aperfeiçoamento.

*

A prática de Kriya é a prática da autoanálise.

*

Através da prática de Kriya é natural estabelecer-se no autoconhecimento.

*

O Eu, ou alma, é o verdadeiro guia.

*

Uma pessoa é capaz de progredir em todos os aspectos da vida quando pratica os ensinamentos do Mestre com fé e amor e os incorpora na vida cotidiana.

*

Esforce-se para estudar as escrituras relacionadas ao autoconhecimento e discutir os ensinamentos dos Mestres.

*

Sua mente é o ambiente natural para o progresso espiritual.

*

Através da prática do controle da respiração, a pessoa se liberta de uma mente inquieta e de uma existência inquieta.

*

A respiração e a mente estão correlacionadas. Quando a inquietação do prana desaparece, a vida se torna divina.

*

A respiração é a manifestação do divino.

*

Existem diferentes níveis de experiência espiritual.

*

Uma pessoa realizada ainda pode enfrentar situações difíceis; mas ele ou ela permanecerá imperturbado.

*

Primeiro purifique a mente comendo corretamente e pensando corretamente. Quando a respiração se acalma, o olhar interior estará sempre fixo no kutastha. Não haverá desejo de nenhum trabalho e mesmo trabalhando parece que não se está fazendo. Raja yoga se torna uma religião.

*

Um santo pode ler a mente de qualquer pessoa fixando o olhar em seus olhos. Isso lhe revelará a natureza, a realização e o engano da pessoa. Isto pode aliviar a tristeza da pessoa, e também pode reconhecer os meios para a libertação.

(fonte<http://www.hariharanandakriyayoga.org/english/who_we_are/kriya/Quotes_Satyananda.htm>)

Vaijanika Kriya Yoga Paddhati (O Método Científico da Kriya Yoga), capítulo 1: Princípios da Kriya Yoga

Por Paramahamsa Hariharananda

Capa original de
de Vaijnanika Kriya Yoga Paddhati,
escrito no idioma oriá.



Livro original escrito em oriá, Vaijnanika Kriya Yoga Paddhati
Traduzido para o português, a partir da tradução em inglês, por Graziella Schettino Valente, com revisão de Yogacharya Céu.
São Paulo, Brasil, 2022


1

Princípios da Kriya Yoga

Kriya Yoga é uma bela técnica de meditação, que precisa ser aprendida com um professor, tanto sua teoria quanto sua prática. Esse caminho utiliza experiência direta, semelhante a aprendizagem por observação científica. Se aprendida com qualquer um que não seja uma pessoa plenamente realizada[1] em Kriya ou um iogue altamente avançado, a prática não dará resultados. Aqueles que não atingiram o apogeu da Realização de Si, ou provaram o apreciado estágio – um bem-aventurado estado de amor e devoção – irão certamente ganhar má reputação se eles ensinarem outros, e as pessoas que aprenderem com eles não irão se elevar no caminho espiritual da Realização de Si. Está escrito na Bíblia (Mateus 15:14): “Da mesma maneira que uma pessoa cega conduz outra pessoa cega e ambos caem na valeta, também um buscador ignorante não pode ser um farol de luz para outros.”

A palavra “yoga” deriva da raiz yuj, que significa estar unido ou permanecer no estado de unidade. Em outras palavras, através de técnicas científicas, o eu encarnado (jiva) está unido ao Eu universal (Brahman). Um iogue pode ser alguém que tenha responsabilidade pelo sustento ou cuidado da família ou que seja um monge renunciado; em ambos os casos, essa pessoa permanece sempre unida a Deus praticando métodos ióguicos. Essa realização da unidade entre a alma individual e o Eu Supremo é ioga.

