Satyananda Giri

Na maioria das vezes damos valor apenas a quem é muito conhecido.
A quem fala muito, e faz muito barulho. 

Não raramente, cometemos inclusive muitos enganos, deixando que a ignorância de nossos corações de pouca luz, nos deixe cativar por pessoas carismáticas, mas cheias de narcisismo e ódio. Abundantes, nos dias de comunicação de massa, e potencializadas pelas redes sociais, com políticos, influenciadores digitais, artistas, jornalistas, pseudo-filósofos e tagarelas de toda sorte.
A Verdade, pouco vale para o narcisista em surto. O que conta é  a "narrativa". Que é sempre favorável a ele. 

Cuidado. Se quer atingir clareza espiritual, aprenda a valorizar o silêncio e a paz. Quem busca paz, encontra amor. Quem semeia paz, semeia amor.
Aprenda a valorizar os que agem continuamente pela paz, pelo amor, sem buscar holofotes. 
Não haveriam Yoganandas, se não existissem Satyanandas.

O amigo sincero, de todos os seres vivos, é o que age, não o que busca o centro do palco.
Às vezes o amigo sincero pode até atingir o centro do palco. Mas por um acaso de sua missão, não é o seu alvo principal. 
Veja por exemplo Swami Satyananda.

Por ocasião de hoje, 17 de novembro, aniversário de nascimento de Gurudev Swami Satyananda, publico o texto que segue, pesquisado pelo kriyavan Luciano Gosuen Babaji.
Sua fonte foi o livro 
A Collection of Biographies of 4 Kriya Yoga Gurus: Lahiri Mahasaya, Sri Yuketeshvar, Swami Kevalananda, Yoganandaji:


SATYANANDA


Manmohan (Swami Satyananda) nasceu de Mohini Majumdar e Tarabasini Devi em 17 de novembro de 1896, na casa de seu tio materno, em Bikrampur (Bangladesh). Ele foi um filósofo, cantor, compositor, poeta, assistente social e, acima de tudo, um discípulo talentoso e um verdadeiro mestre divino na linhagem do Kriya Yoga. Uma indicação de seu impecável amor pela humanidade, sem distinção de classe, casta ou religião,  já era evidente quando, aos seis ou sete anos de idade, ele desprezou a arraigada tradição dos intocáveis em um evento social, na presença de seus parentes e amigos. Aos 10 anos de idade, a sua procura pela liberação estava profundamente enraizada, reforçando o seu desejo pela independência da Índia assim como pela liberação final da humanidade das garras dos sofrimentos mundanos, da escravidão e da preocupação com o corpo.

 

O primeiro encontro do Swami Satyananda com o seu amigo de infância e guia, Mukunda (Paramahamsa Yogananda), aconteceu na Escola para Surdos-Mudos, em Calcutá, quando ele tentou pegar uma bomba para inflar uma bola de futebol de seu time. A intimidade entre eles cresceu intensamente à medida que ambos progrediam rapidamente para realizar a Verdade. Prometendo manter o celibato por toda a vida, eles passavam o tempo meditando em isolamento em uma série de locais sagrados e templos. Mesmo durante a noite, estes dois jovens se mantinham completamente devotos, diferentemente de outros que passavam o tempo em festas e diversões sem limites.

 

O jovem Manmohan

Manmohan visitou locais sagrados, pessoas espiritualizadas e santos na companhia de Mukunda. Hamsa Swami Kevalananda, o grande professor particular de Sânscrito de Mukunda, que lhe ensinou o básico sobre Kriya Yoga, lançou as fundações para a sua vida espiritual. O estilo de vida espartano, simples e austero e a profunda experiência espiritual de Kevalanandaji causaram um grande impacto na vida de Manmohan. O seu antigo e querido sonho foi realizado durante os seus anos de faculdade, quando encontrou o seu destinado guru, Swami Shriyukteshwar e foi iniciado no Kriya Yoga. O seu guru o influenciou com a sua profunda visão, profunda interpretação metafórica das escrituras sagradas, a sua extensa experiência espiritual no Kriya Yoga e o seu conhecimento de astronomia e astrologia, fazendo com que ele se tornasse um dedicado e ardente discípulo. Quatro anos após Mukunda tornar-se um sannyasi, conhecido como Swami Yogananda, Manmohan graduou-se na universidade como Bacharel em Filosofia (com honras). Em 1919, sob a direção de seu guru, foi iniciado na ordem monástica e se tornou conhecido como Swami Satyananda Giri.

 

Inspirado e guiado por Paramahamsa Yogananda, a vida espiritual de Swami Satyananda alcançou o seu ápice quando ele se tornou um monge. Ele gastava a maior parte de seu tempo e energia meditando e organizando o colégio interno e o ashram fundados por Paramahamsa Yogananda em Ranchi, junto com o seu colega de escola, que também se tornou sannyasi, Swami Dhirananda.  O grande caráter, honestidade e pureza de Swami Satyananda, assim como o seu estilo de vida exemplar, o amor incondicional e o cuidado com os seus discípulos e estudantes inspiraram Mahatma Gandhi a visitar o Ashram de Ranchi. Após essa visita, ele elogiou o ashram e convidou Swami Satyananda para visitar o seu próprio ashram de Sabarmati.

 

Gandhi veio a conhecer a Kriya Yoga, Yogananda
e o Ashram de Karar, graças a Satyananda Giri.

