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Meditando com a Lua / Meditando con la Luna

PORTUGUÊS (ESPAÑOL ABAJO)

Existe uma técnica de meditação que envolve olhar diretamente a Lua. Mas não é disto que trata este texto. Aqui estou sugerindo como você pode fazer para criar um foco de TRANSFORMAÇÃO MENTAL, a partir do CICLO LUNAR. 
E criar um ciclo de harmonização crescente e constante.

Chandra-Soma

Bianca di Fiore me lembrou dias atrás que, no Jyotisha, (que é a ciência védica de observação das luzes celestes e sua relação com nossa percepção e interação com o mundo), a Lua está associada à mente e à mãe.

Mais precisamente, a Lua, que se chama Chandra ou Soma, está associada a MANAS, que é o aspecto da mente que diz respeito a como percebemos sensorialmente o mundo. Manas é a mente enquanto um sentido de percepção. Não é a mente como sentido de identidade, memória, intelecto ou intuição. É a mente como o vetor central da percepção e psique. Esse sentido, no entanto, é influenciado pela raiz profunda da formação do ser, tanto na gestação como na primeira infância. Ou seja, pela influência da mãe. A mente MANAS não vê exatamente como são as coisas, mas como sente que as coisas são, com um forte grau de subjetividade emocional.

Essa forma de perceber pode colaborar ou prejudicar sua harmonização com as forças do Universo. Ou, como dizem os Rshis, colaborar ou prejudicar seu equilíbrio com a Rta, a ordem natural cósmica, que sustenta tanto o micro, como o macro, tanto o visível, como o invisível.

Harmonizar a MANAS é, portanto, entrar em harmonia com sua vida e com sua própria raiz psíquica. Fortalecer as influências benéficas que recebeu de sua mãe, e se livrar de eventuais transtornos psíquicos que também pode ter recebido. Trabalho de uma vida, mas possível de ser realizado.

O CICLO DE TRANSFORMAÇÃO DA MANAS ATRAVÉS DO CICLO LUNAR, se faz assim:

- Medite todos os dias, começando do fim da Lua Minguante, e indo até o dia da Lua Cheia. Mas faça isso através de um eixo dirigido de transformação, conforme explico a seguir.

- Primeiro, escolha aquelas qualidades mentais das quais quer se livrar. Vícios, adições, complexos, incômodos, excessos, descontroles, fobias, etc. Qualquer comportamento que não queira mais (porque todo comportamento começa na mente sensorial, MANAS). Em suma, aspectos da ILUSÃO que mantém você aprisionado em sofrimento psíquico.

- No dias do fim da Lua Minguante, antes de começar sua meditação, pense nisso que não quer mais na sua vida. Em seguida, realize sua prática de meditação, mas NÃO PENSE MAIS no problema. Concentre-se apenas na prática e no foco puro de concentração. Ao término da prática, incline-se e peça, para a forma divina com a qual mais se identifica (pode ser de acordo com sua fé religiosa, pode ser simplesmente a Luz da Consciência), para que liberte você daquilo que lhe aflige.

- Então vem a Lua Nova e a Lua Crescente.
Durante esses dias, continue meditando diariamente, mas agora, ao começar, pense naquilo que agora quer para sua vida, aquilo que vai substituir o que quer abandonar. Em seguida, realize sua prática de meditação, mas NÃO PENSE MAIS no problema. Concentre-se apenas na prática e no foco puro de concentração. Ao término da prática, incline-se e peça, para a forma divina com a qual mais se identifica (pode ser de acordo com sua fé religiosa, pode ser simplesmente a Luz da Consciência), para que mostre para você, com clareza de entendimento, o caminho para conquistar o que quer, para atingir LIBERTAÇÃO, PAZ e REALIDADE. Resumidamente: REALIZAÇÃO ESPIRITUAL.