Yogiraj Shyamacharan Lahiri,
mais conhecido como Lahiri Mahasaya

Na era moderna, Yogiraj Shyamacharan Lahiri reviveu o antigo conhecimento do controle da respiração sutil, uma técnica científica conhecida como Kriya Yoga. O Bhagavad Gita (2:50) diz, yogah karmasu kaushalam: “Ioga é a maneira adequada de alcançar ação correta”. É também uma técnica ou método para a Realização Divina. Kriya Yoga é uma técnica que pode ser praticada para atingir o bem-aventurado estágio de samadhi nesta mesma vida. Esta é a verdadeira adoração a Deus. O Yoga Sutra de Patanjali (Sadhana Pada, sutra 1) diz, tapah svadhyaya Ishvara pranidhanani kriya yogah: “Kriya Yoga é a arte da oração interior com controle da respiração, autoestudo e puro amor pelo Divino.”

Na opinião sagrada de Shri Shyamacharan, Kriya Yoga é uma combinação de diferentes técnicas, como pranayama, Khechari mudra, Jyoti mudra e ouvir o som divino, ver a luz divina e assim por diante. Todas essas técnicas são apenas maneiras para alcançar o estágio de samadhi.

Paramahamsa Yoganandaji, um dos discípulos de Swami Shriyukteshwarji que se tornou um mestre realizado na linhagem de Kriya Yoga, afirmou que a espiritualidade não pode ser comprada no mercado. Deve ser conquistada com muito trabalho e esforço próprio. No entanto, muitas pessoas estavam aprendendo e praticando Kriya Yoga principalmente pela leitura dos livros dele. Uma compreensão geral a respeito da filosofia de Kriya Yoga pode ser obtida lendo livros, mas, a menos que seja aprendida adequadamente com um mestre Autorrealizado ou um estudante avançado designado, não alcançará o resultado desejado. Como apontado novamente por Paramahamsa Yoganandaji, um mestre Autorrealizado acende a consciência espiritual no coração de um discípulo sincero. O guru preceptor é o mensageiro de Deus. O fluxo imperecível e perene da tradição do guru nunca foi interrompido e continua a fluir ininterruptamente ainda hoje. 

Yogananda sentado ao lado de Sree Yukteshwar,
no Ashram de Karar, na cidade de Puri
Orissa (Odisha), Índia

Sentado próximo aos gurus da tradição de Kriya Yoga – Swami Shriyukteshwar Giri, Sanyal Mahasaya, Paramahamsa Yoganandaji e Swami Satyanandaji – eu venho praticando Kriya Yoga em uma atmosfera de solidão, reclusão e silêncio desde 1932. Como resultado dessa prática em reclusão e silêncio, eu aprendi não apenas como abrir as pétalas de lótus dos seis centros para conduzir os buscadores à Realização Divina, mas também realizei que Kriya Yoga é a essência de todas as religiões. Os renunciantes convictos, brahmacharis e sannyasins da Índia, mergulhando além do véu da natureza externa, realizaram a imanente sublime verdade desta natureza. Kriya Yoga não é meramente um discurso filosófico ou intelectual. Na realidade, é o estágio da percepção não sensorial, de completa fusão e união com Deus. Pela graça dos gurus da linhagem de Kriya Yoga, alcancei o estágio de nirvikalpa samadhi e gostaria de compartilhar uma parte da minha essência realizada, em forma de livro, para o benefício das pessoas do mundo todo.