Quando ele visitou o ashram de Mahatma Gandhi, dispensaram-lhe uma grande recepção e uma calorosa cerimônia de boas vindas e lhe pediram para permanecer no ashram por vários dias. Swami Satyananda lançou a fundação para a posterior iniciação em Kriya Yoga de Mahatma Gandhi e seus discípulos por Paramahamsa Yogananda, quando esse retornou à Índia em 1935. O seu amor pela mãe Índia e o seu desejo de dedicar a sua vida à liberação da população da Índia manifestou-se quando ele, tristemente, recusou a oferta de seu amigo de infância e guia, Paramahamsa Yogananda, para ir aos Estados Unidos ajudá-lo na sua missão divina.

 

A placa no Ashram de Karar,
indicando a sucessão de presidentes
do ashram (sadhusabhapatis).
Satyananda sucedeu Yogananda,
e fui sucedido por Swami Hariharananda.
Atendendo ao chamado de seu amado Gurudev, Swami Shriyukteshwar, ele foi para o Ashram de Karar, em Puri, para levar a sua vida sob a orientação espiritual de seu Gurudev. Depois, ele se estabeleceu como o Swami residente do Ashram. Após o mahasamadhi de seu Gurudev, no dia 9 de março de 1936 e alguns meses após o retorno de Paramahamsa Yogananda dos Estados Unidos, Swami Satyananda iniciou o Brahmachari Rabinarayan  (Paramahamsa Hariharananda) nas kriyas mais elevadas. Deixando o trabalho e o gerenciamento do Ashram de Puri aos cuidados do Brahmachari Rabinarayan,  ele abraçou a vida de monge itinerante, pregando e ensinando Kriya Yoga por toda a Índia. O seu encontro, no sul da Índia, com Ramana Maharshi, um santo iluminado, famoso por sua profunda experiência espiritual, transformou-se em um amor único e intenso. Ramana Maharshi ficou impressionado com a sua personalidade cativante e insistiu para que Satyananda ficasse permanentemente em seu ashram.

 

Uma tragédia aconteceu em 1944, quando uma terrível fome se espalhou na região de Bengala. Isso direcionou o coração amoroso de Satyanandaji para confortar os pobres famintos. O seu lema era: “servir com amor e meditação para todos”. Como um símbolo de seu amor pelos esquecidos e desprivilegiados da sociedade, ele estabeleceu a Missão Sevayatan Satsang  em Jhadagram, uma região subdesenvolvida no distrito de Mednipur, em Bengala Ocidental, onde passou o resto de sua vida, de 1944 até 1971, transformando a vida de milhões de pessoas. 


Após o mahasamadhi de Paramahamsa Yogananda em 1952 e até o final de sua vida, ele permaneceu como presidente do Ashram de Karar, em Puri. Com uma vida enriquecida pela experiência espiritual, dedicada à causa da humanidade e abraçando a mensagem do Kriya Yoga, ele finalmente deixou o seu corpo físico no dia 2 de agosto de 1971, na sua Missão Sevayatan Satsang.



Assim falou Swami Satyananda Giri (1896-1971):

Meu único ensinamento é “Amai a todos”.
*
Através do caráter, a humanidade do homem floresce.
*

Ser um sthita prajña (estabelecido na sabedoria) é o verdadeiro estado de crescimento espiritual.
*

Quando alguém caminha com fé em Deus pode perceber a presença da graça do guru dentro de si.
*

Precisamos de um guia e professor na vida espiritual tanto quanto na vida material. Qualquer que seja o compromisso urgente que uma pessoa possa ter, se ela for capaz de ficar sentada em silêncio por um tempo, obterá muita força.

*

A semente da devoção e da fé está escondida no coração de todos.

*

Boa companhia, discussões espirituais e autoanálise são essenciais para o desenvolvimento da planta.

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Quando alguém se esforça sinceramente pela realização interior por um longo período de tempo, progride no caminho da perfeição. Então a pessoa obtém a auto-realização.

*

Assim como alguém concentra sua energia para ter sucesso na escola e mais tarde na faculdade, também deve buscar obter desenvolvimento físico, mental e espiritual.

*

Trabalhe por trabalhar, não para obter resultado.

*

Se um kriyavan não pratica Kriya, significa que ele não está alimentando o guru interior já estabelecido no coração. Então, se você mantivesse o guru sem comida, você se alimentaria?

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Nunca se considere o executor de qualquer ação.

*

Todo karma (ação) tem um resultado duplo; um desfrutado nesta vida e o outro depositado para a próxima vida.

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Mesmo que você seja bem-educado, nunca se considere uma pessoa experiente.

*

Lembre-se de que você deve aprender com todos.

*

O estudo das escrituras é de pouca importância. Ramakrishna Paramahamsa foi um grande estudioso? No entanto, cada palavra de sua boca era uma escritura. Até, e a menos, que alguém esteja estabelecido no Ser, não tem o direito de dar conselhos espirituais a outros.

*

Veda significa conhecimento. Aquele que conhece o Ser é um verdadeiro estudioso dos Vedas ou escrituras.

*

Não considere a culpa dos outros.

*

Nunca acuse os outros de seus erros. Se uma pessoa tem apenas uma qualidade boa entre 100, tente ver essa qualidade boa, e não as 99 qualidades ruins.

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O homem é a manifestação de boas e más qualidades. Em alguns, o bem prevalece, enquanto em outros o mal é predominante.

*

Na criação de Deus, o bem e o mal, a luz e as trevas estão sempre presentes.

*

O homem, por ignorância, comete erros.

*

A existência do Eu é o verdadeiro milagre dentro de você. Se você não realiza o seu “Eu”, então você não está fazendo justiça a si mesmo.

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É fácil renunciar à família e ao mundo, mas difícil renunciar ao ego que está tão firmemente estabelecido e tão disposto a crescer. Seja sempre humilde e manso.