- Então vem o dia da Lua Cheia.
Nesse dia apenas medite. Sinta a luz da Lua Cheia dentro de você. E ao término, incline-se e agradeça, por ter conseguido meditar todos os dias, do Minguante até o Plenilúnio. Agradeça a transformação que já está acontecendo. Se tiver alguma intuição sobre como seguir desse dia em diante, anote. (Você pode criar, se quiser, um pequeno diário para acompanhar seu processo de transformação através de ciclos de meditação com a Lua)

E vá assim, fazendo esses ciclos de meditação, sempre que possível e o máximo que conseguir. Harmonizando-se com a Lua e prosseguindo no seu autoestudo e transformação. Parece talvez simples demais, mas ao harmonizar sua psique com os ciclos lunares, está se harmonizando com Chandra-Soma. Harmonizando sua própria consciência profunda da luz da consciência. Harmonizando o fluxo dos líquidos do seu corpo, que conduzem todo processo metabólico do corpo físico, de nutrição, purificação e renovação, e das conexões intuitivas do sonho e da psique. Está fortalecendo sua capacidade de perseverar em si mesmo, em sua paz e capacidade de descobrir o que precisa para ter uma vida melhor, mais pacífica e livre. Está entrando em harmonia com o movimento constante de transformação cósmico.

O que vai acima vale para qualquer ciclo lunar, em qualquer tempo.
Mas agora vou escrever um pouco sobre a situação da Lua de Vesak. Para entender o que é essa lua, leia este link: Lua Cheia, Vesak e Baba

Para a Lua de Vesak, o que eu expliquei acima, vale mais ainda. É o ciclo de guia e transformação espiritual mais poderoso do ano, de mais expansão da consciência. Excelente oportunidade para estabelecer uma conexão profunda com seu Mestre Espiritual interior e infinito.

Estou escrevendo este texto em Abril de 2022. Neste ano, a Lua Nova que abre o ciclo de Vesak será no dia 30 de Abril. E a Lua Cheia (Lua de Vesak), na passagem de 15 para 16 de Maio. E neste ano, tanto na Lua Nova, como na Cheia, teremos Eclipse.
O Eclipse é um lembrete que a verdadeira luz continua brilhando mesmo quando está oculta, que tudo se transforma e a luz sempre volta a brilhar. A meditação no dia do Eclipse tem potencial para você ir ainda mais fundo dentro da sua fonte interior, indo além das próprias sombras, que ocultam você de você mesmo. Quanto mais conseguir tranquilizar seu coração e pensamento em um dia de Eclipse, mais concentração desenvolverá. E vice-versa, num ciclo de transformação bastante positivo, lúcido e de pulso de vida. Use o que aprendeu sobre respiração, batimento cardíaco e fluxo mental, e aprofunde sua paz interior.

Te desejo Bençãos Divinas de Transformação, do Topo da Cabeça às Solas dos Pés.
Com Amor,
Y Céu

27 de Abril de 22

ESPAÑOL:
(Muchas gracias, Pilar Mamaji, por traducir el texto al español.)

Existe una técnica de meditación que consiste en mirar directamente a la Luna. Pero de eso no trata este texto. Aquí estoy sugiriendo cómo puedes crear un foco de TRANSFORMACIÓN MENTAL, desde el CICLO LUNAR.
Y crear un ciclo de armonización creciente y constante.

Bianca di Fiore me recordó días atrás que en Jyotisha , (que es la ciencia védica de observar las luces celestiales y su relación con nuestra percepción e interacción con el mundo), la Luna está asociada con la mente y la madre.

Más precisamente, la Luna, que se llama Chandra o Soma , está asociada con MANAS, que es el aspecto de la mente que se refiere a cómo percibimos sensorialmente el mundo. Manas es la mente como un sentido de percepción. No es la mente como un sentido de identidad, memoria, intelecto o intuición. Es la mente como vector central de la percepción y la psique. Este sentido, sin embargo, está influido por la raíz profunda de la formación del ser, tanto en el embarazo como en la primera infancia. Es decir, por influencia de la madre. La mente de MANAS no ve exactamente cómo son las cosas, sino cómo siente que son las cosas, con un fuerte grado de subjetividad emocional.

Esta forma de percibir puede colaborar o perjudicar tu armonización con las fuerzas del Universo. O, como dicen los Rshis, colabora o altera tu equilibrio con Rta, el orden natural cósmico, que sustenta tanto lo micro como lo macro, tanto lo visible como lo invisible.
Armonizar el MANAS es pues entrar en armonía con tu vida y con tu propia raíz psíquica. Fortalece las influencias benéficas que recibiste de tu madre y deshazte de cualquier trastorno psíquico que también hayas recibido. El trabajo de toda una vida, pero factible.