O corpo é muito temporal. Não sei se algum buscador antes de mim realizou a mesma essência que encontrei praticando Kriya Yoga. A experiência e a realização de cada pessoa são únicas. Também não sei se durante a iniciação outras pessoas podem instilar vibração divina, luz divina e som divino da cabeça aos pés em seus discípulos. Depois de atingir o nirvikalpa samadhi em 1948 e Paramahamsa Yoganandaji solicitar que eu ensinasse Kriya Yoga, venho infundindo a vibração divina em discípulos do muladhara chakra (centro inferior) ao sahasrara chakra (fontanela) e até mesmo ao brahmaloka (céu alto no espaço).  Até atingir o nirvikalpa samadhi, eu não conhecia essa técnica de infundir o poder divino. Renunciando a tudo, pratiquei esta técnica dia após dia, mês após mês, ano após ano, até o dia da emancipação final. Através da minha prática e da graça de Deus e dos gurus, alcancei tal estado e pude despertar a energia divina, vibrante, latente e cósmica que permanece não manifestada no corpo inteiro das pessoas. A partir desse dia, venho espalhando a sublimidade da Kriya Yoga, ensinada pelos mestres desta linhagem, por todo o mundo – não só na Índia, mas também na Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Suíça, Canadá, EUA, Colômbia, e muitos outros países da Europa e América do Sul. Ao longo das cinquenta partes do corpo dos discípulos, eu venho despertando a energia cósmica latente. Isso é chamado de infusão de poder.

Swami Satyananda Giri,
primo de Yogananda,
Satyananda é lembrado por
sua incansável ação humanitária.
Foi o Sadhusabhapati do 
Ashram de Karar de 1952 a 1971.

Muitos ocidentais, assim como alguns indianos, têm uma visão equivocada do que é kundalini shakti. Muitas pessoas têm a ideia errada de que kundalini é como uma cobra que permanece circundando ao redor do muladhara chakra (centro inferior). Despertada, ela vai subir e morder todas as partes do corpo, causando danos inexplicáveis. Muitos livros foram escritos sobre esse retrato fantasioso da energia cósmica latente. Ninguém se atreveu a compartilhar a verdade, temendo que fosse contra noções milenares estabelecidas e escrituras antigas. Muitos sadhakas tântricos, que nunca perceberam a bem-aventurada essência da energia cósmica, escreveram muitos livros, como chacais murmurando que as uvas doces, as quais eles não podiam alcançar depois de suas tentativas e tribulações, estavam azedas.

A energia cósmica, latente em todo ser humano, cria a sensação vibratória da energia vital (prana shakti). Também é conhecida como para shakti (energia suprema) e adorada como kampilyavasini (manifestada como vibração). Por todo o corpo, as sensações vibratórias de maha shakti (grande poder) são sentidas. Sendo enfeitiçados pelas forças centrífugas extroversas de maya (delusão, ilusão e erro), os seres humanos permanecem sempre esquecidos de maha shakti; este grande poder permanece desaproveitado e não utilizado em cada indivíduo. Paramahamsa Yogananda explicou que a consciência humana é normalmente limitada pelos sentidos. Esse poder invisível, sutil e oculto não pode ser facilmente controlado. A cobra é um símbolo de poder. Como a cobra tem poder e veneno, a corrente prânica também tem a dupla capacidade de evolução espiritual e de criar confusão mundana. A energia vital prendeu os seres humanos na armadilha de maya (delusão e apego). Toda a humanidade está cozinhando no veneno mundano. Os cientistas redescobriram na teoria dos genes como as tendências da vida são transmitidas a outros e permanecem adormecidas neles. Os iogues descobriram que a forma sutil das tendências humanas permanece embutida no muladhara chakra (o centro inferior). Essas tendências são geralmente chamadas de energia não manifesta. Despertar tal energia significa introverter conscientemente a energia vital não utilizada através de todos os centros dentro da coluna, desde o muladhara até o sahasrara (no topo da cabeça). Ao subir ao longo do caminho da sushumna, do muladhara ao sahasrara, a energia vital controla as rédeas de todos os desejos mundanos. Ao atingir o mais alto estágio possível de Realização Divina, somente através da prática de Kriya Yoga, tenho tentado ajudar toda a humanidade a percorrer o caminho espiritual, instilando nos corpos dos discípulos a sensação divina e as vibrações do poder supremo (maha shakti) depois de purificar e consagrar todas as partes do corpo e chakras (centros) na coluna. Kriya Yoga é uma ciência de espiritualidade prática que deve ser aprendida diretamente com o guru preceptor.