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Aquele que tolera, sobrevive, aquele que não consegue, perecerá.

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Prática (abhyasa) significa estar estabelecido no “ponto-átomo”.

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Primeiro pratique e depois pregue.

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Nenhum trabalho é pequeno demais; tudo o que você fizer, faça-o com fé, amor e sinceridade.

*

Cada trabalho é uma oportunidade de adorar o divino.

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Antes de fazer qualquer karma (ação), deve-se ver se conseguirá algum desenvolvimento real.

*

Se fizermos tudo com a atitude de seva (serviço), desfrutaremos da verdadeira paz.

*

Não deseje saber mais e mais, antes pratique para obter a perfeição e através da instrução do guru, eventualmente, tudo ficará claro.

*

Para manter o corpo e a mente saudáveis, o primeiro passo é manter o sistema digestivo em boas condições.

*

Os alimentos que consumimos devem ser adequados para o crescimento físico, mental e espiritual.

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Deve-se aprender a técnica de Kriya Yoga diretamente com um professor qualificado.

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Através da disciplina obtém-se o auto-aperfeiçoamento.

*

A prática de Kriya é a prática da autoanálise.

*

Através da prática de Kriya é natural estabelecer-se no autoconhecimento.

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O Eu, ou alma, é o verdadeiro guia.

*

Uma pessoa é capaz de progredir em todos os aspectos da vida quando pratica os ensinamentos do Mestre com fé e amor e os incorpora na vida cotidiana.

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Esforce-se para estudar as escrituras relacionadas ao autoconhecimento e discutir os ensinamentos dos Mestres.

*

Sua mente é o ambiente natural para o progresso espiritual.

*

Através da prática do controle da respiração, a pessoa se liberta de uma mente inquieta e de uma existência inquieta.

*

A respiração e a mente estão correlacionadas. Quando a inquietação do prana desaparece, a vida se torna divina.

*

A respiração é a manifestação do divino.

*

Existem diferentes níveis de experiência espiritual.

*

Uma pessoa realizada ainda pode enfrentar situações difíceis; mas ele ou ela permanecerá imperturbado.

*

Primeiro purifique a mente comendo corretamente e pensando corretamente. Quando a respiração se acalma, o olhar interior estará sempre fixo no kutastha. Não haverá desejo de nenhum trabalho e mesmo trabalhando parece que não se está fazendo. Raja yoga se torna uma religião.

*

Um santo pode ler a mente de qualquer pessoa fixando o olhar em seus olhos. Isso lhe revelará a natureza, a realização e o engano da pessoa. Isto pode aliviar a tristeza da pessoa, e também pode reconhecer os meios para a libertação.

(fonte<http://www.hariharanandakriyayoga.org/english/who_we_are/kriya/Quotes_Satyananda.htm>)

Gita (28/10)

Kamadhenu, Krshna & Gopis (B.G. Sharma)
Sânscrito:

आयुधानामहं वज्रं धेनूनामस्मि कामधुक् |

प्रजनश्चास्मि कन्दर्प: सर्पाणामस्मि वासुकि: || 28||

āyudhānām ahaṁ vajraṁ dhenūnām asmi kāmadhukprajanaśh chāsmi kandarpaḥ sarpāṇām asmi vāsukiḥ




Bengali:

আয়ুধানামহং বজ্রং ধেনুনামস্মি কামধুক্।

প্রজনচাস্মি কন্দর্প: সর্পাণামস্মি বাসুকি:।।

Significado Literal: Entre as armas eu sou o raio; entre as vacas eu sou a vaca celestial Kamadhenu (Zodíaco). Eu sou o desejo sexual que leva à procriação; entre as serpentes eu sou Vasuki.

Interpretação Espiritual de Yogiraj Shri Lahiri Mahashaya:
Parece um raio (dentro de kutastha) - a forma de uma vaca é visível - poder de procriação sem desejo - o que ocorre naturalmente - a cobra também é visível (em estado meditativo)

Vajra

Comentário de Swami Sree Hariharananda Giri:

A vida é um campo de batalha. A verdadeira batalha é a batalha da vida espiritual, a batalha para alcançar a perfeição e a realização de Deus. Em cada ser humano existe uma mistura de boas e más qualidades. Todos devem tentar sinceramente evitar hábitos negativos através da meditação. Na batalha da vida espiritual, são necessárias as armas da autodisciplina, da veracidade, da honestidade e do amor.
O Senhor diz:
Ayudhanam aham vajra: “Eu sou vajra, o raio de todas as armas”. A verdadeira arma da batalha espiritual é a respiração. Com o controle da respiração, é possível regular e canalizar todas as atividades. Outro significado de vajra é forte determinação e força de vontade. Quem realmente deseja a evolução espiritual deve levar a vida com determinação e não se desviar da verdade. Eles devem meditar e aprender a regular a respiração.
Dhenunam asmi kamadhuk: "Entre as vacas, eu sou Kamadhenu." Kamadhenu é uma vaca mitológica que cumpre todos os desejos, ambições e expectativas. A alma no corpo é a vaca que realiza desejos. Quem quer sentir prazer, consegue-o e desfruta-o pela alma e pelo poder da respiração; aqueles que desejam a realização em Deus, podem conseguir isso através da graça do Ser. O homem é seu próprio amigo ou seu próprio inimigo. O homem pode mudar sua vida e as suas atividades, mas isso depende do desejo. Se o desejo for forte pelo progresso espiritual e pela autorrealização, pela graça do Ser e por levar a vida divina, esse desejo, ou autorrealização, será satisfeito.
Prajanash chasmi kandarpah: “Eu sou o desejo da procriação sexual”. Prajana significa poder criativo. Em cada ser humano existe um poder criativo. Não se trata apenas do desejo sexual, da energia procriativa, mas de todos os aspectos do poder criativo. O agricultor, o artista, o cientista – cada um tem o seu próprio poder criativo que vem da respiração. “Eu sou a alma que habita em tudo, respirando e dando o desejo de criação e procriação.” A criação é feita acima do centro do umbigo e a procriação é feita abaixo do centro do umbigo.
Sarpanam asmi vasukih: "Eu sou Vasuki entre todas as serpentes." Muitas cobras têm joias na cabeça. Vasuki é vasu, joia, e ka, a cabeça. Aquele que vê a luz auto-refulgente na cabeça é Vasuki. Muitas pessoas também chamam o poder das serpentes de vasuki.