EL CICLO DE TRANSFORMACIÓN DEL MANAS A TRAVÉS DEL CICLO LUNAR, se hace así:

- Medita todos los días, comenzando desde el final de la Luna Menguante, y continuando hasta el día de la Luna Llena. Pero hazlo a través de un eje dirigido de transformación, como explico a continuación.

- Primero, elige aquellas cualidades mentales de las que te quieres deshacer. Adicciones, adicciones, complejos, molestias, excesos, descontrol, fobias, etc. Cualquier comportamiento que ya no quieras (porque todo comportamiento comienza en la mente sensorial, MANAS). En definitiva, aspectos de la ILUSIÓN que te mantienen atrapado en el sufrimiento psíquico.

- En los días del final de la Luna Menguante, antes de comenzar tu meditación, piensa en lo que ya no quieres en tu vida. Luego continúa con tu práctica de meditación, pero NO PIENSES MÁS en el problema. Solo enfócate en la práctica y el enfoque puro de la concentración. Al final de la práctica, inclínate y pide a la forma divina con la que más te identifiques (puede ser según tu fe religiosa, puede ser simplemente la Luz de la Conciencia) que te libere de lo que te aqueja.

- Luego viene la Luna Nueva y la Luna Creciente.
Durante estos días, continúa meditando diariamente, pero ahora, al comenzar, piensa en lo que ahora quieres para tu vida, lo que reemplazará lo que quieres dejar. Luego continúa con tu práctica de meditación, pero NO PIENSES MÁS en el problema. Solo enfócate en la práctica y el enfoque puro de la concentración. Al final de la práctica, inclínate y pide, a la forma divina con la que más te identifiques (puede ser según tu fe religiosa, puede ser simplemente la Luz de la Conciencia), que te muestre, con claridad de entendimiento, el camino para conquistar lo que quieres, para alcanzar la LIBERACIÓN, la PAZ y la REALIDAD. Brevemente: REALIZACIÓN ESPIRITUAL.

- Luego viene el día de la Luna Llena.
Ese día solo medita. Siente la luz de la Luna Llena dentro de ti. Y al final, inclinarse y dar gracias, por haber logrado meditar todos los días, desde la Luna Menguante hasta la Luna Llena. Sé agradecido por la transformación que ya está teniendo lugar. Si tienes alguna intuición sobre cómo proceder a partir de este día, escríbela. ( Puede crear, si lo desea, un pequeño diario para seguir su proceso de transformación a través de ciclos de meditación con la Luna ).

Y siga así, haciendo estos ciclos de meditación siempre que sea posible y tanto como pueda. Armonizándote con la Luna y continuando tu autoestudio y transformación. Quizás parezca demasiado simple, pero al armonizar tu psique con los ciclos lunares, estás armonizando con Chandra-Soma. Armonizando tu propia conciencia profunda de la luz de la conciencia. Armonizando el flujo de los líquidos de tu cuerpo, que impulsan todos los procesos metabólicos del cuerpo físico, de nutrición, purificación y renovación, y de las conexiones intuitivas del sueño y la psique. Es fortalecer tu capacidad de perseverar en ti mismo, en tu paz y capacidad de descubrir lo que necesitas para tener una vida mejor, más pacífica y libre. Estás entrando en armonía con el movimiento constante de la transformación cósmica.

Lo anterior se aplica a cualquier ciclo lunar, en cualquier momento.
Pero ahora escribiré un poco sobre la situación de la Luna de Vesak. Para entender qué es esta luna, lee este enlace: 
Lua Cheia, Vesak e Baba

Para la Luna de Vesak, lo que expliqué anteriormente vale aún más. Es el ciclo de guía espiritual y transformación más poderoso del año, de mayor expansión de conciencia. Excelente oportunidad para establecer una conexión profunda con tu Maestro Espiritual interior e infinito.

Escribo este texto en abril de 2022 . Este año, la Luna Nueva que abre el ciclo de Vesak será el 30 de abril. Y la Luna Llena (Luna de Vesak), en el paso del 15 al 16 de mayo. Y este año, tanto en Luna Nueva como en Luna Llena, tendremos Eclipse .
El Eclipse es un recordatorio de que la verdadera luz sigue brillando aunque esté oculta, que todo se transforma y la luz siempre vuelve a brillar. La meditación del día del eclipse tiene el potencial para que profundices aún más en tu fuente interior, yendo más allá de tus propias sombras, que te ocultan de ti mismo. Cuanto más pueda calmar su corazón y sus pensamientos en un día de Eclipse, más concentración desarrollará. Y viceversa, en un ciclo de transformación muy positivo, lúcido y pulso de vida. Usa lo que has aprendido sobre la respiración, los latidos del corazón y el flujo mental, y profundiza tu paz interior.