Yogananda

Não se pode obter a Realização Divina apenas lendo escrituras e textos espirituais. A ilustração a seguir esclarecerá esse ponto. Qualquer pessoa que alugou um cofre de segurança no banco tem uma chave enquanto outra chave é mantida pelo gerente do banco. Mesmo que essa pessoa deseje abrir o cofre com sua chave, ela não pode sem a ajuda do gerente do banco. O gerente do banco primeiro abre o cofre e, em seguida, a pessoa usa sua chave para abri-lo para ver sua riqueza e ouro no interior. Da mesma forma, a prática de Kriya Yoga é a arte da disciplina espiritual que se deve dominar com o sincero companheirismo de um buscador com o guru. Guru é o mensageiro divino. A chave para abrir o cofre divino do tesouro espiritual está com guru. Se o gerente do banco não abrir o cofre, ninguém tem o poder de ver o que ele contém. Da mesma forma, a pessoa que tem o cofre, a menos que ele seja aberto, não pode ver sua própria riqueza e propriedade.

Três fatores são essenciais para a evolução espiritual de todo buscador: hereditariedade, ambiente e cultura. A hereditariedade é a própria herança do passado. O ambiente é o guru preceptor. O terceiro fator, a cultura, depende do esforço sincero do buscador. Com a hereditariedade da providência divina, o guru preceptor abrirá o cofre cinquenta por cento e os outros cinquenta por cento devem ser cultivados pelo discípulo. Pela prática da Kriya Yoga, pode-se perceber que cem por cento de divindade é inerente a todo ser humano.

Bupendranath Sanyal Mahasaya,
de barbas brancas, ao centro.
Ao lado direito, seu discípulo, autor deste livro,
Paramahamsa Hariharananda,
de barbas escuras e óculos.

Enquanto leva uma vida mundana, um ser humano pode praticar Kriya Yoga. Kri significa o que você está fazendo; ya significa a alma funcionando dentro de você. No Bhagavatam em oriá, é dito pelo Senhor Krishna: “Eu sou Aquele que faz; não há outro caminho além de Mim.” Realizando Aquele que faz, na forma de energia vital em todas as atividades, pensamentos e disposições, os seres humanos permanecem sempre ligados na consciência da alma em meio aos cuidados e tarefas familiares. Possa uma pessoa ser Shakta (adoradora da Mãe Divina), Shaiva (seguidora do Senhor Shiva), Vaishnava (aqueles que adoram o Senhor Vishnu, Shri Rama ou Senhor Krishna), Ganapatya (crente no Senhor Ganesha), Tantrik Kaulika (seguidores de sua própria tradição familiar de ritos e rituais), budista, jainista, ou pertencer a qualquer outra disciplina[2], ela pode facilmente realizar Deus ou se elevar na evolução espiritual despertando a energia cósmica na sushumna e se estabelecer no sahasrara através da prática de Kriya Yoga. Como dizem as escrituras, desha kala prapannani sarva karmani sadhayet: “Todas as atividades são realizadas de acordo com a natureza do país e do clima.” Se as sementes forem jogadas nas florestas ou em terras selvagens, sem o cultivo adequado, não haverá rendimento e os esforços serão em vão. Para obter uma boa colheita, deve-se cultivar bem a terra. Da mesma maneira, Kriya Yoga é uma técnica especial de meditação para cultivar a terra espiritual que jaz árida nos seres humanos.

Nos capítulos subsequentes, as descrições a respeito dos estágios e o processo de Kriya Yoga ajudarão a dar uma compreensão mais clara aos praticantes de Kriya Yoga iniciados e inspirarão as pessoas a trilhar este caminho real


[1] Nota à tradução brasileira (N.d.T.)

Ao longo do texto, a palavra “realizar” é usada no sentido de conceber algo vividamente como real; perceber ou experimentar um estado plenamente consciente, em relação à Deus, à unidade (Realização Divina, Realização de Deus), ou a si mesmo (Autorrealização, Realização de Si).