Kamadhenu
(Zodíaco, Plêiades no topo da cabeça,
Via Láctea no úbere)

Comentário do Professor Ankur Raysarma:

"Ayudh" significa um instrumento através qual se pode lutar. Vajra ou raio é sempre seguido de fogo, em sânscrito é frequentemente usado como vajranal (vajra + anal, fogo). Destrói tudo onde quer que atinja. Quando um buscador espiritual vê vajra dentro de kutashtha, sua ignorância, qualidades negativas e más propensões são destruídas. O poder indomável do vajra pode ser comparado à determinação, tenacidade e força de vontade de um aspirante espiritual; quanto mais essas qualidades uma pessoa possui, mais facilmente ela progride na jornada espiritual.
O próprio Deus cumpre todos os desejos e ambições de todos os seres humanos. Porque, de acordo como uma pessoa pensa, assim ela se torna. As pessoas comuns oram por ganhos materiais ou prazeres mundanos, elas os adquirem com a ajuda da sinceridade e da determinação. Os buscadores sinceros, que desejam a realização espiritual, também a realizam por meio de sua força de vontade, sinceridade e determinação. Quando um iogue atinge a perfeição em khechari, um líquido semelhante a um néctar começa a jorrar do sahasrar, esse líquido é comparado ao leite de Kamadhenu. Quando o iogue quase se torna um com o Supremo, todos os seus desejos são realizados. Este estado alcançado por um iogue é conhecido como kamdhuk.
O poder por trás de cada criação é o desejo. Deus habita em cada criação na forma de respiração. O poder de atração entre sexos opostos deriva da respiração, que é a única responsável pelo sustento da humanidade através da procriação. Este poder, quando gerado a partir do centro naval inferior, é usado para gerar a progênie, mas quando esse poder é gerado a partir do centro naval superior, pode-se usá-lo no campo da ciência, tecnologia, literatura, arte, música, etc.
Uma cobra que carrega uma joia auto-refulgente em sua cabeça é conhecida como vasuki. De acordo com a mitologia, Vasuki mantém nosso planeta em sua cabeça. De acordo com a interpretação iogue, vários vayus (ar) dentro do corpo humano são comparados a cobras; entre eles, o vayu estático situado em muladhara é conhecido como vasuki. O iogue, no momento da meditação, vê vasuki dentro de kutashtha.

Vasuki
Comentário de Yogacharya Céu:

Quando, através da autêntica prática de Kriya Yoga, em respiração Kriya, elevamos a consciência dos chakras baixos para acima do sexto centro, isto é, os conectamos aos vácuos desses chakras na kutashtha, passamos a perceber a luz como emanação da luz interior. Percebemos que a verdadeira luz não está no mundo físico, que este é apenas um reflexo da fonte original -realizamos o Vajra.
Vamos então perceber que a mesma força da luz das estrelas (e planetas) - Vajra-, em especial aquelas alinhadas através do cinturão zodiacal -Kamadhenu-, estão vinculadas aos centros de realização material.
Nosso desejo se unifica à vontade celestial e atingimos Paz Suprema. Nosso poder de realização e criação entra em harmonia com o Dharma, que é a Vontade Cósmica, é Amor Divino. Passamos a estar em sincronia (Luminosa) com o destino de elevação e liberação desta dimensão planetária – Vasuki.


🌺*Calma e plenitude são a mesma coisa. Se você está experimentando a incompletude, então você não consegue ficar calmo* 🌺
🌹
Sree Baba Hariharananda Giri

São Joãos

Na época em que publico este post, estão acontecendo as festividades de fogueiras no Brasil. Chamam de Festas Juninas.
Mas a origem dessas festas se mistura com as sombras mais remotas do passado, já que o culto à manifestação Divina pela contemplação do fogo, é possivelmente o mais antigo culto ao Divino em nosso planeta.
Dentro disso, na época de Jesus, surgiu a personalidade São João Batista. Os dois amigos espirituais, assim como na milenar visão védica, figuram a amizade divina, o mestre que se faz discípulo, do discípulo que se faz mestre. Nara-Narayana. 