Les deseo Bendiciones Divinas de Transformación, desde la Cabeza hasta las Plantas de los Pies.
Con Amor,
Y Cielo

27 de abril, 22

Tempos de Pandemia e A Cura pela Paz.

Mantra para estar protegido contra o medo e os perigos do governo:

Nosso amado professor, Raghabananda Nayak, aluno mais avançado conhecido de Hariharananda Baba, disse, certa vez, quando de um dos tsunamis do início deste século: "- A natureza não está em paz, porque nós não estamos em paz."

A relação de causalidade entre nossa paz interior e o mundo em que vivemos, inclusive a natureza, só pode ser plenamente entendida por aqueles que se dedicam à concentração profunda, e ao desvendar dos mistérios da consciência transpessoal: O MAHAT.
É o autêntico Vedanta, que não é um conjunto de dogmas religiosos ou de ideias suprematistas. É sim, a ciência da consciência realizada, independente de raça, status social, gênero ou crença política ou religiosa. Ao menos é assim que entendi as palavras de meu mestre, Sree Paramahamsa Hariharananda.

Pacificar a própria mente, para ter alguma esperança de discernimento, ainda tem sido para poucos. Por enquanto. Mas são esses poucos que, há milênios, impedem esta humanidade de se auto exterminar, tão grande é o poder da paz.


Livrar-se de exaltações e paixões narcísicas: 

O Sermão da Montanha de Jesus, em Mateus 5.1 a 7.29, é talvez o mais longo ensinamento do Cristo Hebreu de Belém. Direto e claro, prega, para a humanidade, o caminho da paz, da fraternidade e do amor. Não a toa, o escritor dos EUA, Kurt Vonnegut, ateu e humanista, disse, a respeito deste trecho do Evangelho: - Se não existisse a mensagem de misericórdia e piedade no Sermão da Montanha de Jesus, eu não gostaria de ser um humano. Preferiria ser uma cascavel. 


Jesus ensinando o Sermão da Montanha,
por Gustave Doré
Esse caminho pacificador, segundo Jesus, passa primeiramente por uma análise interior de cada indivíduo. O que prevalece é alcançar, em primeiro lugar - o perdão, o amor, o divino - dentro de si. É um discurso para todas as pessoas, aberto e objetivo.
Mas, em meio a uma fala tão clara e direta, inscreve-se uma chave mística, como um diamante secreto incrustado em uma coroa:  Em 6.22 " - A candeia (luz) do teu corpo é o olho. Portanto, se o teu olho for simples (manso, bom, pacífico), teu corpo inteiro será luminoso."
Tudo mais que eu possa escrever neste texto já está sintetizado nessas duas pequenas frases. Que para quem pratica, verdadeiramente, a Kriya Yoga, é uma evidente indicação de Shambhavi Mudra.

E aqui eu alerto às nobres almas que se dedicam sinceramente ao estudo da Kriya Yoga de Babaji e Lahiri Baba: Você não precisa se preocupar em entender a teoria que segue. Esse entendimento vem, naturalmente, com a prática da meditação real, focada no topo da cabeça.


E para os que nem essa prática ainda tem, recomendo simplesmente que cantem o mantra:

OM RAJA BHAYA SHANTIH.
Para proteger do medo, e dos perigos advindos do governo. 

Os que querem entender um pouco mais a teoria Védica que sustenta o que digo, sigam lendo. É vasto, e me esforçarei para ser breve. Quem quiser se aprofundar, estude a Ciência Sagrada, de Swami Sree Yukteshwar, e pratique Kriya Yoga.

A raiz da ciência espiritual está no entendimento que o mesmo mundo que é para a Ilusão, também é para a Realização. O mesmo mundo em que um se perde, em prisão e sofrimento, também um se liberta, e alcança a alegria do Amor Divino. Assim nos recordam Sree Shuka, lembrando de tempos anteriores aos próprios Vedas. Tempos da Mãe da Humanidade, de Narayana Rishi, rememorando dimensões além mesmo desta planeta, a pergunta eterna feita por Narada em Shvetavipa e respondida, entre os Kumaras, por Sree Sanandana, o Rouxinol de Jana. (Srimad Bhagavata Purana X, capítulo 87).