Assim, uma pessoa realizada é alguém que alcançou um estado pleno de consciência de si, em união com Deus.

Realizado é, ainda, alguém que se realizou, que alcançou seu objetivo ou ideal, que atingiu sua meta (ex.: Teve o que desejou, é um homem realizado).

Então, pode-se entender que mestre realizado é alguém que alcançou o ideal dentro daquilo que é ser um mestre. E, do mesmo modo, pode-se compreender que realização espiritual é alcançar o objetivo ou ideal espiritual.

[2] Como cristianismo, judaísmo, islamismo, espiritismo, religiões de matriz yorubá e de todas as outras matrizes, etc. (N.d.T.)

Postagem por ocasião dos 25 anos do ensino e prática
da Kriya Yoga de Paramahamsa Hariharananda no Brasil

A nossa Linhagem de Gurus

 

Mahavatar Babaji
O ressurgimento contemporâneo da Kriya Yoga começou em 1861 em uma caverna de uma remota montanha do norte da Índia, quando Babaji Maharaj iniciou Lahiri Mahasaya em Kriya Yoga. Desde então, esta ciência espiritual eterna vem sendo transmitida através de uma linhagem de professores realizados.
Este Kalpayogi ("Yogi Supremo") é considerado pela tradição antiga como uma encarnação iluminada e imortal. Viaja no plano astral e projeta uma forma humana para aparecer a alguns discípulos altamente realizados.
Baba Hariharananda passou quase onze anos em silêncio, isolado no ashram de Karar, em Puri, até obter a visão sagrada (darshan) e as bênçãos (ashirbad) de Babaji.
Acredita-se que Babaji guia a humanidade à distância e raramente é visto em forma humana. Ele veio para Lahiri Mahasaya para reintroduzir a antiga ciência yogue perdida, e para este período deu-lhe o nome de "Kriya Yoga".




Sree Shyama Charan Lahiri Mahasaya (1828-1895)
Conhecido como um Yogavatar ("Encarnação do Yoga"), Lahiri Mahasaya era contador, casado e com filhos, trabalhando para o departamento de construção da empresa ferroviária em Varanasi.

Um dia, em 1861, seu escritório o enviou "por engano" (acredita-se que na verdade uma transferência trazida pelo poder místico do próprio Babaji) às montanhas Ranikhet. Ali ele encontrou Babaji, que iniciou-o em Kriya Yoga e lhe deu a missão de transmiti-la pelo mundo.

Ele escolheu Lahiri Mahasaya em parte para mostrar que os humildes chefes de família podem obter o mais alto nível de realização, e não apenas os sannyasins (monges e eremitas).

Assim, alguns anos mais tarde, quando o grande Swami Trailanga, o monge errante nu, viu que Lahiri Mahashaya estava vindo para reverenciá-lo, imediatamente pulou de alegria e abraçou-o. Depois que Lahiri Baba partiu, um dos discípulos de Swami perguntou ao santo por que ele, um sannyasin supremo, mostrou tanto respeito a um simples pai de família. Swami Trailanga respondeu: "- Ele alcançou o estado yóguico enquanto permaneceu como pai família. Eu, por outro lado, tive que abandonar até mesmo à minha tanga!"

Lahiri Baba é conhecido hoje como "o Pai da Kriya Yoga", já que iniciou e guiou milhares de devotos enquanto mantinha sua família e seu trabalho.



Bhupendranath com sua esposa Kalidasi
Shrimat Bhupendranath Sanyal (1877-1962)
Bhupendranath foi um dos mais jovens discípulos de Lahiri, tendo recebido iniciação na idade de quinze anos, e nomeado yogacharya com a idade de dezoito.