Mas dentro de nossa sangha, são dois Joãos (Joões?) inpirados, que escreveram, cada um, um texto, com os quais posso aprender muitas coisas. Uma pequena dissertação, de João Fernandes. E um poema singelo (base reggae!), de João Roberto. Seguem:


DENTRO DE SI
por João Fernandes

Ser verdadeiro consigo é o único caminho possível para superar definitivamente obstáculos na vida e manter a cabeça saudável de modo perene.
Quem estaciona em comportamentos e atitudes interiores nefastas, prejudiciais aos outros, escolhe isso se recobrindo das mais criativas formas de autoengano. Por exemplo: uma pessoa invejosa, que se sabe invejosa, permanece nessa condição por sua própria escolha, pois escolhe se entregar de corpo e alma a desconversas e justificativas enganosas criadas pela sua própria cabeça, que a acomodam naquele enrosco interno.
Em vez de escolher retirar de si, imediatamente, todo o emaranhado hostil de sentimentos que enredam aquela conformação de caráter perniciosa, ela teima em murmurar, em se ressentir, em mal olhar, em praguejar, e se posiciona anestesiada contra a lucidez mais simples, expulsando-a de dentro de si.
Um dos resultados da prática constante desse tipo de autoengano, é a deterioração da memória: - de tanto fingir não saber de si, acaba se esquecendo mesmo, ao ponto de potencialmente gerar lesões neurológicas, buracos no tecido da consciência criados no contrapé daquele autoengano.
É nesta dinâmica de escolhas e atitudes interiores, que existe o significado do verbo “merecer”. Habituar-se a não mentir para si mesmo é um exercício de fortalecimento da memória e de limpeza da alma.


FIRMAMENTO
por João Roberto

A calma
Quem dita
É nossa alma.

Lembrança
Da bem aventuraça
Do sorriso
Quando criança.

No eterno
É nosso prazer
Queira ou não

Sois eterno,
Queira ou não.

O externo anda
No engano do tempo,
Não existe passado
Amado ou não
Nao existe futuro
Esperado ou não.

Teu presente

Concentre-se
No interno.

Neste mundo
Complexo
Dentro de você.

Além do físico
Além do ego
Sossego e calma
Com Alma



É mais do que demais

 Foto e performer: Vivi Medina
Guru é uma instância espiritual, um aspecto da Consciência. Não tem como passar pelo mundo sem viver isso. Até psicopata tem guru. Até quem nega guru, tem guru.

Até o supremo ignorante tem guru, sendo esse guru que o guia, a própria ignorância. Muitas vezes, encarnada.

Talvez um freudiano diga que o Guru é o superego. E um lacaniano, que sujeito suposto-saber. Mas isso ainda limita o Guru a campos mentais e psíquicos. A meditação profunda realiza instâncias não enquadradas nesse campo de forma, e onde o Guru também se manifesta.

Mas quanto mais ignorantes somos, mais obscura será nossa consciência de Guru. Mais projetada em um aspecto narcisista de nossa própria falta de identidade.

Guru não é uma pessoa transitória, mas pode se manifestar, passageiramente, em uma pessoa. Uma pessoa pode ser uma montanha, um verme ou uma coluna de pedra. E até um ser humano.

O Ser Humano que manifesta realmente o Guru, está liberto. Sat Maharishi. Gurudev.

Disse uma vez Baba, que se as pessoas que pretendem se tornar gurus, soubessem o que realmente é ser um Guru, fugiriam correndo.

O Guru é mais do que um arquétipo. É um dos dois pilares da Consciência, sendo, o outro, o Discípulo. Um é o melhor amigo do outro. Um Guru realizado é antes de nada um Discípulo realizado, que se rendeu e entregou totalmente a uma dimensão espiritual além da dualidade e do vínculo narcisista. Chittananda, Chittakasha. 

Guru real e Discípulo real são um Campo abençoado onde o Saber se manifesta. 

O Guru é Ser Transpessoal, uma guia além do indivíduo e que conecta a consciência humana à coletividade, ao senso ecológico e espiritual. A metáfora deste Mestre como uma Estrela Guia representa bem esse aspecto transcendental, guiando da ignorância, da falta de entendimento, para a consciência clara e liberta.

Guru verdadeiro é o que remove a obscuridade e faz a luz brilhar, trazendo clareza de propósito e desembaraçando verdade e mentira, libertando da ilusão. É Mestre que orienta no tempo e no espaço, aponta o caminho das estações, das estrelas e dos planetas, dentro e fora da entidade individual. Está em toda Jiva e está em Atmã.

Desacorrenta.

Envergonha os orgulhosos.

O Guru verdadeiro é bem duro com os mentirosos. Especialmente com os mentirosos que não sabem que estão mentindo. Porque o Mestre ceifa o que não frutifica e floresce.

Mas o Guru coloca em seus braços, nina e alimenta, os aflitos que têm sede de verdade. Porque o Mestre é pai e mãe. Ama o humilde e a criança. Protege os protetores.

Ele se prosta diante do Maior. 

Ele decepa a cabeça da mentira. 

Ele dá uma grama a mais do que recebe. 

Ele planta nos corações a semente da consciência da Eternidade.

É Luz em que se mergulha no Oceano da Glória Infinita. É mais do que demais. 

O verdadeiro Guru é a esposa do Amor e o esposo da Paz.

Jai Gurudeva: A vitória do Guru é que o Discípulo aprenda a lição. 

A única real conexão com o Guru é interior. Tenha cuidado com necessidade exagerada e compulsiva de demonstrar aos outros que tem essa conexão. Pode significar o contrário.


Vaijanika Kriya Yoga Paddhati (O Método Científico da Kriya Yoga), capítulo 1: Princípios da Kriya Yoga

Por Paramahamsa Hariharananda

Capa original de
de Vaijnanika Kriya Yoga Paddhati,
escrito no idioma oriá.