Os Quatro Kumaras e Sree Vishnu
E só de lembrar de momento tão auspicioso, eu sinto o perfume desta Infinita Presença.

As forças que constituem a consciência, desde o plano causal até o corpo astral e o corpo físico, seguem três rios principais, as GUNAS RAIZ: SATTVA, RAJAS e TAMAS.
Estes caudais são puro AMOR, manifestados em Luz, Som e Vibração. Determinam os três aspectos da consciência, respectivamente Conhecimento (Conexão), Ação (Movimento) e Sentimento (Sensorialidade). Se manifestam em MAHAT, (a Inteligência Primordial, o Campo Mental). E espelham-se em múltiplos fragmentos individuais, AHANKARA, adquirindo a tonalidade particular de cada um dos seres individuais.

Segundo a Taittiriya Upanishad  (Capítulo II, seções 1 a 5), essas tonalidades são moduladas por cinco bainhas que se afetam mutuamente. Como cinco costuras em um único tecido. Cinco controles finos que se interconectam. De forma simplificada, já que a tradução direta do sânscrito não é plenamente possível, temos, em ordem de inter-relação: 
- BAINHA do ALIMENTO, Annamaya  (matéria constituinte do corpo)
- BAINHA do AR VITAL, Pranamaya (a respiração e a forma de respirar)
- BAINHA da MENTE, Manomaya (no seu aspecto mais básico de sentido que percebe o mundo)
- BAINHA da COMPREENSÃO, Vijnanamaya (o intelecto em sua maneira de acumular e organizar a experiência)
- BAINHA da GRAÇA, Anandamaya (a maneira como aquele indivíduo espontaneamente se conecta com a Alma Imortal)

O Taittiriya destaca o papel fundamental que tem os ensinos dos Atharvans e dos Angirasas, anteriores mesmo aos Vedas. Estamos então falando de Maharishi Bhrigu, um dos sete Saptarshis, portanto um dos ARQUITETOS DIVINOS, e primeiro Mestre de Kriya Yoga neste planeta.  
É o equilibrar da MENTE e do CORPO pelo AR VITAL, afetando finalmente a COMPREENSÃO e mesmo a GRAÇA. E este é um dos pontos fundamentais da ciência sagrada da Kriya Yoga. E de como se opera a chave que converte a ilusão em realidade, o egoísmo em fraternidade.

Assim que essas forças primordiais, de Conhecimento, Ação e Sentimento, que são potência de Amor, equilibram-se pela PAZ e se manifestam em Verdade, Bondade e Beleza. 

Nos ensina Hariharananda que viemos do Amor e somos do Amor.
Mas a realização consciente dessa verdade suprema se dá pela PACIFICAÇÃO. E esta pacificação está na PAZ estabelecida pela respiração equilibrada, que conecta simultaneamente, em uma única consciência,
(1) o ar que vem pela ponta do nariz (consciente do Bindu interior, corredor de luz entre os olhos),
(2) o ar que vibra nas qualidades divinas na Sushumna, desde a base da espinha, no Muladhara, subindo refletida nos vácuos entre o Ajna e o Brahmarandra, e
(3) o ar do próprio Brahmarandhra abrindo-se desabrochado para a Coroa Divina, no topo da cabeça.



Kamadhenu,
por Rajeshwar Nyalapalli
Hoje, a análise do corpo físico encontra, na forma de lua crescente de Shiva, entre pituitária, hipotálamo e pineal, a origem dos hormônios que regulam nossos estados de humor, desejo e vitalidade. Mas essa região, já conhecida pelos Vedas há muito tempo, o Ajna Chakra, transcende a fisiologia hormonal. Metáforas são utilizadas para criar imagens de entendimento. Uma delas é a da ordenha da nata cósmica, a Soma (ou elixir da imortalidade, Amrita). Surge a visão de Kamadhenu, a Mãe de Todas as Vacas, a fonte suprema da delícia e vontade de viver. 
É representada por um corpo de vaca opulento, com rosto de mulher, asas e cauda de pavão. Reúne simbolicamente a consciência humana (cabeça de mulher), perfeitamente integrada aos aspectos da natureza terrestre (corpo de vaca) e da natureza angelical (asas). A cauda de pavão é um aceno a Krshna-Vishnu, o aspecto da força divina que cuida, nutre e mantem. 
Entenda-se: Kamadhenu é acessada através da consciência perfeitamente concentrada em um ponto específico do cérebro, mas conecta a uma dimensão cósmica, iluminada pelas estrelas.
Na cultura suméria ancestral, que se perde nos tempos, e se mistura na névoa, entre os rios Tigris e Indus, há uma contraparte masculina para Kamadhenu: Lamassu. Que também pode ser feminina e se chamar Lamma. Lamassu tem o corpo de touro forte, ao invés de vaca, rosto masculino, e representa a suprema proteção, que liga o plano terrestre ao plano das constelações estelares.
Lamassu de Dur-Sharrukin