Já chefe de família, muito avançado em espiritualidade, fundou um ashram chamado Gurudham, em Puri, Orissa, e outro chamado Mandar, em Bhagalpur, Bihar. Autor de vários livros, seus escritos são pedras preciosas de espiritualidade. Ele é famoso por seu profundo conhecimento do Bhagavad Gita, a respeito do qual escreveu uma interpretação metafórica, à luz da Kriya Yoga, em três volumes.

Paramahamsa Hariharananda recebeu dele, em Puri, as iniciações nos 4º, 5º e 6º (final) graus de kriya.
Entre os muitos discípulos diretos de Bhupendranath Sanyal estão:
 
- Acharya Nikhil Dey 
- Acharya Shailendranath Mukherjee 
- Acharya Jwala Prasad Tiwari 
- Acharya Sunil Kumar Ghosh 
- Paramahamsa Hariharananda



Swami Sree Yukteshwar Giri (1855-1936)
Este grande
Jñanavatar ("Encarnação do Conhecimento"), originalmente era um pai de família chamado Priyanath Karar. Viúvo jovem,  após concluir a criação da única filha, renunciou ao mundo e tornou-se conhecido como Swami Sree Yukteshwar.

Foi um dos discípulos mais avançados de Lahiri Mahasaya e muito versado em astronomia, astrologia e matemática. Alcançou o mais elevado estado de realização, o nirvikalpa samadhi (ausência de respiração e pulso).

Escreveu comentários do Bhagavad Gita e, por ordem de Babaji, um livro que esclarece a semelhança entre a Vedanta e os ensinamentos de Jesus ("Ciência Sagrada"). Fundou um ashram em Serampore, nas favelas de Calcutá. Mais tarde criou o ashram Karar, em Puri, no estado de Orissa, onde iniciou e guiou milhares de discípulos.
Entre os muitos discípulos diretos de Yukteshwar estão:

- Paramahamsa Yogananda
- Swami Satyananda Giri
- Swaminarayan Giri (conhecido como Prabhuji)
- Acharya Motilal Mukherjee
- Bijoy Kumar Acharya Chatterjee
- Paramahamsa Hariharananda



Swami Satyananda Giri (1896-1971)
O jovem Manmohan Mazumdar foi amigo de infância de Paramahamsa Yogananda, sendo mais tarde conhecido como Swami Satyananda. Ele era altamente educado (Bacharel de Ciências em Filosofia) e monge espiritualmente avançado, discípulo de Sree Yukteshwarji.

Foi diretor da escola de Ranchi e, mais tarde, sadhu sabhapati (presidente) do Karar Ashram, fundado por Sree Yukteshwar, onde permaneceu até deixar a sua forma física em 1971. Fundou uma organização chamada Sevayatan (Missão Satsanga), em Jharagram, no distrito Medinipur de Bengala. Cuidou da melhoria social e espiritual das populações locais, especialmente pobres e camponeses.

Ele será sempre lembrado como uma alma simples, nobre, amorosa e dedicada à mais alta realização. Indicou Paramahamsa Hariharananda como presidente do Karar ashram, para depois de sua morte.
Entre os muitos discípulos diretos de Swami Satyananda estão: 
- Swami Dhirananda Giri
- Swami Niranjanananda Giri
- Swami Jagadananda Giri
- Swami Shuddhananda Giri
- Paramahamsa Hariharananda



Paramahamsa Yogananda (1893-1952)
Paramahamsa Yogananda foi o introdutor da Kriya Yoga no Ocidente. Inicialmente conhecido como Mukunda Lal Ghosh, ele foi treinado por Swami Sree Yukteshwar, de 1909 a 1920, até receber o mandato, de Babaji Maharaj, para viajar ao oeste e espalhar a mensagem da Kriya Yoga por todo o mundo.

Estabeleceu o seu centro de estudos na Califórnia, a "Self-Realization Fellowship". Voltou para sua amada Índia só em 1935, para rever seu guru Sree Yukteshwarji, pouco antes da morte deste. Voltou aos EUA em 1936, onde permaneceu até seu mahasamadhi, em 1952.