Livro original escrito em oriá, Vaijnanika Kriya Yoga Paddhati
Traduzido para o português, a partir da tradução em inglês, por Graziella Schettino Valente, com revisão de Yogacharya Céu.
São Paulo, Brasil, 2022


1

Princípios da Kriya Yoga

Kriya Yoga é uma bela técnica de meditação, que precisa ser aprendida com um professor, tanto sua teoria quanto sua prática. Esse caminho utiliza experiência direta, semelhante a aprendizagem por observação científica. Se aprendida com qualquer um que não seja uma pessoa plenamente realizada[1] em Kriya ou um iogue altamente avançado, a prática não dará resultados. Aqueles que não atingiram o apogeu da Realização de Si, ou provaram o apreciado estágio – um bem-aventurado estado de amor e devoção – irão certamente ganhar má reputação se eles ensinarem outros, e as pessoas que aprenderem com eles não irão se elevar no caminho espiritual da Realização de Si. Está escrito na Bíblia (Mateus 15:14): “Da mesma maneira que uma pessoa cega conduz outra pessoa cega e ambos caem na valeta, também um buscador ignorante não pode ser um farol de luz para outros.”

A palavra “yoga” deriva da raiz yuj, que significa estar unido ou permanecer no estado de unidade. Em outras palavras, através de técnicas científicas, o eu encarnado (jiva) está unido ao Eu universal (Brahman). Um iogue pode ser alguém que tenha responsabilidade pelo sustento ou cuidado da família ou que seja um monge renunciado; em ambos os casos, essa pessoa permanece sempre unida a Deus praticando métodos ióguicos. Essa realização da unidade entre a alma individual e o Eu Supremo é ioga.

Yogiraj Shyamacharan Lahiri,
mais conhecido como Lahiri Mahasaya

Na era moderna, Yogiraj Shyamacharan Lahiri reviveu o antigo conhecimento do controle da respiração sutil, uma técnica científica conhecida como Kriya Yoga. O Bhagavad Gita (2:50) diz, yogah karmasu kaushalam: “Ioga é a maneira adequada de alcançar ação correta”. É também uma técnica ou método para a Realização Divina. Kriya Yoga é uma técnica que pode ser praticada para atingir o bem-aventurado estágio de samadhi nesta mesma vida. Esta é a verdadeira adoração a Deus. O Yoga Sutra de Patanjali (Sadhana Pada, sutra 1) diz, tapah svadhyaya Ishvara pranidhanani kriya yogah: “Kriya Yoga é a arte da oração interior com controle da respiração, autoestudo e puro amor pelo Divino.”

Na opinião sagrada de Shri Shyamacharan, Kriya Yoga é uma combinação de diferentes técnicas, como pranayama, Khechari mudra, Jyoti mudra e ouvir o som divino, ver a luz divina e assim por diante. Todas essas técnicas são apenas maneiras para alcançar o estágio de samadhi.

Paramahamsa Yoganandaji, um dos discípulos de Swami Shriyukteshwarji que se tornou um mestre realizado na linhagem de Kriya Yoga, afirmou que a espiritualidade não pode ser comprada no mercado. Deve ser conquistada com muito trabalho e esforço próprio. No entanto, muitas pessoas estavam aprendendo e praticando Kriya Yoga principalmente pela leitura dos livros dele. Uma compreensão geral a respeito da filosofia de Kriya Yoga pode ser obtida lendo livros, mas, a menos que seja aprendida adequadamente com um mestre Autorrealizado ou um estudante avançado designado, não alcançará o resultado desejado. Como apontado novamente por Paramahamsa Yoganandaji, um mestre Autorrealizado acende a consciência espiritual no coração de um discípulo sincero. O guru preceptor é o mensageiro de Deus. O fluxo imperecível e perene da tradição do guru nunca foi interrompido e continua a fluir ininterruptamente ainda hoje. 

Yogananda sentado ao lado de Sree Yukteshwar,
no Ashram de Karar, na cidade de Puri
Orissa (Odisha), Índia

Sentado próximo aos gurus da tradição de Kriya Yoga – Swami Shriyukteshwar Giri, Sanyal Mahasaya, Paramahamsa Yoganandaji e Swami Satyanandaji – eu venho praticando Kriya Yoga em uma atmosfera de solidão, reclusão e silêncio desde 1932. Como resultado dessa prática em reclusão e silêncio, eu aprendi não apenas como abrir as pétalas de lótus dos seis centros para conduzir os buscadores à Realização Divina, mas também realizei que Kriya Yoga é a essência de todas as religiões. Os renunciantes convictos, brahmacharis e sannyasins da Índia, mergulhando além do véu da natureza externa, realizaram a imanente sublime verdade desta natureza. Kriya Yoga não é meramente um discurso filosófico ou intelectual. Na realidade, é o estágio da percepção não sensorial, de completa fusão e união com Deus. Pela graça dos gurus da linhagem de Kriya Yoga, alcancei o estágio de nirvikalpa samadhi e gostaria de compartilhar uma parte da minha essência realizada, em forma de livro, para o benefício das pessoas do mundo todo.

O corpo é muito temporal. Não sei se algum buscador antes de mim realizou a mesma essência que encontrei praticando Kriya Yoga. A experiência e a realização de cada pessoa são únicas. Também não sei se durante a iniciação outras pessoas podem instilar vibração divina, luz divina e som divino da cabeça aos pés em seus discípulos. Depois de atingir o nirvikalpa samadhi em 1948 e Paramahamsa Yoganandaji solicitar que eu ensinasse Kriya Yoga, venho infundindo a vibração divina em discípulos do muladhara chakra (centro inferior) ao sahasrara chakra (fontanela) e até mesmo ao brahmaloka (céu alto no espaço).  Até atingir o nirvikalpa samadhi, eu não conhecia essa técnica de infundir o poder divino. Renunciando a tudo, pratiquei esta técnica dia após dia, mês após mês, ano após ano, até o dia da emancipação final. Através da minha prática e da graça de Deus e dos gurus, alcancei tal estado e pude despertar a energia divina, vibrante, latente e cósmica que permanece não manifestada no corpo inteiro das pessoas. A partir desse dia, venho espalhando a sublimidade da Kriya Yoga, ensinada pelos mestres desta linhagem, por todo o mundo – não só na Índia, mas também na Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Suíça, Canadá, EUA, Colômbia, e muitos outros países da Europa e América do Sul. Ao longo das cinquenta partes do corpo dos discípulos, eu venho despertando a energia cósmica latente. Isso é chamado de infusão de poder.