Em última análise, a mensagem é que a consciência perfeitamente pacificada, que encontra o ponto atômico de si própria (que chamamos de consciência Kriya ou Crística), bebe da fonte suprema da existência e encontra, nesta fonte, a proteção, o abrigo estelar.

Veja por exemplo este momento em que escrevo este texto, abril de 2020.

Com a pandemia do covid-19, dois assuntos tomaram conta das mentes humanas: O GOVERNO (as decisões dos governos nos diferentes países, que afetam diretamente a vida das pessoas), o MEDO (de ser contaminado, de não poder trabalhar, de ver morrer alguém querido). E também uma mistura dos dois assuntos, com MEDO DO GOVERNO.

Observe: O condutor de qualquer ação é o CONTROLE, que decide e conduz a ação. Mesmo no caso de uma ação “descontrolada”, há algum fator que gera e governa o descontrole. Toda ação tem um fator-raiz governante, que é justamente o que se chama RAJAS.
A mesma palavra sânscrita que denomina esta guna-raiz, RAJAS, também é utilizada para Governo: RAJA (De onde Maharaja, por exemplo, que quer dizer “grande rei” ou “grande governante”; e Marajá, em português) 
Em uma sociedade o condutor da ação é o Governo. Um bom governante traz paz para a sociedade. Um mal governante, coloca a sociedade em risco, confronto e perigo. E neste último caso, naturalmente, as pessoas tornam-se inseguras e passam a sentir medo.

A palavra sânscrita BHAYA tanto quer dizer medo, como perigo. E isso decorre de um entendimento do processo inerente aos dois. Quando estamos com medo, perdemos a capacidade de agir com equilíbrio, e de identificar, com discernimento, o rumo a seguir. E nos colocamos em perigo. Passamos a ser conduzidos pelos aspectos mais impulsivos de nossos instintos. Isto até pode ser o melhor a fazer em algumas emergências curtas e pontuais. Mas a médio e longo prazo, nossa ação se torna desequilibrada. Um yogi é alguém que tem, por exemplo, o discernimento de saber quando disparar ou não a ação movida pelos reflexos musculares, e como diluir rapidamente, através da respiração, a inundação de adrenalina, acalmando.

Perceba que existe uma relação direta entre RAJAS e BHAYA. Quando um governo, seja de uma sociedade de qualquer tamanho, ou seja o governo de si próprio, torna-se exacerbado, orgulhoso, desconectado da realidade e da verdade, e desconectado dos sentimentos elevados (como compaixão, fraternidade e humildade), transforma-se em fonte de medo e perigo. O governo transborda a si próprio e se converte em desgoverno.
É um desequilíbrio: RAJAS está agravado, exaltado. Desconectado da sabedoria e da beleza espiritual. Deixa de promover a bondade. Torna-se fonte de instabilidade, ansiedade e catástrofe.

E o que devemos fazer?
Em primeiro lugar, deixar de contribuir para o desgoverno. Parar de colocar mais veneno em uma situação em que o mesmo já transborda. Parar de incentivar violência, agressividade e insulto.
Observar nosso próprio RAJAS, nosso próprio BHAYA, e equilibra-los, pacificando.
Um corpo doente, de um indivíduo, de uma família ou de uma sociedade, só começa a encontrar a cura quando encontra a paz. Se queremos cura, começamos buscando paz. E a paz se torna o fator de equilíbrio da consciência do Amor.

A cura vem pela PAZ.


