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Pra lá de Manograahya


Por melhor ou mais elevado que seja um pensamento ou uma ideia, ainda é apenas isto, um fenômeno da mente.
Manograahya é uma palavra sânscrita que significa "aquilo que pode ser percebido pela mente". 
Os Puranas dizem que está em ignorância mesmo aquele que reverencia o Amor em sua expressão mais sublime, mas que acredita encontrar através dessa reverência algo que pode ser apreendido pela mente.

Em consciência samaadhi estamos além das ideias e pensamentos. Há consciência de paz, luminosidade e compaixão. Mas não há explicação. 

A expressão poética é a forma humana de linguagem que mais se aproxima dessa consciência inefável, porque ao invés de buscar lógica, expressa o assombro da existência. Como nesta canção do compositor Nando Reis:

Segundo Sol, de Nando Reis
Quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas. Derrubando com o assombro exemplar, o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa
Não digo que não me surpreendi. Antes que eu visse, você disse e eu não pude acreditar.
Mas você pode ter certeza de que seu telefone irá tocar em sua nova casa, que abriga agora a trilha incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar, que eu fui lá fora e vi dois sóis num dia e a vida que ardia sem explicação. Não tem explicação.


Yogacharya Céu
São Paulo, 1 de Maio de 2014

Andando a esmo



Existem muitos mestres no mundo, mas existem muito poucos discípulos que são verdadeiros buscadores.
(Paramahansa Hariharananda)

Por que andais a esmo pelo campo? Para verdes um caniço agitado pelo vento? Ou um homem vestido de roupas finas, como vossos reis e vossos grandes personagens? Esses é que vestem roupas finas, mas não poderão conhecer a verdade.
(Jesus, logion 78, Evangelho de Tomé, Nag Hammadi)

O bode tem uma barba longa. Ele é um guru?
(Paramahansa Hariharananda)

E para aqueles que pensam que O conhecem, deixe-os conhecer. Quanto a mim, qual o alcance de muitas palavras, Oh, mestre? Sua glória não está ao alcance de minha mente, corpo ou palavras... O que não podem esquecer aqueles cujas mentes estão desnorteadas pelo véu da ilusão? Afinal de contas, este inteiro mundo ilusório consistentemente esqueceu a si mesmo. 
(Bhaagavata Puraana, Livro X, capítulo 14, 38/44)

Todo dia e noite são para você observar: -Quem sou eu.
(Paramahansa Hariharananda)