Swami Satyananda Giri,
primo de Yogananda,
Satyananda é lembrado por
sua incansável ação humanitária.
Foi o Sadhusabhapati do 
Ashram de Karar de 1952 a 1971.

Muitos ocidentais, assim como alguns indianos, têm uma visão equivocada do que é kundalini shakti. Muitas pessoas têm a ideia errada de que kundalini é como uma cobra que permanece circundando ao redor do muladhara chakra (centro inferior). Despertada, ela vai subir e morder todas as partes do corpo, causando danos inexplicáveis. Muitos livros foram escritos sobre esse retrato fantasioso da energia cósmica latente. Ninguém se atreveu a compartilhar a verdade, temendo que fosse contra noções milenares estabelecidas e escrituras antigas. Muitos sadhakas tântricos, que nunca perceberam a bem-aventurada essência da energia cósmica, escreveram muitos livros, como chacais murmurando que as uvas doces, as quais eles não podiam alcançar depois de suas tentativas e tribulações, estavam azedas.

A energia cósmica, latente em todo ser humano, cria a sensação vibratória da energia vital (prana shakti). Também é conhecida como para shakti (energia suprema) e adorada como kampilyavasini (manifestada como vibração). Por todo o corpo, as sensações vibratórias de maha shakti (grande poder) são sentidas. Sendo enfeitiçados pelas forças centrífugas extroversas de maya (delusão, ilusão e erro), os seres humanos permanecem sempre esquecidos de maha shakti; este grande poder permanece desaproveitado e não utilizado em cada indivíduo. Paramahamsa Yogananda explicou que a consciência humana é normalmente limitada pelos sentidos. Esse poder invisível, sutil e oculto não pode ser facilmente controlado. A cobra é um símbolo de poder. Como a cobra tem poder e veneno, a corrente prânica também tem a dupla capacidade de evolução espiritual e de criar confusão mundana. A energia vital prendeu os seres humanos na armadilha de maya (delusão e apego). Toda a humanidade está cozinhando no veneno mundano. Os cientistas redescobriram na teoria dos genes como as tendências da vida são transmitidas a outros e permanecem adormecidas neles. Os iogues descobriram que a forma sutil das tendências humanas permanece embutida no muladhara chakra (o centro inferior). Essas tendências são geralmente chamadas de energia não manifesta. Despertar tal energia significa introverter conscientemente a energia vital não utilizada através de todos os centros dentro da coluna, desde o muladhara até o sahasrara (no topo da cabeça). Ao subir ao longo do caminho da sushumna, do muladhara ao sahasrara, a energia vital controla as rédeas de todos os desejos mundanos. Ao atingir o mais alto estágio possível de Realização Divina, somente através da prática de Kriya Yoga, tenho tentado ajudar toda a humanidade a percorrer o caminho espiritual, instilando nos corpos dos discípulos a sensação divina e as vibrações do poder supremo (maha shakti) depois de purificar e consagrar todas as partes do corpo e chakras (centros) na coluna. Kriya Yoga é uma ciência de espiritualidade prática que deve ser aprendida diretamente com o guru preceptor.

Yogananda

Não se pode obter a Realização Divina apenas lendo escrituras e textos espirituais. A ilustração a seguir esclarecerá esse ponto. Qualquer pessoa que alugou um cofre de segurança no banco tem uma chave enquanto outra chave é mantida pelo gerente do banco. Mesmo que essa pessoa deseje abrir o cofre com sua chave, ela não pode sem a ajuda do gerente do banco. O gerente do banco primeiro abre o cofre e, em seguida, a pessoa usa sua chave para abri-lo para ver sua riqueza e ouro no interior. Da mesma forma, a prática de Kriya Yoga é a arte da disciplina espiritual que se deve dominar com o sincero companheirismo de um buscador com o guru. Guru é o mensageiro divino. A chave para abrir o cofre divino do tesouro espiritual está com guru. Se o gerente do banco não abrir o cofre, ninguém tem o poder de ver o que ele contém. Da mesma forma, a pessoa que tem o cofre, a menos que ele seja aberto, não pode ver sua própria riqueza e propriedade.

Três fatores são essenciais para a evolução espiritual de todo buscador: hereditariedade, ambiente e cultura. A hereditariedade é a própria herança do passado. O ambiente é o guru preceptor. O terceiro fator, a cultura, depende do esforço sincero do buscador. Com a hereditariedade da providência divina, o guru preceptor abrirá o cofre cinquenta por cento e os outros cinquenta por cento devem ser cultivados pelo discípulo. Pela prática da Kriya Yoga, pode-se perceber que cem por cento de divindade é inerente a todo ser humano.

Bupendranath Sanyal Mahasaya,
de barbas brancas, ao centro.
Ao lado direito, seu discípulo, autor deste livro,
Paramahamsa Hariharananda,
de barbas escuras e óculos.