Há, por exemplo, o mantra OM RAJA BHAYA SHANTIH, que você pode fazer:
- O OM imagino que a maioria de vocês já entenda que é uma forma de se conectar com a Divindade, através do reconhecimento, da sintonia e humildade, por dentro de si e até o infinito.
- RAJA são as qualidades emocionais e passionais. Como escrevi acima, é a força ativa e fertilizante, um dos três gunas raiz. Também remete àquilo que governa materialmente. Por exemplo, a palavra Rajá ou Maharaja (Marajá), quer dizer governante.
- BHAYA é tudo aquilo que alarma, causa medo, terror. Sendo essa própria emoção, o perigo, porque quando aterrorizados perdemos a capacidade do equilíbrio e nos colocamos em risco.
- SHANTI, todos devem conhecer, é a paz. Colocada assim no final, está pedindo que RAJA e BHAYA se convertam em paz, se pacifiquem, não ofereçam mais perigo. Que o governo seja propício e de acordo com os fundamentos divinos, espirituais. Dissolvem-se então tanto o medo, como os perigos advindos de um governo exacerbado, que se leva pela paixão, loucura, sendo substituído pelo equilíbrio e presença da benção cósmica.
Sendo este um mantra curto, o praticante não terá dificuldade, por exemplo, em fazer sessões de repetição de 108 vezes.
Um mantra terá mais benefício a medida que quem o faz tenha trabalhado bem a sua própria relação BUDDHI-AHANKARA, fruto de aprender a meditar corretamente, e com boa concentração. Isto pode ser assunto para um outro texto, em outra oportunidade.

Continuando a refletir sobre o momento que o planeta atravessa, e a crise pandêmica, penso em obras de arte com o tema da peste, como O SÉTIMO SELO, de Ingmar Bergman, ou A PESTE, de Albert Camus.

Quem conhece o filme de Bergman, talvez se lembre de que naquele mundo medieval das Cruzadas, assolado pela Peste Negra, há o personagem de um saltimbanco inocente, de nome Jof.
Jof é uma pessoa de coração puro e, mesmo enfrentando tantas dificuldades, como todos os outros personagens desta história, atravessa os acontecimentos amparado por um Amor que o sustenta (e a sua pequena família), para além de toda a tragédia. Repare que logo no início, acordando e dando uma cambalhota à beira de um riacho, Jof tem uma epifania e vê Maria brincando com Jesus menino. E ele sorri, alegre, gozando do prazer da beleza daquela imagem singela.
A visão de Jof: Maria brinca com Jesus Menino,
em O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman
.
Assim que, nas Beatitudes (Bençãos) do Sermão da Montanha, se diz: “-Bem Aventurados, os Puros (ou Limpos) de Coração, porque eles verão a Deus”. Repare que Jesus não está dizendo que verão a Deus depois de morrerem. É mais direto: o coração livre de rancores e ancorado em uma consciência de paz e fraternidade, VÊ a Deus. É esse Divino, presente em todas as coisas, ao redor e dentro. Em projeções, como a mãe que brinca com a criança, ou em absolutamente qualquer outra coisa que se possa conceber. E insisto: Em absolutamente qualquer outra coisa que se possa conceber.

Camus, em A PESTE, através das falas de seus personagens, diz que: “- O pior da Peste, não é o que mata aos corpos, e sim o que desnuda as almas. E esse espetáculo costuma ser horroroso”.
Quer dizer, uma situação extrema traz à tona tudo aquilo de pior que as almas humanas guardam dentro de si. Ou como diz um amigo: É quando uma pessoa está fora de si, que vemos o que ela realmente tem dentro.
Mas, também, da mesma forma, vem à tona aquilo de melhor que alguém possa estar cultivando em seu coração. É o próprio Camus quem nos nutre de esperança, afirmando em outro página de sua obra: “- Para dizer simplesmente o que se aprende no meio dos flagelos: que há nos homens mais coisas a admirar do que a desprezar.”

Tudo depende de que vento você escolhe para soprar sua alma-veleiro no Oceano da Vida. Qual respiração marcará o ritmo e a melodia da flauta de seu espírito. 
Eu desejo que você escolha BEM. Que se alimente de paz, e que deixe desabrochar a Rosa do Amor.

Hoje é o dia e a oportunidade de realizarmos a Verdade, a Bondade e a Beleza

Com Amor, 
Yogacharya Céu
Páscoa de 2020, São Paulo