Compartilhou os ensinamentos do Kriya Yoga com milhões de pessoas em todo o mundo, através de suas palestras, cursos por correspondência, livros e iniciações. Seu livro “Autobiografia de um Iogue” é um dos clássicos espirituais mais reconhecidos do mundo.
Entre os muitos discípulos diretos de Yogananda estão:
- Swami Atmananda Giri
- Swami Vidyananda Giri
- Yogacharya J. Lynn (conocido como Rajarshi Janakananda)
- Hna. Faye Wright (conocida como Daya Mata)
- Yogacharya Roy Eugene Davis
- Yogacharya Donald Walters (conocido como Swami Kriyananda)
- Hna. Gyanamata
- Yogacharya Oliver Black
- Yogacharya Bob Raymer
- Paramahamsa Hariharananda  


Paramahamsa Hariharananda (1907-2002)
É até o momento o último mestre realizado conhecido da linhagem, também chamado de Karunavatar ("Encarnação da Compaixão").

Desde tenra idade ele foi chamado para a vida espiritual, revelando talento intelectual extraordinário. Por exemplo, com a idade de quatro anos e meio, memorizou todos os mantras de puja, depois de ouvi-los de seu pai apenas algumas vezes. Tomou o voto de celibato com a idade de onze anos. Quando tinha vinte anos conheceu Sree Yukteshwar e foi iniciado em Kriya Yoga.

Memorizou e compreendeu todas as grandes escrituras, incluindo os Vedas, os Upanishads, a Bíblia Sagrada, o Corão e a Torá.

Paramahamsa Hariharananda foi um yogi único. Ele obteve o estado yóguico mais elevado, sem pulso e sem respiração, estado também conhecido como nirvikalpa samadhi. Foi observado nesse estado por diversos médicos.

Raghabananda e Hariharananda
Ele era completamente livre de qualquer dogma religioso ou crença sectária. Sua perspectiva refletia em sua abordagem científica para o ensino da Kriya Yoga. Toda a sua vida foi orientada e focada na educação espiritual. Conhecê-lo e receber sua bênção é apreciado e lembrado por aqueles que tiveram esta oportunidade.


Entre os muitos discípulos diretos de Paramahamsa Hariharananda estão:
- Rajarshi Raghabananda Nayak
- Swami Brahmananda Giri
- Yogi Sarveshwarananda Giri
- Yogacharya Gonesh Baba
- Yogacharya Céu
- Yogacharini Durga Chunduri
- Rajarshi Peter van Breukelen
- Swami Prajñanananda Giri
- Swami Premananda Giri
- Swami Mangalananda Giri
- Swami Shuddhananda Giri
- Brahmachari Swarupananda Giri
- Swami Vidyadhishananda Giri
 



Anandamayi Ma e Yogananda, 1935
Anandamayi Ma (1896-1981)

Nascida em Bengal Leste (hoje Bangladesh), Anandamayi não faz parte da linhagem de transmissão da Kriya Yoga de Hariharananda. Mas por ter sido reverenciada pelos gurus, em especial por Yogananda e Hariharananda, passou a ocupar lugar de destaque entre os praticantes da Kriya Yoga.

De origem simples e trabalhadora dedicada, desde menina entrava em estados de transe estático. Sem ter aprendido com ninguém as práticas de yoga e meditação, assumia posturas e respiração yóguica, contagiando o ambiente e os presentes com intenso sentimento de paz. Tinha grande consciência do que se passava consigo mesma e podia assim guiar outras pessoas na prática da meditação profunda.

É considerada auto-realizada e auto-iniciada. É um exemplo de como a alta consciência da meditação pode surgir espontaneamente, independente de ensinos ou qualquer tipo de característica exterior.





Fontes:

El Arte De La Paz (Yogi Sarveshwarananda)