Enquanto leva uma vida mundana, um ser humano pode praticar Kriya Yoga. Kri significa o que você está fazendo; ya significa a alma funcionando dentro de você. No Bhagavatam em oriá, é dito pelo Senhor Krishna: “Eu sou Aquele que faz; não há outro caminho além de Mim.” Realizando Aquele que faz, na forma de energia vital em todas as atividades, pensamentos e disposições, os seres humanos permanecem sempre ligados na consciência da alma em meio aos cuidados e tarefas familiares. Possa uma pessoa ser Shakta (adoradora da Mãe Divina), Shaiva (seguidora do Senhor Shiva), Vaishnava (aqueles que adoram o Senhor Vishnu, Shri Rama ou Senhor Krishna), Ganapatya (crente no Senhor Ganesha), Tantrik Kaulika (seguidores de sua própria tradição familiar de ritos e rituais), budista, jainista, ou pertencer a qualquer outra disciplina[2], ela pode facilmente realizar Deus ou se elevar na evolução espiritual despertando a energia cósmica na sushumna e se estabelecer no sahasrara através da prática de Kriya Yoga. Como dizem as escrituras, desha kala prapannani sarva karmani sadhayet: “Todas as atividades são realizadas de acordo com a natureza do país e do clima.” Se as sementes forem jogadas nas florestas ou em terras selvagens, sem o cultivo adequado, não haverá rendimento e os esforços serão em vão. Para obter uma boa colheita, deve-se cultivar bem a terra. Da mesma maneira, Kriya Yoga é uma técnica especial de meditação para cultivar a terra espiritual que jaz árida nos seres humanos.

Nos capítulos subsequentes, as descrições a respeito dos estágios e o processo de Kriya Yoga ajudarão a dar uma compreensão mais clara aos praticantes de Kriya Yoga iniciados e inspirarão as pessoas a trilhar este caminho real


[1] Nota à tradução brasileira (N.d.T.)

Ao longo do texto, a palavra “realizar” é usada no sentido de conceber algo vividamente como real; perceber ou experimentar um estado plenamente consciente, em relação à Deus, à unidade (Realização Divina, Realização de Deus), ou a si mesmo (Autorrealização, Realização de Si).

Assim, uma pessoa realizada é alguém que alcançou um estado pleno de consciência de si, em união com Deus.

Realizado é, ainda, alguém que se realizou, que alcançou seu objetivo ou ideal, que atingiu sua meta (ex.: Teve o que desejou, é um homem realizado).

Então, pode-se entender que mestre realizado é alguém que alcançou o ideal dentro daquilo que é ser um mestre. E, do mesmo modo, pode-se compreender que realização espiritual é alcançar o objetivo ou ideal espiritual.

[2] Como cristianismo, judaísmo, islamismo, espiritismo, religiões de matriz yorubá e de todas as outras matrizes, etc. (N.d.T.)

Postagem por ocasião dos 25 anos do ensino e prática
da Kriya Yoga de Paramahamsa Hariharananda no Brasil

Desarmonía entre las personas

Declarándose muy triste y confundida, debido a movimientos de desarmonía en la sangha,
una kriyayoguini me pidió su opinión sobre lo que estaba pasando

Queriendo dar una respuesta rápida, le respondí: - Debo tener mucho cuidado para darte una buena respuesta. Primero meditaré y oraré. Pero no te preocupes, la vibración divina está haciendo lo suyo. La paciencia es el camino de la compasión.

Y me dediqué a meditar y orar, para encontrar una buena respuesta.

Una sangha es una comunidad de buscadores de la verdad, buscadores de liberación espiritual.

Bueno, la verdad no se oculta. Por el contrario, está todo el tiempo se haciendo estallar desnuda ante nosotros y dentro de nuestra conciencia profunda. Si no percibimos la verdad, no es por ella, sino por nuestro propio rechazo a ella. Entonces, podemos preguntarnos: - ¿Por qué no puedo ver la verdad? ¿Qué no quiero ver de mí mismo? ¿Qué me niego a aceptar de mí mismo? Podemos pedir a Dios: - Dame claridad de discernimiento para que sepa lo que me impide conocer la verdad.

Aquellos que realmente buscan la liberación espiritual no se victimizan a sí mismos. No señalan con el dedo culpando a otros. Porque la liberación espiritual es asumir la plena responsabilidad de ti mismo, desde lo más profundo de tu propia alma.

Entonces, a pesar de las enormes ganas de participar en el juego del chisme y el control de las narrativas, no lo hacemos. Porque aquellos que realmente buscan la verdad, la encontrarán. Y los que buscan poder en la garganta, allí se quedarán, morando en sus propias historias engañadas, en luchas de poder, en juegos políticos. Las luchas de poder narcisistas no solo destruyen países, destruyen familias, parejas, amistades, sanghas.

Lo que necesito es preguntarme: ¿Qué quiero? ¿Libertad espiritual? ¿Estoy participando de una sangha porque quiero la validación de mi narcisismo o porque quiero la verdad y la liberación?

Baba nos dice que debemos tener cuidado con nuestra lengua, pero también debemos tener cuidado con nuestros oídos. Pueden ser nuestros enemigos.

Jesús dice: Y ¿por qué miras la mota que está en el ojo de tu hermano, y no echas de ver la viga que está en tu ojo?

Por eso creo que es mejor ser conscientes de nosotros mismos, tratar de quitar lo que nos impide ver, y no alimentar la discordia ni por la lengua ni por los oídos. Si lo que queremos es liberación espiritual. Si la razón por la que estamos en una sangha es buscar la verdad.

Entonces, después de meditar. después de orar sobre todo lo que escribí anteriormente y mucho más, finalmente encontré la respuesta a mi querida amiga kriyayogini:

- No te preocupes, la vibración divina está haciendo lo suyo. La paciencia es el camino de la compasión.

In Tempo: Las desarmonías también me entristecen mucho. No estoy hecho de arcilla.

Con Amor
Y Céu