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Pra lá de Manograahya


Por melhor ou mais elevado que seja um pensamento ou uma ideia, ainda é apenas isto, um fenômeno da mente.
Manograahya é uma palavra sânscrita que significa "aquilo que pode ser percebido pela mente". 
Os Puranas dizem que está em ignorância mesmo aquele que reverencia o Amor em sua expressão mais sublime, mas que acredita encontrar através dessa reverência algo que pode ser apreendido pela mente.

Em consciência samaadhi estamos além das ideias e pensamentos. Há consciência de paz, luminosidade e compaixão. Mas não há explicação. 

A expressão poética é a forma humana de linguagem que mais se aproxima dessa consciência inefável, porque ao invés de buscar lógica, expressa o assombro da existência. Como nesta canção do compositor Nando Reis:

Segundo Sol, de Nando Reis
Quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas. Derrubando com o assombro exemplar, o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa
Não digo que não me surpreendi. Antes que eu visse, você disse e eu não pude acreditar.
Mas você pode ter certeza de que seu telefone irá tocar em sua nova casa, que abriga agora a trilha incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar, que eu fui lá fora e vi dois sóis num dia e a vida que ardia sem explicação. Não tem explicação.


Yogacharya Céu
São Paulo, 1 de Maio de 2014

Agora o silêncio




Há um homem que caminha pela avenida, que sobe e desce mil vezes a mesma rua e que rumina e rumina mil pensamentos, os quais possivelmente, não tem a menor importância e  nem irão resolver a dor e o desejo... 

Porém onde está o que não passa? O Habitante desta morada? 
Nesta avenida se produz uma asfixia.... Neste turbilhão o homem precisa respirar.... 
E este homem para e olha... e então surge alguém de dentro deste homem, que reconhece: 
Há um sopro que refresca tudo! Algo como uma clarabóia se abre... um único instante habitado! 
Mas logo isto passa e a mecânica começa de novo.
Porém se este homem se dá conta disso, percebe este frescor, este claridade, este ar que circula, este outro ritmo, este outro som, este não sei que... 
Sente-se preenchido por esta outra realidade e fica atento e quer que esta sensação retorne outras vezes... 
A partir daí a asfixia se torna mais ativa e ele tem necessidade desta “outra coisa”.
Começamos a entrar no caminho Ensolarado.
Agora os vagos terrenos, agora o silêncio...
Um muro negro!!!
E detrás, o céu.

Trecho do livro A Genesis do Super Homem, de Sat Prem

Satprem, nascido em Paris em 1923. 
Comprometido com a resistência, foi detido pela Gestapo e deportado para campos de concentração Buchenwald e Mauthausen. 
Quando a guerra terminou, ele conheceu Sri Aurobindo e a Mãe na Índia. 
Viajou através do mundo: Guiana Francesa, a Floresta Amazônica, Brasil, África, Índia 
Tornou-se um dos principais depositários e testemunhas do trabalho da Mãe e continuador do trabalho de Aurobindo.
Faleceu em 2007.

Contribuição da kriyayogue Sreemat Maria Lúcia.